Sofia
Tô me sentindo a mais gostosa desse baile todinho e tenho certeza que realmente sou, se não estivesse, não seria eu. Incrível o fato de eu ser toda princesa Soso no meio de tanta putaria e mulheres se esfregando em fuzil de bandido. Entendo que a maioria são gostosos, quase nada irresistíveis, mas são. E eu sou uma grande apreciadora de vários deles, e muitos sabem disso, outros prefiro esconder pro bem da minha saúde mental. Tipo o Talibã. Em casos extremos eu diria que ele é gostoso, fora isso, fora de cogitação. Só que eu sei que alguma hora vou acabar soltando isso, minha boca ela fala mais do que beija. Difícil ser diva hoje em dia, sabe?
China: Não solta minha mão. Algum chefe vai passar aqui - Balancei a cabeça sem ao menos enxergar ele atrás de mim, mas o quente do seu corpo me dá a resposta de que ele tá quase me pegando no colo e me levando pra lá desse jeito. Eu sorri pelo fofo cuidado que ele sempre tem comigo em qualquer ambiente. Fiz uma careta quando ele apertou firme a minha mão, escutei uns comentários, e tentei ficar na ponta do pé pra conseguir ver o que tá acontecendo lá na frente, mas só enxerguei gente doida quase do meu lado.- Quem foi que passou?
Perguntei alto, emburrada. Eu queria muito ser alta, não que ter uma altura média seja ruim pra mim, mas muitas mulheres altas exalam poder e pura sensualidade só em andar e olhar alguém. Eu queria muito ser assim. Mas tô feliz com o que tenho. Bom, na real, eu sempre fui distante do mundo feminino, principalmente quando pequena, o que fazia grande parte de alguns traços da minha personalidade se desenvolvendo aos poucos. Eu queria crescer igual meu melhor amigo de infância, Bryan, queria ser do tamanho dele, mas aquele idiota vivia me provocando por eu ser menor. E depois dele veio o Guilherme, outro alto, aí decidi que eu iria continuar desse tamanho no meio de outros garotos grandes.
China: Não vi direito.- Revirei os olhos. Ele me chama de cega, o que é engraçado, um tico engraçado, porque ele consegue ser muito pior que eu. Literalmente tem a altura ao próprio favor e não enxerga mesmo com uma distância considerável. Mas apesar de todas as humilhações que esse chato me faz passar sempre que pode, eu ainda amo meu cego favorito.- Eu vi o Sanchez, ele tava com alguém do lado. Esse outro aí que tava com ele eu não vi mermo, e se vi foi miragem.
Eu nem sei quem é Sanchez, e se sei, agora entendo o motivo desse nome ou vulgo ser levemente familiar. Onde é que esse doido é chefe de alguma coisa? Só se for o outro do lado dele.
Prendi o riso, doida pra zoar ele da mesma forma que sempre me zoa. O som quase explodindo meus tímpanos com a música alta de funk tá induzindo meu corpo a fazer coisas que no momento não tô podendo e por motivos óbvios. Dançar. Quem diria que hoje eu tô como o Daniel disse: só o pó. Eu tô mesmo, mas minha intenção é curtir um pouco do que essa noite tem a me oferecer e espero que seja muita coisa. Eu amo sair de casa, principalmente quando tem um entretenimento de verdade. O mais legal é que, na maioria das vezes, eu que provoco esses acontecimentos, não aguento ficar muito tempo parada e vou fazer merda pra um dia ter história e lições pra contar aos meus futuros e lindos filhos.
O meu pretinho Guilherme tá com a mão na minha cintura, me guiando pra passar perto de cada pessoa dançando. Sendo que uma coisa tá estranho e eu tenho mais do que certeza do que estou falando. O Gui tá um pouco tenso, parece nervoso. Acho que uns oito anos de amizade nos proporciona um dom de ler o corpo da pessoa de todos os jeitos. Feliz, triste, nervoso... Conheço cada uma das versões dele, apesar de ser um pouco distraída no meu mundo, eu consigo observar bem, principalmente quando tô interessada. Eu fico muito focada quando quero alguma coisa, um dos meus maiores traços. E eu gosto disso.
Quando subi o primeiro degrau da escada do camarote, senti a mão do Guilherme um pouco mais quente do que o normal. Ele apertou minha cintura, confirmando o fato de que eu pensei que tem alguma coisa de errado acontecendo. Olhei pra trás, vendo ele olhando em outra direção, até que olhei diretamente pro mesmo lugar que ele, um pouco curiosa e tentando entender por qual motivo ele parece nervoso. Se um dia eu infartar, que o Jesus Cristinho lá em cima não me ouça mesmo, provavelmente um dos motivos seria o China.
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Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
