Sofia
Soltei um grunhido baixinho quando senti o líquido gelado e alguns pedaços do melhor milkshake de morango que já provei na vida se desfazer na minha boca, vendo o sério e puto Talibã me encarando enquanto isso, sempre com a expressão neutra. Ele não quis comer nada, e quando sentamos aqui, eu e ele ficamos calados, provavelmente pra eu não soltar qualquer frase falando merda e irrita-lo. O finalzinho de tarde me passa um sentimento contagiante, bom e feliz, apesar do acontecido. Minha maior defesa é fingir que nada aconteceu e tentar de todo jeito esquecer o que me incomoda, na maioria das vezes acontece. E eu super consigo lidar sim com todas essas minhas mentiras internas e me faça de sonsa pra me convencer disso, mas depois...
O céu levemente alaranjado com alguns tons de um roxinho claro têm a atenção de quase todas as pessoas que estão aqui. A maioria correndo na orla da praia, alguns gostosos sem camisa se exercitando com puro suor e outros não, outras mulheres de biquíni na água e umas sentadas no bar na nossa frente, e até uns adolescentes com uniforme de escola sentados na areia com uma caixa de música no máximo volume e com umas cores que piscam no grave das músicas. Eu me vejo nisso, matava muita aula pra vir na praia também, é a época que todos se iludem achando que tem amigos pra vida toda. Sempre tive facilidade de ser uma pessoa que se comunica com todos, vergonha não existe no meu vocabulário, ser uma pessoa que fala tudo que pensa faz com que as pessoas ao mesmo tempo que te considera uma pessoa impulsiva, também te vê como alguém sincero. Ou arrogante. Ignorante e um tantão de coisas que já escutei. Mas se você pergunta, por qual motivo não quer escutar?
Normalmente, as pessoas que tem medo de expor suas opiniões e pensamentos são as que mais julgam quem faz, é fato. E isso é muito complicado. Escutar a verdade é difícil até pra quem fala a verdade o tempo inteiro, mas as pessoas sinceras, elas tem a facilidade de lidar com isso. Já as que mentem...
Todos ao redor se divertindo numa tarde qualquer, do jeito deles. E eu aqui com ele. Bryan tá um pouco diferente de hoje cedo, confesso, quando ele eventualmente foi me procurar lá na casa do Guilherme. Diferente de quando tocou firme minha cintura sobre meu vestido liso, enquanto eu ansiava mais pelo seu toque quente e bom. E tudo me dá a plena certeza de que ele tá assim depois de toda aquela situação com os pau no cu dos policiais, e essa instabilidade dele faz com que eu fique levemente insegura com tudo que relacione nós dois juntos, mesmo que ele seja assim exatamente desde que nos reencontramos.
Bryan virou o rosto, olhando pra um dos dois meninos que gritou. A tatuagem atrás da orelha se destaca sobre sua pele clara, combinando com a cor pretinha. Uma outra tatuagem subindo pelo maxilar dele, dando um contraste diferente quando ele vira um pouquinho o rosto pro lado, uma pose de gostosão milionário beirando os trinta anos ou mais, parecendo ser mais velho do que realmente é. A barba crescendo nele é lindo - não é como se eu imaginasse ele roçando essa barba na minha barriga, lentinho -, e isso só deixa o Bryan mais fodidamente gostoso. Talibã subiu o braço, passando a direita mão sobre o rosto lindo, ainda com os olhos em outro lugar, enquanto minha atenção é só nele. Agora entendo por qual motivo as mulheres mais velhas e as mais novas estão olhando pra como se fosse um monumento. Talibã tem outro nível de beleza.
Sofia: Você não come, não? - Arqueei a sobrancelha. Ele virou o rosto pra me olhar assim que perguntei, então semicerrei os olhos, observando o rosto dele tomar uma nova expressão. Sei lá, não sei o que essa pode significar, mas parece que ele só me percebeu agora. Eu estou tentando puxar assunto do meu jeito, porque isso aqui está ficando mais que desconfortável. Engoli o restinho do meu milkshake, afastando o copo de perto do meu braço, apoiando as mãos em cima da mesa e meu rosto na palma das minhas mãozinhas.- E você tá calado.
Ele deu de ombros, passando a mão sobre a barba, fazendo com que eu imagine essa pouca vergonha com a barba de novo. Fala sério, a culpa não é minha mesmo se ele é um gostoso que faz as mulheres imaginar tudinho com ele. E eu tenho sorte que parte das minhas imaginações foram além, mas não quero provocar ele em nada, não agora, porque o Talibã vai implorar pra me foder.
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Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
