O plano deveria ser simples. Em vez disso, parecia ser mais complicado que qualquer relacionamento real em que eles já estiveram.
Era como se...
Uma lâmpada se acendeu. Era isso.
— Os personagens têm que se apaixonar.
O moreno parou de mexer no relógio na hora, congelando. — Oi?
— Oliver e Violetta. -Respondeu, nomeando os personagens do roteiro. — Está tudo fácil demais até agora. Eles precisam começar a se apaixonar. Ou pelo menos um deles.
Tony respirou fundo e a encarou, como se tivesse conseguindo enxergar além da sua alma. — E isso vai gerar conflito?
— Claro. Vamos fingir que é a vida real. Se nós dois nos apaixonássemos teríamos conflito? -Questionou sem pensar, se dando conta do quanto mais havia em suas palavras.
O silêncio que se fez entre eles foi quase doloroso, ainda que não soubesse bem o motivo. Quer dizer, já haviam visto inúmeros filmes sobre a temática. Conheciam o mito de Pigmalião.
Sabiam desde o começo que aquilo precisaria acontecer no roteiro.
Mas também sabiam que estavam evitando usar emoções reais nele pelo mesmo motivo.
Estava ficando cada vez mais difícil distinguir entre Oliver-Violetta e Anthony-Virginia.
O roteiro deveria ser baseado na vida real, mas talvez estivessem morrendo de medo de que o inverso acontecesse. Que colocar amor no texto fosse afetar a vida real. E isso não fazia nem um pouco parte do objetivo deles.
— Tá, entendi. -Ele disse devagar. — Então, Oliver e Violetta... precisa mesmo ser esses nomes? São parecidos, com os 'v'...
— Pode mudar o nome como quiser. -Pepper murmurou, enquanto começava a anotar algumas ideias no caderno. Tentou ignorá-lo enquanto desfiava uma lista de nomes alternativos para os personagens, mas o cortou na hora quando sugeriu Woody e Ursula.
— Que tal assim? -Perguntou, batendo animada com a caneta sobre a mesa. — Até agora, eles estão fazendo as mesmas coisas que a gente na vida real... E um pensa a mesma coisa que o outro. Precisamos mudar isso. Para que um deles faça o outro perder o chão.
Tony bocejou. — Posso te dizer agora mesmo que nenhum cara veria esse filme a menos que tivesse catorze anos e precisasse que a mãe o levasse até o cinema para tentar segurar a mão da menina de quem gosta.
— Adoro esses vislumbres da sua infância, mas acho que é seguro dizer que não estamos mirando no público masculino. -A ruiva olhou para ele com toda a sua paciência. — Estamos pensando em garotas recém-saídas da adolescência.
Ele se iluminou e fez menção de levantar. — Parece bem o seu território. E se você cuidasse disso enquanto vou pegar uns sanduíches pra gente?
Apontando a caneta para o peito dele o ameaçou. — Senta. Fica aí. Não vou fazer isso sozinha.
O moreno se jogou na cadeira, relutante. — Tá. Então vamos lá. Como desestabilizamos nossos personagens?
Que tal se um deles carregasse o outro pelo Central Park sob a luz das estrelas? Ou se uma dança inofensiva ficasse surpreendentemente quente? Ou você pensou em algo diferente? —Quis perguntar.
Mas, embora ambos incidentes tenham de fato acontecido, estava ficando cada vez mais claro para Pepper que não tiveram importância. Ou pelo menos não para Tony.
Porque, bem quando começou a desconfiar de que algo poderia estar acontecendo, algo além de uma farsa, ele voltou a agir como antes. Como o colega provocador e indiferente.
O que era perfeito para a vida real. Mas também o motivo pelo qual o filme deles não estava funcionando.
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Come Back... Be Here
FanfictionOnde Tony e Pepper se reencontram 16 anos depois devido a um plano que envolve uma herança bilionária e um casamento de mentirinha.
