Talibã
Sanchez: Certa pra ser sua mulher. Os opostos se atraem mermo, porr...
Encaro o Sanchez com a minha expressão de ódio. Talvez a pior. Exatamente como eu olho pras todas as pessoas que estou com uma vontade fodida de matar. É isso que eu devo fazer com ele. Rasgar a sua garganta lentamente, vendo seus olhos quase azuis perdem a cor gradativamente. Um filho da puta com gosto e orgulho. Mantenho meus olhos nas suas orbes levemente azuis, mas não demorou muito pra eu desviar quando escutei o barulho dos passos dela ficando cada vez mais longe. Caralho. Inacreditável como ela que fugiu de mim dessa vez, mas somando o fato de que ela fez eu derrubar minha moto e arranhar quase a lateral toda, se eu fosse ela, eu também estaria fugindo.
Com toda força que no momento tenho nos meus braços, posicionei a moto, olhando de lado pro Sanchez que ficou calado no mesmo momento. Piada do caralho. Ele sempre tem que se meter se devo foder ou me relacionar com qualquer outra mulher na rua, só do nada, mesmo sabendo que eu não gosto disso. Mesmo sabendo que, sou pretensioso e levado pelo ódio, mas não pelo tesão ou desejo De todos os pecados que já cometi, luxúria não tá na nessa lista e pretendo que não esteja até minha morte que tá perto. Nenhuma mulher mexeu tanto com a minha mente a esse ponto e não será agora que ela vai mudar alguma coisa e estragar todos os meus planos futuros. Já falei pra ele parar com essa porra de querer arrumar uma mulher pra mim, sendo que eu poderia realizar caso quisesse. Sozinho.
Ele não entende que sentir alguma coisa boa por alguém, pra uma pessoa como eu é quase a morte. Eu não posso, porra. Se não por ela, nem mesmo pela Lila, eu não posso e nem consigo. Sou autodestrutivo e, em algum momento, vão tentar tocar na minha suposta fraqueza. Mesmo que seja meu dever proteger ela, agora que sei que é a Lila, a mesma Lila que um dia chamei de minha, eu não quero foder com tudo, nem com a vida dela. Enquanto ela estiver longe, ela fica segura, enquanto estiver longe, ela não vê de perto o caos e a merda que sou, porque, de alguma forma, ela me ver como uma pessoa boa é interessante, mesmo que eu tente mudar a visão dela sobre isso, sobre mim, pouco a pouco.
Sanchez: Só quis ajudar. E ela parece meio...- Respirei fundo, puxando o guidão da moto com muita força. É a mesma força que eu queria estar usando pra socar a cara desse filho da puta da computação, esse nerd do caralho.- Engraçada. Só isso. E, mano, eu que sou um filho da puta um tanto esquisito já me relacionei, eu que sou levado como nerd da favela e os caralhos. Por que você não? Tipo, ela parece...
Engraçada. Não me espanta o Sanchez ter gostado dela, até porque, na minha mente, esses dois são tão parecidos quanto eu imaginava. E eu não tenho nada igual a eles, nada que eu consiga compartilhar de um jeito suave. E, por algum motivo que até hoje não entendi, Sofia e Sanchez não se incomodam com o meu jeito. Depois de anos, ele continua perto de mim, e ela, mesmo que eu me afaste sempre que a Lila tenta se aproximar, ela insiste. Insiste pra caralho. Irritante, mas entendo. Enquanto não consigo o que quero, eu não paro, mas o que ela quer? Especificamente comigo. O que a Lila quer comigo?
Talibã: Tão solícito.- Murmurei, ironizando.- Eu não pedi tua ajuda, Sanchez. Eu sei me virar sozinho, eu sei fazer a porra dos meus bagulhos sozinho e não preciso ficar que nem um adolescente na puberdade atrás de mulher. Eu tenho outras metas e você sabe disso, e é por essa merda que fica o tempo todo enchendo o caralho do saco pra irritar. E eu não gosto da garota de jeito nenhum. Romanticamente ou não.
Ele riu. Riu mermo, assim, na minha cara, como se fosse uma piada engraçada entre todas as outras. Soltei o ar pela boca, eu não posso matar ele. Minha mente associa qualquer pessoa que ri de mim no deboche, como algo merda. Muito merda. E a minha defesa é matar, simplesmente por vários fatores, mas rir de deboche de mim é como se a própria pessoa apertasse a porra de um gatilho na própria cabeça. Sou inflexível e centrado, independente do momento. E ser instável, mesmo que mentalmente, por mais que eu tenha uns traumas cravados na minha pele, não tá na minha lista.
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Santo Forte.
Non-FictionO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
