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Sofia

Deitei minha cabeça sobre o peito do RD, sentindo sua respiração calma tomar conta de toda minha audição. Ele beijou a lateral do meu rosto e, como sempre, fiz questão de inalar bem o perfume gostoso desse homem só pra nunca mais esquecer. Bem que ele poderia me dar todos os perfumes iguais ao dele só de presente, pra lembrar dele sempre.

RD: Fala tu, minha princesona Sofia - Eu sorri de lado, vendo ele piscar pra mim. Rei negou com a cabeça olhando pra nós dois e tenho certeza que ele queria chamar o RD de viado como sempre faz, mas ignorou, indo em direção ao Talibã que parecia menos contente ainda ao ver esse velho aqui.- Tá sumida pra caralho, porra!

Sofia: Esse rei do inferno me proibiu de chegar perto - Apontei com a cabeça pro Rei que tava distraído com alguma coisa e o RD riu. Cruzei os braços pronta pra fazer meu drama e senti uma vontade forte de tossir, o garoto tava passando com vários saquinho de pó e minha mente deu um pane.- Aqui é mais poluído que Chernobyl, credo. Pó e suor não faz uma dupla boa não, só homem fedorento.

RD: Eu sou cheirosão, fia - Arqueei a sobrancelha sentindo ele puxar minha cabeça e enfiar no pescoço dele, abri o maior olhão e, sério, quem disse que isso não foi um pedido de namoro? - Sentiu o poder do preto, né?

Sofia: Por que você é assim, RD? - Soltei uma risada, cruzando os braços, olhando pra cara dele que soltou um sorriso. Rei tava olhando pra gente de novo e eu dei dedo pra ele, vendo sua expressão mudar pra uma de dúvida e eu tampei meu dedo na hora, dando um sorriso falso pra ele não arrancar minha mão de uma vez só.- Foi você que deu a missão de um mês pro China? Por favor, não deixa ele ir...

RD: Pô, princesona, foi eu não - RD coçou o pescoço e eu revirei os olhos. Foi sim esse corno do Rei, tenho certeza, ele ainda tava mudando de assunto quando falei sobre.- O que rolou com ele?

Sofia: Com quem eu vou ficar um mês? Como eu vivo sem o meu melhor amigo? - Falei em total drama e ele fez uma cara de poucos amigos.- É sério! Ele é a única pessoa que eu tenho. Aliás, pra onde é essa missão aí? Esse chifrudo do Rei que tá de palhaçada comigo.

RD: Vai ficar comigo, aquelas coisas - Fiz cara feia sentindo ele me puxar de leve e passar a mão por cima do meu ombro.- Pô, nem sei... A missão que tem pro mês que vem é pro Paraguai, nesse papo aí mermo.

Sofia: Paraguai? - Perguntei indignada e o RD sorriu, senti ele puxando meu corpo até perto do Rei e do Talibã, respirando fundo, tô sem esperanças já, acabou pra nós.- Tá, tá. E essa missão é menos arriscada das que tem por aqui?

RD: Importação de drogas, coisas básicas, minha amorzão. Tá preocupada por que? - Abri o maior olhão querendo avançar nesse homem lindo e ele sorriu inocente.- É mais suave do que aqui no Brasil, papo reto.

Sofia: Claro que é! Imagine se fosse perigosa - Resmunguei sentando em um banco que tinha por ali, encostando minha cabeça na parede atrás de mim, enquanto pensava por uns dois minutos com o RD do meu lado, quietinho mexendo no celular e o Rei falando alguma coisa com o Talibã.

Rei: Porra, você seria o melhor linha de frente que teria aqui no morro e tá negando o bagulho que eu tô te dando?! - Perguntou em um tom normal até demais pra ser uma frase vindo dele e o Talibã apenas balançou a cabeça. Primeira vez que vejo ele falar ou fazer alguma coisa que não seja carregada de ignorância. Quem pode, pode mesmo, eu que não posso e vou continuar não podendo.

Talibã: E tu acha que eu vou morrer pela mesma ambição que vocês tem? - Rebateu com o tom calmissimo jamais visto por mim nesse mundo. Nem parecia o mesmo Talibã que me respondeu as coisas, com ele é diferente. Eu nunca soube exatamente o que eles são, se de fato eles são algo. E eu queria tanto perguntar, mas...- Não vou mesmo.

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