Sofia
Talibã: Senta aqui, Sofia.- Juntei os olhos, tentando mantê-ls abertos ao sentir meu corpo pesando. Seu tom firme e baixo me despertou, mas quando sua mão esquerda tocou sua perna, dando batidinhas pra eu sentar, minha mente parou no mesmo lugar e hora. Eu já não sinto mais nada, nem as minhas pernas, meus braços, já não sei o que sou e quem sou.
Engoli a seco ao ter uma visão fodidamente gostosa do homem a minha frente, junto a voz rouca e autoritária de um jeito... Talibã tá exalando uma postura fora do normal, e sem dizer que essa visão é tão privilegiada pra mim dentro desses dezenove anos que meus olhos podem contemplar com calma e devoção. Detalhadamente. E o melhor de tudo é estar só eu e ele, nosso momento, nossas sensações como um só, na mesma sintonia e conexão. Estamos sufocados no que causamos um no outro. É intenso pra caralho, e isso me causa falta de ar, mas não tanto quanto essa cena que se repete a cada minuto que fecho os olhos.
Bryan sentado na ponta da cama que eu estava antes de ir no banheiro e voltar, ele sem camisa, seu peitoral expondo todas as tatuagens que ele tem, todas conseguem ser lindas, todas que vi combinam com ele de um jeito íntimo e sublime. Apenas. E, junto de todas tatuagens, cicatrizes. Mas nem isso é capaz de deixar esse homem feio e falo com toda certeza. Essa cena não é o único motivo do meu colapso repentino, porque além dele estar sem camisa, bateu na sua própria perna novamente, olhando nos meus olhos, me chamando pra sentar ali. Exatamente ali.
Senti meu corpo esquentar gradativamente, passando a língua na extensão dos meus lábios que secaram na hora. Urgência. Eu quero muito esse homem. Levei meu olhar até sua costela, diretamente na tatuagem pretinha e mediana em uma letra linda pra caralho: inabalável. Caralho... Talibã é de outro mundo, o efeito que ele tem sobre mim, até mesmo uma tatuagem qualquer me treme por inteira. Uma mísera tatuagem nele me causa coisas que nunca senti em ser tocada. Mas o Bryan me toca de várias formas, seja pelo olhar, pela maneira que fala meu nome ou até mesmo pelo jeito que seus olhos me arrastam para o caos, pra um beco sem saída. Sem escolhas.
Talibã: Vou ter que falar de novo? - Tensão. Sinto todos os músculos do meu corpo se contrair. Inspirei todo ar, sentindo minha garganta mais quente do que minhas mãos e o resto do meu corpo. Andei até ele que me olha minuciosamente, talvez eu esteja arrastando meus pés pra admirar melhor, porque isso aqui é do caralho.- Você não queria que eu te beijasse? Você pediu e eu vou dar o que você quer.
Sofia: Com você mandando desse jeito, eu vou acabar beijando é o seu pa..- Senti seus dedos afagar minha cintura de forma bruta, mas não senti dor. É literalmente algo que é a cara do Talibã fazer isso: dar carinho de maneira bruta. Engoli a seco, novamente, sendo tomada pela sensação inebriante de estar sendo tocada e olhada por ele. Bryan não sabe onde tá se metendo... É como se ele estivesse me estudando, observando como que reajo em cada toque, olhar, toda minha expressão por ele.
Senti os dedos ásperos do Bryan me puxar pra frente com tudo, trazendo meu corpo pra si, me sentando em cima do seu colo como se precisasse disso. Ele passou minhas pernas por cada lado numa agilidade absurda, tocando meu corpo com cuidado. Senti sua respiração pesada batendo no meu rosto, suas mãos subindo pela extensão da minha coxa que estavam expostas, já que a camisa dele que tô usando subiu, quase indo na direção da minha bunda, mas ele parou por ali. Passei meus braços por cima dos seus ombros, vendo seu olhar no meu. Comunicação. É assim que a gente conversa. Simplesmente pelo olhar, sensações, sentimentos...
Talibã: Posso? - Balancei o rosto, sentindo uma ansiedade tomar meu peito todo, é como se eu estivesse esperando por isso há anos. Senti meu ar mais pesado, denso, brutal. E, a cada segundo que meu corpo se aproxima do seu, eu sinto um mix de coisas me atingir como uma avalanche. Sua voz, seu olhar, seu toque, tudo me traz uma vaga sensação de que eu esperei por isso por mais tempo do que gostaria. É como se o encaixe perfeito fosse encontrado e está diante dos meus olhos, e, por incrível que pareça, nem tô falando de beijo. É inevitável pensar que somos um do outro de um jeito que nunca fomos de ninguém.
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Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
