Sofia
Sofia: Papai, eu quero ser uma princesa - Eu sorrio mais ainda quando o meu pai faz uma careta feiosa. Ele usa isso pra me fazer rir, e ele diz que gosta muito da minha risada. E é a primeira vez que alguém gosta da minha risada além da minha mamãe.- Que foi? Que foi? Eu quero ser uma princesa porque elas são lindas!
Rogério: Mas você já é uma princesa, Soso. A minha princesa Sofia - Me jogo em cima dele, sentindo meu papai beijar meu rosto todinho, apertando meu corpo sobre o dele, me balançando no ar.- E você é a princesa mais linda de todas. A minha princesa mais linda.
Sofia: Eu sei! - Dou língua pra ele, sorrindo mais ainda quando meu papai Gege me coloca sentada em cima da sua barriga. Ele aperta meu nariz, e então sorri.- Papai Gege, eu tô um pouquinho triste esses dias. Quer saber o motivo?
Rogério: Claro, minha princesinha. Fala com o seu Gege, o que aconteceu? - Passo a mão nos olhos, tentando tirar o cabelo que fica ali.- É na escola?
Sofia: É a mamãe. Ela tá muito doente? Ela me disse que ia melhorar logo, mas ainda tá doente.- Reclamei. Meu pai respira fundo, e isso significa que ele vai me contar uma história muito longa.- Não vem me contar mentiras, não! Os adultos fazem isso quando o assunto é muito muitooo sério, me fala a verdade logo.
Rogério: Ela tá um pouquinho doente sim, minha princesinha - Cruzo os braços, não aceitando que minha mãe tá dodói. Mas tem algum remédio pra ela melhorar, não tem? Sempre tem, ela sempre me dá um remédio e vários beijinhos e melhora toda vez.
Sofia: Dá remédio pra ela? - Pergunto. Eu agarro seu rosto, deitando em cima do peito dele, olhando nos olhos do meu papai Gege que amo tanto.- Melhora minha mamãe por mim?
Rogério: Eu não posso, filha. Eu já tentei...- Fico com raiva, fechando os olhos quando ele diz isso. Então faça uma cara feia, vendo ele negar com a cabeça.
Sofia: Tenta mais! - Falo alto. Eu sinto uma vontade de chorar muito grande, mas meu papai não tem culpa.- desculpa, papai, eu só tô triste, não posso gritar com o papai Gege.
Rogério: Eu não sei melhorar ela, mas eu prometo estar aqui pra tudo que você quiser e precisar, minha princesinha - Eu balanço a cabeça, sorrindo pra ele, sentindo as mãos dele me fazer cócegas e eu rir sem parar, mas é muito legal. Muito legal ter o papai e a mamãe aqui.
Pensando em vários momentos com o meu pai, o real pai mesmo, procuro refúgio nos meus devaneios, dispensando a realidade e a deixando mais afastada possível. Existia um Rogério que a minha mãe amava, e não era o de hoje em dia, muito pelo contrário, era o Gegê, o meu pai. Eu amei ele do jeito que uma filha ama um pai presente e cheio de qualidades. Aquele mesmo homem que eu, Sofia, admirava muito, que meu peito se enchia e transbordava com um sentimento sincero, meus olhos transmitiam o amor por ele da maneira mais genuína que uma garotinha poderia demonstrar, chegavam a brilhar tanto quanto uma estrela no céu. Ele não me batia, não me humilhava, ele era atencioso, não usava drogas. E era meu pai.
Talvez hoje dia não entendemos o peso dessa palavra, ou da pessoa em si, porque se tornou comum um homem fugir da sua responsabilidade e criar o filho de maneira civilizada, não apenas comprando algo ou vivendo abaixo do mesmo teto, como se algo fosse diferente do habitual, mas se tornando presente, se entretendo na vida do filho, se interessando, entrelaçando a vida dos dois. Gegê era meu pai, e eu não entendo quando o perdi, quando tudo se esvaiu aos meus olhos. Eu o perdi desde o momento em que ele se perdeu nas drogas? E não é pelo Rogério que eu sofro, nunca, né, nem fodendo! É pelo o Gegê que morreu muito antes daquele filho da puta encontrar o fogo ardente que tanto desejei a ele.
Rodrigo e Daniel foram embora depois que descobri que o Rogério morreu. Eles até me consolaram e disseram como o Rogério era um merda pra mim e, com todo ódio visível, citaram alguns momentos que ele me fez passar vergonha, me humilhou de alguma forma ou me magoou. Daniel citou muitos, mas a voz da razão, vulgo RD, meu pretinho lindo, botou a mão no ombro do Rei e disse baixinho, com uma voz calma e gostosa que ele tem: chega, ela já entendeu.
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Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
