Talibã
Odeio mentiras. Odeio pra caralho. Mas não tô mentindo pra ela, eu só quero ao menos tentar entender o que ela sente ou pensa sobre isso, pra depois contar que eu matei o pai dela e que éramos melhores amigos na nossa infância. E eu sou sincero em um nível que talvez ela não entenda, nem eu entendo porque faz parte do meu jeito, só sou tudo isso aqui que ela tá vendo.
Vivi em um mundo de mentiras e hoje em dia as verdades que eu carrego talvez seja algo ruim pra ela. E eu não me importo com isso, se me perguntar, quer escutar toda a verdade que estou disposto a contar, mas se não quiser, nem abre a boca. O Sanchez tá acostumado com o meu jeito, Rd e Rei também, mas ela não sabe a metade do que sou e, de alguma forma, pode assustar a garota. Ver o quanto eu mudei. Não sou mais o mesmo moleque que a Lila viu lá atrás, que ela conheceu, a mesma garota que eu nutri um sentimento bom, mesmo que tenha ido embora depois.
E falar pra ela sobre isso é a mesma coisa que pedir pra segurar um fardo que não é meu, porque ela vai cobrar que eu tenha os mesmos comportamentos que eu tinha antes de me mudar. Eu não sou mais a mesma pessoa.
Sou leal ao que prometo e às pessoas que tenho a minha volta. E quando eu falei que iria proteger a Lila de tudo que estivesse ao meu alcance, não tava brincando nem de longe. Porque eu sou melhor em matar do que falar qualquer coisa que envolva algo sentimental, porque eu não quero dizer que me sinto culpado pra caralho por ter feito ela esperar e muito menos por ela ter sido estuprada por me esperar. Eu não sinto nada além de prazer quando tô matando alguém, mas com a Lila era diferente. Eu sentia de uma forma exagerada até pra mim, e ela sentia na mesma intensidade que eu. E falar de exagero sobre a Lila era o mínimo pra ela, nunca vi uma pessoa tão intensa igual a essa garota.
E livrar ela do Rogério é a mesma coisa que afastar a garota de tudo que faz ela mal, eu devo isso a ela depois de tudo, depois de ter ido embora, depois de ter magoado a garota mesmo sem querer. E quando falo que minha mente é fodida, é sobre o fato de estar dentro de um lugar fechado me incomodar tanto, sobre meus pensamentos irem além do que imagino, sobre sempre estar em alerta com tudo. Porque minha cabeça é um prêmio pra muitos, tem vários por aí querendo vingança, me taxando de monstro e os caralhos por matar quem merece ser morto pelas minhas mãos, mas estão doidinhos pra colocar a mão em mim e sentir o mesmo prazer que sinto ao matar alguém. Hipócritas.
O barulho de pessoas falando, máquinas, choros e gritos também me incomoda. Em uma sala branca e arrumada de 9,00m2, a máquina que está medindo os batimentos cardíacos da garota a minha frente sobe na mesma hora que admito que mataria o filho da puta por ela, não iria mentir. Fiz mermo e faria mil vezes, só pra ver a mesma dor nos olhos dele, escutar os mesmos sons de dor, sons de morte na frente dos meus olhos, e ter o imenso prazer de cortar várias partes do corpo dele. As escolhas dele o fizeram encarar a morte e chegar onde chegou, sorte dele que foi o ponto final, o último ato desse verme.
Ela me encarou por alguns segundos, ainda com a máquina fazendo um barulho alto, o único som que ecoa pela sala. Ela desviou o olhar de mim, evitando o contato visual, mas eu neguei, passando a mão no rosto. A garota parece incomodada por estar me olhando e por eu estar olhando pra ela, o que é estranho pra caralho. Normalmente ela fala pra caralho, mas tem vezes que o silêncio mantém entre nós dois e olhar fala por si só. Deixar ela sem palavras é como ganhar alguma competição, porque, papo reto, ela fala muito.
Talibã: Para de ficar nervosa, isso faz um barulho chato e alto pra caralho.- Falei alto, atraindo o olhar dela pra mim. Sofia sorriu de lado, realçando o olhar dela que já são pequenos, mas se tornou menor. Soltei o ar pelos lábios, pensando em várias coisas ao mesmo tempo, porque inevitavelmente a minha mente fica assim quando tô tão perto dela. Eu desligo meus pensamentos quando saio de casa, mas ela provoca a porra de um terremoto de pensamentos em mim, mesmo que tenha barreiras montada contra qualquer tipo de sentimento além do que sinto pelo RD e Rei.
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Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
