capítulo cinco

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Meus olhos estavam presos nas poucas pessoas que passavam a frente da minha janela até agora, no total foram doze, talvez mais; mas eu me distraí e perdi o número exato

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Meus olhos estavam presos nas poucas pessoas que passavam a frente da minha janela até agora, no total foram doze, talvez mais; mas eu me distraí e perdi o número exato. Mesmo que hoje o clima estivesse bom até demais pra estar na rua, tinha algo de estranho na movimentação. O normal é ter gente a cada esquina, mas hoje não teve fofoca e nem nada, todo mundo em suas casas.

Passei meu hidratante labial com o maior cuidado, fitando as motos que passavam por aqui fazendo o maior barulho possível e isso chamava minha atenção. Espalhei um pouco do meu creme de corpo pelos meus braços, estreitando o olhar pelas ruas e até os becos vazios, me dando um pouco de curiosidade e uma agonia grandona. O morro só fica assim em dias de operação, mas o China nem falou nada comigo sobre isso, estranho pra cacete...

Coloco o peso do meu corpo sobre a minha janela cor rosa choque e dou um sorriso fraco, meu lugar favorito e nunca nega o motivo das pessoas sempre olharem pra cá, a cor é tão chamativa quanto eu. Soltei uma risadinha baixa com esse pensamento e prendi meu cabelo, deixando um pouco solto e fazendo um movimento de vai e vem com os lábios, espalhando um pouco do hidratante.

Sofia: Você é linda, você é gostosa, você é peituda e maravilhosa - Falei alto, olhando nos meus olhos, enquanto apontava pro meu rosto bronzeado no reflexo do espelho grande a minha frente.- E você é gente boa também, equilíbrio é tudo porque humildade não pode faltar.

Me olho no espelho novamente, passando a mão por toda extensão do meu corpo, até subir por meus peitos e, lentamente, parar no meu meu rosto. Exatamente onde crescia uma espinha, fiz cara feia e ergui meu braço, prendendo meu cabelo da maneira mais desleixada possível porque não encontrei o prendedor no meio dessa bagunça. Mordi levemente minha bochecha ao olhar as coisas que deixei fora do lugar e eu soltei um suspiro baixo, me afastando do espelho e voltando a olhar pela janela. Quero saber mais da vida dos outros do que arrumar meu quarto.

Até que o clima hoje está bom pra pegar um sol, morrer de insolação ou comer um sorvete de morango, amo! Tava entre tirar minha roupa pra pegar um solzinho ou tirar minha vida de uma vez, só vi vantagem nas opções aí. Estava me sentindo sozinha e queria muito a companhia do meu amigo, talvez ele estaria aqui dormindo comigo se agora não estivesse trabalhando pra algum daqueles feios, ainda taco uma bomba naquele lugar fedorento, tô avisando.

Queria pegar uma marquinha, mas encher o saco do meu melhor e único amigo era meu momento favorito no dia e eu amo muito isso, mesmo que ele odeie quando fico lá atentando a vida dele, mas pode perturbar a minha, né? Amigo é assim mesmo, você cria e quando cresce, fica ingrato e egoísta desse jeito.

Neguei com a cabeça e me afastei da janela, fechando a mesma. Guardei as coisas que usei e, por último, passei um perfume num ato rápido, indo terminar de organizar o que deixei jogado. Passei de leve a mão no pescoço quando senti um pernilongo me mordendo e xinguei esse filho da puta mentalmente. Aqui você quase morre com essas picadas do caralho.

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