Tony queria ficar. Confortá-la, conversar.
Havia tanto que gostaria de lhe dizer, mas estava claro que não era o momento.
Embora relutante, ainda mexido pelo momento previamente compartilhado, o moreno assentiu aos gestos da ex namorada.
Ele lhe deu as costas e subiu os degraus de maneira lenta e torturante, lutando contra a vontade de fazer o caminho inverso. Mas sabia que ainda precisava resolver uma última questão, precisa sanar todas as dúvidas existentes sobre o porquê de as filhas terem ido lhe procurar. Ele acreditava nas palavras de Pepper, mas precisava ouvir isso das garotas.
Como Virginia falou, as gêmeas estavam no terraço. Era pouco mais das 20h e o sol estava quase se pondo. As duas estavam observando o fenômeno deitadas nas espreguiçadeiras amarelas, tomando o que Tony acreditava ser limonada e rindo de algo no celular de uma delas.
Ele tentou chegar até elas em silêncio, mas quando abriu a porta de vidro a mesma rangeu, anunciando sua presença.
Assim que se viraram e perceberam que era ele, as duas deixaram o que faziam de lado e correram até o homem, o abraçando.
— Oi, pai. -Liv disse.
— Chegou há muito tempo? -Vi questionou.
Tony sorriu, retribuindo os abraços e beijando as bochechas das filhas, coradas devido ao calor.
Desde que a confusão com as cartas foi solucionada, as meninas passaram a chamá-lo de pai. Foi de forma tão simples e natural que todos sentiram que era certo.
— Cheguei agora a pouco, estava resolvendo umas coisas com a mãe de vocês. -Respondeu.
— Vocês não estavam brigando não, né? -Intrigada, Violet perguntou. Dentre os cenários que havia imaginado quando seus pais se reentrassem, as discussões constantes não era um deles.
— Não, dessa vez conversamos como adultos civilizados. -Riu e a tranquilizou. — Na verdade, eu queria mesmo falar com vocês.
— Com a gente? -Olivia estranhou.
— Isso, é sobre o testamento e toda essa... "Confusão" que vocês criaram. -Gesticulou as aspas com os dedos.
— Ah... -As garotas assentiram, caminhando novamente com ele até as espreguiçadeiras.
Tony se sentou em uma delas e as garotas dividiram outra, ficando frente a frente, com as pernas para a lateral dos assentos.
— Você ficou chateado? Por a gente não ter contado? -A ruiva perguntou.
— Bom, isso depende. Porque vocês não me contaram?
— A gente não queria que você achasse que somos duas interesseiras.
— Então não passou pela cabeça de vocês que eu me casaria com a Pepper para salvar a herança de vocês? -Perguntou, vendo a expressão das filhas mudar.
— Pai, você não pode nos culpar por sonhar. Passamos 15 anos esperando por esse momento, mas do jeito que vocês parecem se adiar, isso não vai acontecer tão cedo. -Vi resmungou. — Porque vocês são tão teimosos?
O moreno abriu a boca para repreendê-la, mas nada saiu.
— Nós passamos a vida toda sonhando em conhecer você, quando o biso deixou o testamento pareceu o momento perfeito. Era o incentivo que faltava. A gente já sabia que a mamãe não casaria, isso já era certo, mas achamos que vocês ainda se amassem, então seria apenas um combo de felicidade.
— Então não se resume a herança?
— Bom, se fosse por isso poderíamos pedir o favor a qualquer um dos amigos da mamãe, seria muito mais fácil. Mas nós viemos atrás de você, nos metemos em uma encrenca danada só porque queríamos te conhecer.
— Nunca foi pelo dinheiro, pai. Só queríamos que fossemos uma família.
— Mas nós somos uma família.
— Não, não assim. -Liv argumentou. — Você e a mamãe parecem não se suportarem, vocês mal conseguem ficar no mesmo ambiente por 5 minutos. Parece que a gente tem que ficar escolhendo entre vocês o tempo todo.
— O jantar com a vovó foi incrível, mas vocês estavam tão desconfortáveis que parecia que a qualquer momento o restaurante iria se abrir e nos sugar. Vocês nem se deram conta do quanto estava sendo importante para a gente.
— Eu sinto muito. -Tony falou. De fato, ele e Virginia estavam tão perdidos em seus próprios mundos de redescobertas que não estavam pensando em como tudo afetava as filhas. Elas podiam ter entrado nessa missão de "revelação da paternidade", mas no final do dia, eram só crianças.
— A gente só queria que vocês fossem amigos. -Violet ponderou.
— Que não precisassem lidar com tudo sozinhos, sabe? Que fossemos mais do que mensagens trocadas.
— Lidar com o que exatamente?
— Por exemplo, a mamãe não divide nada com a gente, não as coisas sérias, os problemas. Ela não quer nos preocupar e lida com tudo sozinha, o que não é justo.
— Isso não vai mais ser preciso, eu estou aqui agora.
— É mesmo? Então ela te contou como está sentida porque não casar significa perder as casas que a vovó viveu? Que ela está sofrendo por ter que se despedir dos valores emocionais de cada coisa que o biso deixou? Nunca foi sobre o dinheiro, mas sobre as memórias que ela cultivou. A mamãe está sofrendo e ela não deixa ninguém se aproximar, ninguém ver esse lado dela. A tia Nat disse que você era a única pessoa que conseguia ajuda-la, só achamos que isso iria se repetir.
— Ela nem deve ter te contado que os acionistas conseguiram uma liminar para que a eleição da presidência fosse realizada em 6 meses ao invés de 1 anos como achávamos que seria, não é?
— O quê? -Ele realmente parecia surpreso.
— O presidente ocupará o cargo de forma temporária, ao final, a mamãe casando, ainda vamos poder herdar tudo. Mas como uma nova eleição só poderá ser feita 2 anos depois, talvez não tenha mais nada para herdarmos. Sem um representante da família lá dentro, os acionistas vão poder fazer tudo o que quiserem. Tudo do biso está no nome do banco. -Olivia explicou.
— Como vocês sabem disso?
— Escutamos uma conversa da mamãe.
— Meninas, vocês não deveriam escutar conversas alheias. Já são grandinhas o bastante para saber o quanto isso é errado.
— Errado não seria deixar a mamãe lidar com tudo sozinha quando também somos responsabilidade sua? -Violet perguntou.
Tony, mais uma vez, abriu a boca para responder, mas nada saiu.
Ela tinha razão, afinal?
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Come Back... Be Here
FanfictionOnde Tony e Pepper se reencontram 16 anos depois devido a um plano que envolve uma herança bilionária e um casamento de mentirinha.
