— Espera, vai ser fácil assim? -Pepper entranhou complemente sua resposta.
— Nós podemos ter todas as diferenças e problemas do mundo, mas acho que ficou claro que mentir um para o outro ainda não é um deles. -Respondeu.
— Claro, claro. Nunca mentimos um para o outro. -Ironizou.
— O que disse?
— Nada.
— Tem certeza que não falar sobre isso? Parece que você tem algo a dizer.
— Claro.
— Você está bem?
— Porque eu não estaria, Anthony? -Quanto mais ele insistia mais ela tinha vontade de socar seu rosto. Conseguia lidar com todas as facetas de Tony Stark, menos com a que se preocupava com ela, que bancava o inocente e a fazia cair em todas as suas ladainhas.
— Se estivesse bem mesmo, não estaria sendo monossilábica. Você adora falar pelos cotovelos, é quase impossível te fazer parar. -Sorriu com as memórias.
— Essa era eu, no passado. Hoje não sou mais assim. -Desconversou.
— Continua mentindo muito mal, a propósito.
— E você mente que é uma beleza, não é? -Devolveu de um jeito áspero. — Não me surpreende.
— Sabe, isso me fez pensar em algo. Consigo entender porque você me odiava, na verdade, é completamente compreensível considerando toda essa confusão das cartas. -Ergueu a sobrancelha, fazendo uma nota mental de aquele deveria ser um tópico discutido por eles. Muito em breve, inclusive. — Mas não entendo por que está me tratando assim agora.
Uau, além de mentiroso, é um bom ator. -Pensou consigo mesma.
Pepper cogitou dizer que poderia ficar ali e listar todas as questões que a levaram a agir daquela maneira, mas não precisava se justificar. Não para ele. Então recorreu a indiferença.
— Porque é assim que a vida é. -Limitou-se a responder.
— Vamos ficar agindo como quando nos conhecemos também? Eu venci aquele jogo, lembra? -Provocou. Algo na animosidade dela o fazia querer reverter a situação o quanto antes. Mesmo que não entendesse muito bem o que fez para merecer ser tratado daquela maneira.
— Você não veio aqui falar de passado, você não fez questão de saber se as meninas estariam em casa para isso. Então, o que é? Você já sabe sobre o testamento e eu já esclareci a história. O que mais há para você ainda estar aqui?
— Está me expulsando?
— Eu estou cansada, Anthony. Eu só quero deitar na minha cama e esquecer que existe uma vida fora do meu quarto. -Resmungou. — Por favor, não vamos perder tempo com esses joguinhos.
Tony suspirou, analisando-a por um instante. Percebeu como ela sacudiu os cabelos e sentiu o estômago se revirar quando seus olhos se cruzaram. Ela parecia estar com frio, já que abraçava a si mesma e seus lábios tremiam. Mas considerando as altas temperaturas do verão novaiorquino, descartou a possibilidade.
Na verdade, Virginia só aparentava estar extremamente irritada. O moreno deu um leve sorriso ao pensar que, mesmo com o passar dos nos, a mulher ainda parecia mal-humorada, como se lutasse contra o mundo o tempo todo. E ele continuava achando aquilo adorável.
— Eu vim falar com vocês sobre o testamento. -Embora quisesse conversar com ela sobre vários temas, preferiu optar pelo terreno seguro. — Falar com você sobre até que ponto era verdade e bom... Tentar fazê-las esquecer qualquer ideia que possam estar tendo sobre nos casarmos.
— Okay, finalmente concordamos em algo, Stark. Já que nada do que eu digo parece funcionar, talvez você consiga tirar essa ideia ridícula das cabeças delas.
O moreno riu, constatando que realmente a irritava. — As meninas estão no quarto?
— Considerando que desde que você chegou não deram sinal de vida, só podem estar no terraço.
— Esse comentário deveria me ofender?
— Não, só reforçar o recente comportamento irritante que desenvolveram de escutar conversas alheias.
Tony riu e brincou. — Prometo conversar com elas também sobre isso. -Passando por Pepper, ele se dirigia até a escada, mas mudou a rota, parando a poucos passos de distância da ex namorada. — Eu sinto muito pelo seu avô. -Disse, para seu total surpresa, quebrando a raiva repentina.
E como se não bastassem as palavras, ele lhe abraçou. Suas mãos envolveram a cintura da loira, puxando seu corpo de um jeito gentil, afagando suas costas, os dedos subiram com demora por cima da sua roupa, mas de uma forma intensa, como se estivesse testando a flexibilidade da pele clara.
Por algum motivo torpe, que não entendeu, a mulher o abraçou de volta.
Bastou um segundo para amaldiçoar o quanto sentia falta de um simples hábito. E, por Deus, como ela sentia saudade daqueles ombros largos. De sentir o pescoço dele, o perfume que ainda era o mesmo, o olhar orgulhoso de quem era dono do mundo e poderia ter tudo, inclusive a ela.
— Sei que o amava. Ele era um homem incrível. Gostaria que ele estivesse aqui.
As palavras dele não eram nem um pouco rebuscadas ou difíceis. Era algo simples, singelo e até trivial.
Mas só naquele momento Virginia se dou conta de que em nenhum momento após a morte do seu avô foi abraçada.
Ninguém disse palavras gentis a ela.
Não daquele jeito que ele fez.
— Obrigada. -Encostando o rosto na camisa polo dele, deixou uma lágrima silenciosa rolar.
— Sei que não vai ficar tudo bem. -Massageou suas costas. — Foi uma perda irreparável, mas guarde tudo o que ele foi em seu coração e mesmo que ele tenha falecido, permanecerá em você.
Virginia queria poder responder, mas com a garganta embargada e o coração apertado, ficava muito difícil.
Enquanto todos estavam ocupados tratando da herança e do absurdo que foi ele ter deixado algumas cláusulas específicas no testamento, ninguém de fato se sentou para conversar, lembrar ou dizer palavras bonitas sobre como ele faria falta.
Tony fez.
Mesmo odiando Thomas e não acreditando em nenhumas das palavras bonitas que dissera como resiliente, compreensivo, humilde, que sabia ouvir, sabia ser justo, sabia compreender situações, mesmo quando desafiavam o que ele acreditava, ele disse, pois sabia o quanto aquilo significava para ela, o quanto ela precisava ouvir aquelas palavras.
E o que a loira mais odiava nele era que não podia levar isso a sério, pois poderia ser apenas mentira, joguete para pagar de bom moço e lhe enganar mais uma vez.
Suspirando, se livrou dos seus braços.
Quando olhou para cima, com os olhos brilhando e as lágrimas ainda caindo, viu um sorriso sincero no rosto dele. O mesmo sorriso sincero quando se viram pela primeira vez.
Sua cabeça dizia que era um erro. Mas o seu coração dizia: por favor, faça isso.
Definitivamente, era muito com o que lidar e ela não estava pronta.
Sendo assim, apenas indicou para onde as garotas deveriam estar e ficou aliviada quando o viu se afastar sem fazer novos comentários.
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Come Back... Be Here
FanfictionOnde Tony e Pepper se reencontram 16 anos depois devido a um plano que envolve uma herança bilionária e um casamento de mentirinha.
