capítulo um

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"Melhor ser temido do que ser amado, pois os homens ofendem mais aqueles a quem amam do que aqueles que temem."
— Nicolau Maquiavel.

" — Nicolau Maquiavel

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Rocinha, 15H30

Guzman: Tu sabe que se meu filho morrer ou eu rodar, tu tá fodido, não é? - Levantei meu olhar por cima do ombro, escutando a voz grossa e alta do homem atrás de mim. Sorrio debochado com seu sarcasmo, ao encarar ele que estava tentando me usar como escudo no meio das rajadas e traçantes que provavelmente estariam marcando o céu a essa hora. A fala dele era carregada por soberba e autoridade, como se, por algum motivo, eu realmente fosse proteger eles por causa de um acordo que nem fui eu quem fiz.- Nosso acordo só vai pra frente se o Branco e eu sairmos daqui vivos.

Escutei mais uma rajada acoando pelo morro da Rocinha, mais especificamente dentro de um puteiro de 50m2 que chamam de boate, coberto por uma luz neon vermelha forte que pisca sem parar, barras verticais espalhadas pelo ambiente e sangue escorrendo pelo chão que anteriormente era preto. O estrondo foi alto pra caralho, fazendo com que geral ficasse em alerta e alguns fugisse, como fez algumas mulheres e uns moleques que trabalham por aqui.

Guzman é rico e tem uns contatos foda por todo exterior, dono de alguns bagulho por aí, mas ele acha que isso é o suficiente pra manter a postura dele de malvadão falido. O fato dele ter poder não significa que tudo está conspirando a favor dos seus esquemas, que tudo vai de encontro com a vidinha de merda dele e do próprio filho. Dentro de um mundo onde existem tantos fodas, sempre tem um maior que você, não importa quem seja. Um mais maluco, alucinado, outro mais foda e por aí vai.

Ameaça é um bagulho que aciona alguns gatilhos em mim e, por mais poderoso que esse merdinha seja, ele não vai querer mexer comigo ou me ver puto. Se estamos no meio de uma guerra, com certeza ele foi toda a causa disso, o fodão recusou toda segurança possível porque se acha o brabo, sendo que pra inimigo qualquer merda ainda é merda. Cuzão!

E nada sai da minha mente que esse fodido tentou fazer uma armadilha pro Rei, era pra ele estar aqui, não eu. Bagulho aconteceu do nada, eles sempre fizeram uma reunião pelos lugares e, na maioria das vezes, nenhum dos dois sabiam o lugar antes de duas horas. Eu tô ligado que ele foi o único que fez merda e deu a planta toda de onde iria ser, mas quero saber o motivo e vou até o inferno pra fazer ele falar.

Fernández: Eu bato de frente com uns que tão ali, tem uns três, mais ou menos isso - Falou alto, apontando com seu fuzil T4 para esquerda, perto de uma porta vermelha forte, exibindo nela um palhaço sorrindo com um chapéu de palha. Neguei com a cabeça, me desvencilhando do Guzman que queria se apoiar em mim, vendo seu olhar de puto analisando todo meu rosto. Vai achando que é o próprio terror pra cima de mim e eu vou aguentando porque ainda tô dependendo disso até o momento.

Vim pra trás do balcão e esses filhos da puta me seguiram, deve achar mesmo que eu vou proteger eles de alguma forma. Entrei nos esquemas do Rei e do Rd por pura pressão deles dois, veio falando meias palavras como se fosse grande coisa, me implorando e tudo por isso, só por um dia. Mas os dois sabem que eu não aguento ameaça de ninguém, muito menos marmanjo querendo se crescer pra mim.

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