Capítulo 62- O Eco do Silêncio

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Kristhen Zillord

Deixei o Reed no refeitório quando o nome da minha mãe apareceu na tela. O colégio estava lotado, cada canto tomado por risadas, gritos e passos apressados. Não havia nenhum lugar realmente calmo — exceto a área da piscina. Sabia que eu não deveria estar ali, mas era só uma ligação. Rápida. Direta. Sem testemunhas.

Atendo.

— Oi?

— Hoje recebi uma ligação do Vinceti — disse minha mãe, sem rodeios.

— O pai do Reed?

— E quem mais seria? — ela suspira com raiva, como se a pergunta fosse uma ofensa — Ele disse que espera só até o fim do mês. Se não encontrarmos a pedra até lá, ele mesmo vai vir buscar o garoto. Essa merda saiu do controle, Kristhen! Eu disse que o certo teria sido matar aquele pirralho!

— Ainda não. Ninguém morre. Não ainda. A gente tem tempo, e vamos voltar pra mansão hoje mesmo. Lá, eu vou conseguir a pedra. Reed tá começando a lembrar rápido, e eu sei que o velho Vinceti não vai se mover antes do prazo. Eu controlo o Reed... e eu controlo o tempo.

— Agilize. Se perdermos essa pedra, você terá sua punição. Levamos ANOS para rastrear esse artefato, Kristhen. Ele pertence à nossa família. Eu quero aquela pedra de volta, nem que eu tenha que queimar o mundo inteiro por ela.

— Relaxa. Eu não vou falhar. Meu plano está funcionando, e você sabe disso. Ninguém vai interferir. Ninguém.

— Estou no limite. A cada segundo, sinto a pedra me chamar.

— E é por isso que eu vou trazê-la pra você. Inteira. Intacta. Mas só se seguir o plano. E por enquanto, Reed vive.

Enquanto ela dizia algo do outro lado, o som de uma maçaneta se movendo desviou minha atenção. Trinquei os dentes. O eco suave da porta da piscina soou mais alto que a própria ligação. Girei os olhos lentamente em direção ao ruído, mas não vi ninguém. Mesmo assim... senti. Tinha alguém ali. E ouviu tudo.

— Eu preciso ir — falei seca. — O intervalo acabou.

— Certo.

Desliguei, guardei o celular no bolso e caminhei em direção à saída... mas não a atravessei. Meus olhos varreram o lado escuro do corredor lateral. Um canto abafado, entre armários e paredes úmidas. Um esconderijo barato.

— Venha aqui — ordenei, sem elevar a voz.

Esperei. E então ouvi. Passos hesitantes. Lentos. O som abafado do tênis roçando no chão encerado. E, entre a penumbra, cabelos ruivos surgiram, bagunçados pela ansiedade. Era Samy.

— O que você ouviu? — perguntei, trancando a porta atrás de nós com um estalo metálico.

Ela não respondeu.

— Vou deduzir que foi o suficiente — murmurei, avançando um passo.

O terror floresceu em seu rosto, e ela disparou. Mas não foi rápida o bastante. Enfiei os dedos nos cabelos dela, puxando com força. Seu corpo parou no tranco.

— Odeio gente assim, Samy — rosnei entre os dentes cerrados. — Que se mete onde não deve. Que escuta o que não é pra escutar. O que você acha que vai acontecer agora?

— Me solta! SOCORRO! — ela gritou, a voz se esganiçando.

— Você acha mesmo que alguém vai ouvir? — puxei-a com brutalidade em direção à piscina — Isso aqui é o lugar mais morto desse colégio. E foi por isso que vim pra cá. Sabia que seria útil.

KristhenOnde histórias criam vida. Descubra agora