Sofia
13:35
Abro os olhos lentamente, pressionando os lábios, tentando não soltar um grunhido de dor quando tento, involuntariamente, mexer minhas mãos ao ar. Prendo toda vontade de gemer de dor, observando a parede do quarto em sua cor clarinha no contraste do branco e salmão, descascada, anunciando uma possível infiltração no teto ao notar uma região úmida. Sinto uma dorzinha na minha perna, movendo-a pro lado, e quando viro o meu rosto, afim de procurar o Bryan, e então o acho ali. Um sorriso escapa entre os meus lábios quando observo sua feição calma - só porque tá dormindo -, os olhos fechados, o corpo relaxado e a respiração tranquilinha. Seus cílios grandes tomam toda a minha atenção ali, junto a sua boca vermelhinha, carnuda e reta, me dando a vontade de dar vários beijinhos nele. Mas me controlo pra não virar estatísticas na mão dele, tentando não mexer tanto na cama pra não acordar o Bryan.
Talibã: Quer comer o que hoje? - Tomo um susto do caralhinho quando seus lábios se movem lentamente, mas Bryan não abre os olhos pra me encarar, só se mantém o mais quieto possível ali, no íntimo momento dele, e eu respeito isso. Respiro fundo, fechando os olhos com força, escutando de novo sua voz grossa e rouca ecoar na minha mente.
Sofia: Qualquer coisa que você for fazer pra mim.- Murmuro. Respiro fundo quando sua mão áspera e grande toca a extensão da minha barriga. Com um certo cuidado, eu sinto seus dedos percorrer minha pele quente e nua nesse região, prendendo todo o meu ar quando seus dedos tocam com firmeza pertinho do meu umbigo, mexendo no meu piercing, sentindo esse metal tão quente quanto a minha barriga. Bryan está diferente, muito diferente, e eu ainda vou perguntar a ele o motivo. Se não foi o meu chá de buceta, talvez tenha sido o fato que ressaltei ele me afasta sempre que tem a bela e única oportunidade.- Bryan, você...
Um toque preenche o quarto, e tenho plena certeza de que não é do meu celular. Torço os lábios, observando ele abrir os olhos e não se mover por um segundo. Arqueio a sobrancelha, confusa, virando mais o rosto pra o encarar um pouco melhor, sentindo meu pescoço dolorido de tanto que o Bryan apertou.
Talibã: Fala.- Sussurra. Sua voz rouca e calma me traz um sentimento bom, e não é tesão, pra que fique claro pra mim mesma sobre o que ele me faz sentir ao certo. Eu levo minha mão por debaixo do cobertor, deixando-a em cima da dele, passando minha unha mediana em cima da sua mão grande que dá duas de minha em questão de tamanho mesmo. Nego com a cabeça, expirando, sentindo o ar mais estranho quando estamos assim do que quando provoco ele do jeitinho que posso.
Sofia: Atende, eu falo depois - Respondo baixo. Sua mão, delicadamente, passa pela minha barriga inteira, então ele para a mão na minha costela, afastando-a. O vejo sair de cima da cama, buscando o celular em cima da bancada, enquanto mantenho os meus olhos abertos e fixos no teto. Todo o meu corpo queima com o seu olhar em mim, saber que sua atenção é minha, só minha, provoca uma chama irreversível no meu peito e estômago. Observo seu corpo grande em pé, mexendo no celular, com as tatuagens das costas expostas pra mim de um jeito lindo. Sorrio de lado, mas o fecho assim que a lembrança do seu corpo quase que engolindo o meu, exatamente em cima dessa cama, reaparece na minha mente.
Engulo seco, sentindo meu rosto quente de um jeitinho diferente. Mexo meus pés, não sentindo doer ali, e quando eu penso em levantar, Bryan anda na minha direção, pegando minha atenção pra si. Ele puxa a camisa em cima da cama, colocando-a em silêncio. Seus olhos param no meu rosto, me analisando, enquanto minha mente me convence de que ele voltou ao normal. Me mexo um pouquinho de nada, sentindo as minhas costas doerem, e a atenção no meu corpo, desviando dele, foi o suficiente pra eu ver seu corpo ao lado do meu, repentino, o que me tirou um pequeno susto.
Talibã: Vou ter que ir - Balancei a cabeça, fingindo não me importar que eu queria ele aqui pra cozinhar pra mim. Dou um sorriso fraco, sentindo seu peso em cada lado do meu corpo quando o Bryan apoia as mãos ali, depositando um beijo na minha testa. Eu, sem acreditar nisso, abro mais ainda os olhos, totalmente absorta. Meu sorriso aumenta, mas quando ele pisca pra mim, eu volto a ficar com o queixo no chão.- Eu te busco hoje pra comer na minha casa mais tarde. E eu fui comprar um remédio, tá aí perto de você. Tchau.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Santo Forte.
Não FicçãoO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
