33.0 - Desculpa doentia e sem sentido

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Dias Atuais

Pepper acordou no dia seguinte já perto das 13 horas da tarde. Sentia-se exausta, com a cabeça latejando e os olhos ardendo, sequelas das horas de choro e da turbulência emocional que a haviam consumido. Esticou o braço em direção ao lado oposto do que ocupava no colchão, mas não encontrou Tony. A ausência dele no quarto a deixou ainda mais inquieta.

Levantou com dificuldade, sentindo seu corpo pesado e dolorido. Um banho gelado parecia uma necessidade urgente para limpar a sensação de opressão que a envolvia. Enquanto a água fria escorria sobre sua pele, ela tentou afastar da mente as mentiras e traições que envolviam seu avô, ao menos por um momento.

Após o banho, a ruiva vasculhou a casa à procura do moreno, mas ele não estava em lugar algum. Foi então que checou seu celular e viu uma mensagem dele dizendo que precisou resolver algumas coisas, mas que estaria de volta em breve para conversarem.

Aquilo lhe deu uma sensação de vazio. Contudo, uma ideia começou a se formar em sua mente. Se ele podia resolver coisas, talvez fosse a hora de ela também fazer isso, de cuidar de si mesma. Não importava se seus assuntos fossem bem distintos. Ela sabia que estava na hora de assumir o controle sobre sua vida.

Pepper sabia que, além de Tony, havia outra pessoa com quem precisava conversar. William. Ela precisava descobrir por que ele nunca lhe contara sobre a armação de Thomas, por que ele permitira que ela ficasse na sombra de uma mentira que agora se desdobrava de maneira tão cruel. Decidiu que era hora de confrontá-lo, de buscar respostas para as perguntas que a assombravam.

Com uma determinação firme, a mulher se vestiu e saiu de casa. Ela sabia que enfrentar o amigo, embora tivesse dificuldade para definir se essa palavra era ideal, seria uma tarefa difícil, mas era um passo que precisava dar em direção à verdade e à cura. Era a hora de confrontar seu passado e, quem sabe, construir um futuro mais honesto e autêntico. Ela merecia ter isso com Tony, eles mereciam recuperar o tempo que havia sido roubado deles.

A mulher dirigiu pela cidade com o mesmo desespero que sentira no dia anterior, mas se esforçou ao máximo para se manter sã, chegando no escritório de William com uma determinação inabalável. Aquele era uma sala que lhe era familiar, mas naquele momento, parecia um território repleto de traições e segredos há muito ocultados. A secretária, já acostumada com sua presença frequente, não fez qualquer menção de que estava ali. Pepper avançou, batendo a porta atrás de si.

O homem estava sentado atrás de sua imponente mesa de mogno, concentrado em alguns documentos. Ele olhou surpreso quando Pepper entrou, mas a surpresa em seu rosto rapidamente deu lugar a uma expressão tensa.

— Gin. -Ele murmurou, sem qualquer calor em sua voz. — O que a traz aqui?

Pepper não perdeu tempo com formalidades. Sua raiva e frustração borbulhavam. — Você sabe muito bem por que estou aqui, William.

Ele suspirou, fechando a pasta que tinha em mãos. — Sei que você está chateada, mas não é o momento para isso. -Ele realmente sabia o que havia a levado até ali.

Pepper avançou em direção à mesa dele, com os olhos brilhando de indignação. — Não é o momento? William, você sabia que o vovô armou para eu não ficar com Tony. Você sabia e não me disse nada! Eu confiei em você! Você secou minhas lágrimas, você estava disposto a se casar comigo!

William a olhou nos olhos, seus próprios olhos frios e calculistas. — E como você descobriu isso?

Ela cruzou os braços, nervosa, tremendo de raiva. Ele só podia estra brincando, só podia ser isso, alguma piada de muito mal gosto. — Isso não importa. O que importa é que você sabia, e nunca me disse. Eu confiava em você, e você mentiu para mim por todos esses anos. 

