O desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
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"Sabe o meu ponto fraco, e sempre me dá um trabalho lindo Pode deixar que eu encaixo É que o meu corpo já sabe o caminho." LITTLE BABY — MC CABELINHO
A minha boca seca na mesma hora e eu olho pra tela do celular sem entender o que eu enxergo.
Minhas mãos ficam geladas, o meu coração bate mais rápido, minha pulsação sobe e a minha vista embaça, aumentando o calor do meu corpo. Agora, nesse exato momento, eu me encontro mais ansiosa do que quando tive a conversa com o Vicente mais cedo.
Eu conheço esse arrepio.
Conheço essa sensação de proximidade.
Conheço esse olhar pesado sobre mim como se pudesse me engolir viva, como se pudesse me seguir por cada lugar que eu vou, mesmo se entrasse nos escombros do inferno.
É ele.
Engulo a saliva e respiro fundo, fechando os olhos com força. Mordo a minha bochecha por dentro, sentindo o gosto forte de sangue junto a uma dor leviana, mas incômoda, tentando, inutilmente, normalizar a minha respiração e todo o meu nervosismo quando envolve ele.
Na minha mente, fazendo isso, eu consigo tornar essa sensação uma das coisas mais normais que já senti. Mesmo que isso não passe de uma mentira confortante que criei pra mim mesma nesse exato momento.
É mais fácil lidar com o que eu criei sobre nós do que com o que realmente não existe entre a gente.
Mesmo que, mais cedo, eu tenha falado que desisti de tudo, inclusive dele. Mas, pra mim, parece que tudo ao nosso redor nos puxa pra perto um do outro, mesmo longe. Mesmo tão magoados e machucados pela vida.
Existe um magnetismo que nos aproxima, conecta, que sempre nos faz retornar ao começo de tudo. Ao começo de nós.
A essa sensação.
Mas também nos arrasta a um fim inevitável, tão inevitável quanto o começo. Não fazemos questão de mudar o rumo da história, apenas aceitamos o que já estava previsto pra nós.
Mesmo longe, mesmo mandão, mesmo com toda a merda que nos ronda, ele faz o meu coração acelerar como nunca, tornando tudo como uma adolescente se apaixonando pela primeira vez. Ele me deixa nervosa, ansiosa, desconcertada, aérea.
Como me senti a primeira vez vendo o Bryan depois de dez anos. Como me senti ao saber que era realmente ele. Sempre aquele arrepio quando ele me olha, principalmente quando me toca como se já soubesse cada caminho tranquilo e perigoso do meu corpo junto a cada reação causada, como se tudo em mim fosse previsível, mas novo demais pra ele.
Ele conhece cada pedaço da minha pele, mas costumava lamber cada parte dela como se fosse novo.
Observo a tela desligada, sentindo a minha garganta fechar. Se uma única mensagem tem o poder de fazer com que eu me sinta tão desconcertada, então imagina a sua presença?