Kristhen Zillord
Deixei o Reed no refeitório quando o nome da minha mãe apareceu na tela. O colégio estava lotado, cada canto tomado por risadas, gritos e passos apressados. Não havia nenhum lugar realmente calmo — exceto a área da piscina. Sabia que eu não deveria estar ali, mas era só uma ligação. Rápida. Direta. Sem testemunhas.
Atendo.
— Oi?
— Hoje recebi uma ligação do Vinceti — disse minha mãe, sem rodeios.
— O pai do Reed?
— E quem mais seria? — ela suspira com raiva, como se a pergunta fosse uma ofensa — Ele disse que espera só até o fim do mês. Se não encontrarmos a pedra até lá, ele mesmo vai vir buscar o garoto. Essa merda saiu do controle, Kristhen! Eu disse que o certo teria sido matar aquele pirralho!
— Ainda não. Ninguém morre. Não ainda. A gente tem tempo, e vamos voltar pra mansão hoje mesmo. Lá, eu vou conseguir a pedra. Reed tá começando a lembrar rápido, e eu sei que o velho Vinceti não vai se mover antes do prazo. Eu controlo o Reed... e eu controlo o tempo.
— Agilize. Se perdermos essa pedra, você terá sua punição. Levamos ANOS para rastrear esse artefato, Kristhen. Ele pertence à nossa família. Eu quero aquela pedra de volta, nem que eu tenha que queimar o mundo inteiro por ela.
— Relaxa. Eu não vou falhar. Meu plano está funcionando, e você sabe disso. Ninguém vai interferir. Ninguém.
— Estou no limite. A cada segundo, sinto a pedra me chamar.
— E é por isso que eu vou trazê-la pra você. Inteira. Intacta. Mas só se seguir o plano. E por enquanto, Reed vive.
Enquanto ela dizia algo do outro lado, o som de uma maçaneta se movendo desviou minha atenção. Trinquei os dentes. O eco suave da porta da piscina soou mais alto que a própria ligação. Girei os olhos lentamente em direção ao ruído, mas não vi ninguém. Mesmo assim... senti. Tinha alguém ali. E ouviu tudo.
— Eu preciso ir — falei seca. — O intervalo acabou.
— Certo.
Desliguei, guardei o celular no bolso e caminhei em direção à saída... mas não a atravessei. Meus olhos varreram o lado escuro do corredor lateral. Um canto abafado, entre armários e paredes úmidas. Um esconderijo barato.
— Venha aqui — ordenei, sem elevar a voz.
Esperei. E então ouvi. Passos hesitantes. Lentos. O som abafado do tênis roçando no chão encerado. E, entre a penumbra, cabelos ruivos surgiram, bagunçados pela ansiedade. Era Samy.
— O que você ouviu? — perguntei, trancando a porta atrás de nós com um estalo metálico.
Ela não respondeu.
— Vou deduzir que foi o suficiente — murmurei, avançando um passo.
O terror floresceu em seu rosto, e ela disparou. Mas não foi rápida o bastante. Enfiei os dedos nos cabelos dela, puxando com força. Seu corpo parou no tranco.
— Odeio gente assim, Samy — rosnei entre os dentes cerrados. — Que se mete onde não deve. Que escuta o que não é pra escutar. O que você acha que vai acontecer agora?
— Me solta! SOCORRO! — ela gritou, a voz se esganiçando.
— Você acha mesmo que alguém vai ouvir? — puxei-a com brutalidade em direção à piscina — Isso aqui é o lugar mais morto desse colégio. E foi por isso que vim pra cá. Sabia que seria útil.
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Kristhen
Storie d'amoreReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