Ele suspirou novamente, tentando manter a calma. — Gin, você precisa entender que eu estava tentando protegê-la.

— Proteger? Me proteger de quê? -Pepper exclamou, sua voz elevando-se de raiva. — Você me fez viver na sombra de uma mentira, William! Você me fez acreditar que Tony era um traidor, que ele tinha me abandonado, quando na verdade ele era a vítima dessa farsa!

William ergueu uma sobrancelha, como se estivesse prestes a revelar algo que achava crucial. — Gin, o que você acha que aconteceria se eu tivesse lhe contado a verdade? Se eu tivesse lhe dito que seu avô era um vigarista que tramou para que você não ficasse com Tony?

Ela não estava disposta a aceitar esse raciocínio deturpado, como se ela realmente fosse uma donzela que estava vivendo à perigo do temido vilão Stark. — Eu teria o direito de saber a verdade, William. Eu teria o direito de tomar minhas próprias decisões, de escolher o meu caminho. Em vez disso, você decidiu por mim, e eu sofri por isso. Todos vocês! Todos.

A tensão na sala era palpável, e a expressão de William se tornava mais fechada a cada segundo. Ele estava claramente desconfortável com a direção da conversa.

— Gin, você não entende. Thomas, seu avô, tinha influência em lugares onde seria perigoso para você se ele revelasse as ações dele. Ele tinha muito poder, e eu estava tentando protegê-la disso.

Que tipo de desculpa doentia e sem sentido era aquela? — Proteger? Você está me dizendo que preferiu me deixar viver uma mentira, em vez de me contar a verdade, para proteger o nome da nossa família? Isso não é proteção, William, isso é traição. -Suspirou. — Você sabia disso, você se dizia meu amigo e não me disse nada. Você foi só mais um nessa armação nojenta.

William olhou para a mesa, seu olhar pesaroso. — Eu sei que errei, Gin. Eu só queria o melhor para você.

— O melhor para mim teria sido saber a verdade, ter a chance de tomar minhas próprias decisões, mesmo que fossem difíceis. Você tirou isso de mim, William. E eu nunca vou conseguir perdoar você por isso.

A raiva em seu peito transbordava, e as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Ela não conseguia mais conter as emoções que a consumiam.

William a olhou, sua expressão misturando-se com pesar e frustração. — Gin, eu sei que você está magoada. Mas eu fiz o que achei ser melhor para você.

Pepper secou as bochechas, suas mãos tremendo. — Você nunca deveria ter decidido isso por mim, William. Nunca deveria ter me privado da verdade. Eu merecia saber a verdade, não importa quão feia fosse.

— Pepper, eu sei que você está chateada. E, talvez, com o tempo, você possa entender por que eu fiz o que fiz.

Ela olhou para ele com desdém. — Entender? Eu não vou entender, William. Não vou aceitar que você me roubou a verdade e me fez sofrer em nome de seus segredos. E sim, seus, porque meu avô pode ter tramado todo esse inferno com o Howard, mas você foi cumplice. Você escolheu fingir que não sabia de nada. Você escolheu me usar.

— Eu fiz o que fiz porque eu amo você.

— Não, você não me ama. A gente não destrói quem ama.

A discussão continuou, os dois lançando palavras carregadas de emoção e ressentimento. Pepper estava determinada a confrontar William, a fazer com que ele entendesse a profundidade de sua traição. E o homem, por sua vez, tentava justificar suas ações, embora soubesse que a mágoa da ruiva era compreensível. Mas o que podia fazer se ele só queria tê-la para si?

Longos minutos se passaram, e a briga intensa estava longe de encontrar uma resolução. As palavras continuavam a voar entre eles, e a ferida causada por anos de mentiras e enganos estava agora completamente exposta. Nesse turbilhão de emoções e argumentos, Pepper percebeu que a verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho para a cura. E ela não estava disposta a aceitar nada menos do que a verdade completa.

Come Back... Be HereOnde histórias criam vida. Descubra agora