3.2 - O mito de Pigmalião

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— Não moro na Park.

— Madison?

— Não.

— Lex?

Tony ficou em silêncio e ela abriu um sorriso orgulhoso. Ela também havia feito sua pesquisa e sabia que a família dele tinha dinheiro antigo. Antigo mesmo. Por isso, ele só poderia morar em ruas bem específicas.

— E o roteiro?

— Não vai me convidar para entrar?

— Você só tem 2 minutos. Não vai ser necessário.

— Pepper...

— 1:59, 1:58...

Ótimo. -Suspirou. — Podemos usar o mito de Pigmalião.

— Estou ouvindo...

— Pigmalião é um escultor que, por algum motivo que não lembro, não está se dando bem com as mulheres no momento... Bom, embora ele não tenha nada com mulheres de carne e osso por um tempo, está aberto à ideia de criar a estátua de uma mulher. E, aparentemente, Pigmalião é muito bom no que faz, porque a estátua é linda e o cara se apaixona por ela. Aí blá-blá-blá, uma deusa ou coisa do tipo concede um desejo a ele, e a estátua ganha vida.

— O que esse cara da antiguidade que se apaixona por uma pedra tem a ver com nosso trabalho? -Pergunta, não que ela não conhecesse o mito, mas porque ele estava tão empolgado falando que queria ver um pouco mais.

— Acho que a estátua era de marfim, não pedra...

— Anthony...

— Tá. Então... Pigmalião não se restringe ao mito. Sua história é usada em poemas e quadros por séculos. A versão mais notória é a da peça de George Bernard Shaw que foi transformada em filme e depois inspirou uma série de outros longas baseados em homens se apaixonando pelas mulheres que criaram.

— Então tem um monte de filmes sobre homens que criaram uma estátua feminina de pedra, digo, de marfim, e se apaixonaram por ela?

— Não, essa é a beleza dos filmes. Estamos falando de releituras. A mais clássica é Minha bela dama, claro, mas tem outros exemplos, como Uma linda mulher, Ela é demais... Todos filmes em que um cara veste uma mulher como alguém que ela não é de modo a ganhar uma aposta ou por alguma obrigação social. Você sabe. Uma farsa.

— Tudo o que temos que fazer é transcrever esse seu breve monólogo sobre como o mito de Pigmalião permeia Hollywood e fazer nossa própria versão da coisa?

— Exatamente.

— Okay, estou dentro. E qual vai ser nossa abordagem da história?

— Bom, como fiz a maior parte do trabalho até agora, é hora de colocar sua linda cabecinha ruiva para pensar. A trama do nosso roteiro vai ser a sua contribuição.

Come Back... Be HereOnde histórias criam vida. Descubra agora