capítulo doze

267 21 2
                                        

Sofia

Gui dirigiu como o maluco que ele é e eu nem me importei com isso agora, tô tão acostumada que seria estranho caso não tivesse isso, mas hoje tá diferente. Ele tá dirigindo mais rápido ainda porque tá com muita raiva do Rogério e magoado comigo de todas as formas e por tudo que escondi, não nego que eu também estaria se fosse o contrário, então entendo ele.

Talvez ele esteja muito bravo mesmo por tudo isso, chateado e magoado por eu ter esse segredo comigo por mais tempo do que gostaria. Não é que eu não confiasse nele, não tem nada a ver, isso é a maneira que me sinto em relação a isso, somente... Nunca foi nada sobre ele, é sobre mim e tudo que sinto quando toca o nome do Rogério e o meu passado vivendo com ele e com a minha mãe na mesma casa.

Desci da moto quando vi o Gui estacionar mais rápido do que nos dias normais, mas como sempre eu esperei ele terminar de ajeitar ali. Ele puxou a mochila das minhas costas depois de um tempo em silêncio e eu fiquei chateada pra caramba, hoje nem teve piadinha sobre eu estar indo viajar ou indo morar na casa dele de vez, só tristeza mesmo pro dia de hoje. Entendo tudo que ele provavelmente esteja sentindo agora, mas tenho certeza que ele vai entender meu lado também.

Subimos em silêncio até a casa dele, é até muito estranho estar nesse clima de morte porque a gente brinca sempre toda vez que passa aqui. Eu pensativa sobre isso tudo que tá acontecendo, sério, sou uma pessoa tão legal, perfeita, linda, maravilhosa e de boa e só sofro merda nessa vida. Nunca pedi muita coisa não, só uma vida feliz e nem isso eu tenho as vezes, puta que me pariu, só desgraça atrás de desgraça.

Guilherme abriu a porta da casa depois de uns segundos abrindo a porta com a maior cara feia. Respirei fundo quando ele deu espaço pra eu entrar logo depois dele, Gui deixou a bolsa perto da cama, mexendo em cima do travesseiro e pegando uma toalha grande do flamengo, indo tomar um banho de cinquenta horas. Seria melhor se tivesse meu rosto nessa toalha, falo mesmo, ainda vou realizar isso.

Fiz cara feia, encarando a cama arrumada que tava implorando com jeitinho pra eu me jogar nela de vez. Deitei no meu lugar perto da parede que tava um pouco mais frio que o normal, me dando uma sensação de um incômodo no peito, deve ser o sutiã que tá me fazendo ficar assim. Fiquei olhando pro chão que tinha algumas roupas do Gui por lá, mas eu nem tava focando nisso. Abracei o travesseiro com muita tristeza e vontade de chorar preencher minha mente, nem sei quantas vezes eu já chorei só hoje. Senti as lágrimas quentes descendo só por ter esse pensamento, mas fiquei quietinha quando escutei um barulho na porta do banheiro.

Olhei por cima do ombro e vi que Guilherme só saiu de short porque ele é desses, no frio ele gosta mesmo de desafiar a própria saúde. Levantei rápido da cama, dando uma corridinha até ele que tava parado na frente da porta do banheiro igual uma vara verde. Agarrei a cintura dele, fazendo o meu pretinho favorito me agarrar quando sentiu meu toque nele. Ele é muito protetor, eu entendo que só tá triste achando que falhou em algo ou que não tenho mais confiança nele.

Sofia: Me desculpa por esconder de você, me desculpa mesmo. Só tava com medo e com vergonha disso - Falei baixinho com a minha voz sendo abafada pelo peito dele. Gui beijou minha testa, me agarrando mais e mais.- E eu tô com fome, não me tortura assim que eu morro mesmo.

China: Boba demais.- Murmurou olhando pra mim e eu deitei a cabeça no peito dele, ficamos nessa posição por alguns minutos e ele respirou fundo.- Me conta os bagulho só se for suave pra você mermo. Não vou negar que eu tô doidão da cabeça porque tu sabe como eu sou em relação a sua segurança, então isso fodeu com tudo.

Sofia: Eu vou te contar tudo, só espera um pouco.- Ele balançou a cabeça dando um sorriso de lado e eu me soltei do Guilherme aos poucos, me sentindo confortável. Fui procurar roupa pra tomar banho enquanto o Gui mexia no celular, sentado na cama, no lugar dele. Depois de quase meia hora fazendo espuma no cabelo, saí do banheiro vendo duas caixas de pizza em cima da cama e uma de hambúrguer em cima das duas caixas. Apontei pra lá e ri.- Hoje nem é meu aniversário.

Santo Forte.Onde histórias criam vida. Descubra agora