capítulo nove

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Sofia

Vi a porta abrindo, mas eu tava mesmo era procurando o Talibã sumido. Ele realmente desapareceu por aqui, talvez no meu outro quartinho, deve tá achando que é algum inimigo dele. Vi que era o Rogério entrando e neguei com a cabeça, levantando da cama e vendo que ia dar merda porque ele é um filho da puta chato, arrombado, bêbado.

Rogério: Sofia! Sofia...- Escutei sua voz rouca e arrastada adentrando meus ouvidos, bêbado como sempre. Encarei ele que abriu os braços, pensando no fato de que o Talibã vai escutar tudo que a gente for falar aqui. O que ele for falar.- Cadê meu dinheiro? Tu ainda não deu essa buceta pra me ajudar a pagar a dívida?

Sofia: Que se foda a sua dívida, me deixa em paz.- Falei baixo, vendo ele me olhar com deboche, tentando se aproximar mais de mim, mas eu apenas encarei ele que parou de andar, cambaleando. Desviei o olhar, respirando fundo, passando a mão pelo meu rosto.- Dá o cu você e paga suas dividas, você é o drogado aqui, eu não tenho nada com isso.

Rogério: Sabe, você é igualzinha sua mãe, até no jeito. Tem a cara dela, teimosa, é arrombada igualzinha a ela...- Fechei os olhos quando escutei ele falando da minha mãe, virando o rosto, olhando pros móveis ao meu lado.- Vai morrer igual a ela, sua vadia de merda!

Ele sempre tenta falar da minha mãe pra me atingir de alguma forma. Talvez eu até sinta algo, lá no fundo mesmo, mas eu não demonstro, eu nunca iria demonstrar minha fraqueza pra ele se aproveitar disso e falar coisas piores. Rogério não tem problema em foder com a vida de ninguém, nunca teve problema de acabar com a minha.

Sofia: Você fala pra caralho, né?! Tá bafudo e ainda tá me cuspindo, se afasta - Falei alto, levantando a cabeça pra encarar ele que me olhou com desdém. Como se ele fosse alguém pra me desmerecer assim, Rogério não é ninguém, só mais um filho da puta nesse mundo. Senti sua mão sobre meu braço, apertando forte, mas ele me agarrou mais forte, me deixando com raiva pelo seu toque gélido na minha pele.- Me solta, seu merda.

Rogério: Você tá sempre falando que não tem a porra do dinheiro. Arruma, sua puta! - Gritou no meu rosto, cuspindo, provocando um sentimento de nojo em mim. Semicerrei os olhos, exausta, puxando meu braço do seu aperto, vendo seu corpo cambaleando de novo.- Você sabe que eu vou fazer contigo se não me der o dinheiro, minha Sofia...

Abaixei a cabeça quando senti a mão dele na parte interna da minha coxa. A vontade de vomitar me atingiu em cheio, subindo na minha garganta seca, incomodando meu estômago. Senti sua mão descendo mais e mais pelo meu corpo, despertando pavor na minha mente, mas eu não ia deixar isso acontecer. Empurrei seu corpo, com o meu pé, vendo seu olhar de ódio sobre mim como se fosse me deixar mal.

Ele gosta de bater, de fazer comigo o que os outros fazem com ele, porque ele deve metade do morro e todo mundo humilha ou cobra ele. Em um ato rápido, senti um soco forte no meu rosto, na lateral. O sangue se tornou presente na minha boca, fazendo com que meus lábios começasse a latejar do jeito mais dolorido possível, junto ao meu rosto. Minha cabeça tonteou e minha vista embaçou, doendo por longos minutos, fazendo com que meus sentidos fossem todos pra casa do caralho.

Rogério: Vou te mostrar como tratar seu pai - Falou alto, apertando meu rosto entre seus dedos, me empurrando na cama. Eu gruni baixo, encarando com ódio os seus olhos, batendo nele que prendeu minha mão. Ele tá com o corpo quase apoiado no meu, com aquele cheiro de álcool e drogas misturada. Todo esse cheiro, toda essa mistura mexeu com o meu estômago mais ainda, eu queria vomitar de nojo dele.

Estreitei os olhos quando vi ele encostar o corpo na frente da minha cama, perto dos meus pés. Com toda minha força, senti ele segurar meu pé esquerdo e, com o direito, impulsei o corpo, acertando um chute no saco dele. Ouvi seu grito, levantando a cabeça pra ver onde ele tava, Rogério tava com a mão no pau, caindo de joelhos no chão. Seu gemido quase se formou em um choro e eu soltei uma risada baixa.

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