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Talibã

Cada olhar, cada toque, cada fala da Sofia me tremeu pra caralho. Ela realmente mexe comigo, não posso mentir e nem pretendo, porque é a verdade. Se ela perguntar o que eu sinto, eu respondo, eu explico como até meus últimos pensamentos e o toque dela sobre em mim correspondem ao efeito da Sofia. Porque, foda-se, eu não me importo em ser seguro disso, eu não tenho medo do que sinto, mas ela tem. Evitar e sentir medo não é a mesma coisa, mas ela tem medo e tenta fugir de mim. Ela não vai fugir de mim, porque eu revirei cada morro a procura da minha Lila, da minha garota. Eu passei por vários lugares na mínima esperança de a encontrar, e faria muito mais por ela. Sem poréns, sem pensar antes. Pela primeira vez na minha vida, eu iria reagir de maneira impulsiva por causa dela.

Eu sou fechado com todos. Levo como única excessão meus pais e o Sanchez, eu sei que eles estão comigo desde o começo e, por mais difícil que seja, tento ser menos o que sou na rua e mais suave possível. E com a Sofia o nível é outro, vai mais além, papo reto, nunca tive pretensão nenhuma em me aproximar dela. Mas descobri onde tava a pessoa que eu mais procurei todo esse tempo, nunca procurei nem pelo filho da puta que me abandonou quando eu era menor, mas dela eu fui atrás e, caso não achasse, iria continuar procurando nem se fosse no inferno ardente. E achei, do nada, mas achei, porque não tem nada que eu queira que não faço acontecer.

Meus olhos estão vidrados nela. Somente nela desde quando senti a presença da Lila aqui, porque mulher nenhuma me prendeu do mesmo jeito que ela conseguiu fazer em apenas na porra de uma noite. Bêbada, um pouco vulnerável, maquiagem borrada de tanto chorar. Sofia tá irritada com o China, falando sobre ele desde quando começou a chorar. Se essa porra não for um pesadelo, com certeza não é um sonho, porque papo reto, nunca imaginei.

Dessa vez não tem o que fazer e nem de quem defender ela, aí é um bagulho dela com China, íntimo, mas é estranho pra caralho ver a Sofia chorando assim. Uma sensação fodida percorre por todo meu corpo, fazendo com que meus olhos não saiam dela por um segundo. Até agora eu não falei nada relacionado a tudo que aconteceu entre nós dois. Admito que aconteceu até mais do que deveria, porque não consigo esconder o fato dela mexer com alguma coisa dentro de mim, nem se for um pouco.

E nem posso. Como falei, se ela perguntar, eu falo. Se ela pedir, eu faço. Porque não vou ficar medindo esforços pra ajudar ela, mas ao mesmo tempo que não quero me aproximar, também não quero ficar longe o suficiente para o sentimento de estar tão longe me consumir como anteriormente, Sofia merece uma explicação. Mais ainda, ela merece toda essa proteção que tenho dado à ela, porque todos esses anos a garota sofreu. 

Sofia: Até agora o China não apareceu aqui, vagabundo, idiota, chato, cabeçudo.- Pela décima vez no dia, tô ouvindo com atenção ela reclamando do moleque. Falei que ela tava ultrapassando na bebida e é pior por ser fraca, então a garota parou na hora. Eu odeio gente bêbada, pior ainda bebida perto de mim. Só não fui embora ainda pra olhar ela que não tá suave, e eu não quero matar mais um por querer machucar ou tentar se aproveitar da Lila. Rei e Rd que lide com a consequência e a responsabilidade deles, eu não vou carregar ninguém pra casa, ela bebeu porque quis.- Você toda vez me defende, acho fofo isso, sabe...

Mas ao mesmo tempo não posso deixar ela aqui, mesmo que eles tenham falado que iriam voltar. Então, eu espero. Com ela não consigo ser mais fora da curva do que sou, ou até mesmo tão impaciente quanto eu deveria ser. 

Talibã: Essas semamas só entrei em briga por causa de você, por mim já teria matado geral, mas você é fresca o suficiente pra ficar nessa.- Admiti. Continuei encarando ela, sua expressão mudou aos poucos, foi ficando séria, coisa que não combina com o perfil dela. Tá se ligando em quem eu sou, comparando com quem eu era e até no que eu me transformei. Eu sou meu demônio e meu pesadelo, mas não quero ser o dela, e ficar longe é o melhor a se fazer, porque o Daniel não tá tão errado quanto pensei e eu já sei que não posso me aproximar.- Não quero mais ficar aqui, Sofia. Quero ir pra minha casa.

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