Ignorar o Bryan tá tendo o maior gosto doce e virou a minha especialidade no momento. Eu não poderia amar mais.
Aperto o passo e entro na cozinha, vendo o Guerrilha com a Teté no colo em um braço, no outro com a mochila de princesas da teté no ombro e o Vicente em pé na frente deles, ao lado da geladeira. Eu sorrio no automático ao ver a pequena.
Teté: Soso!!!! - Ela grita, continuando no colo do pai, mas ergue os braços pra mim como se quisesse sair voando dali. Ela sorri feliz, e quando vê o Bryan, sorri mais ainda. Uma criança tão inocente não sabe o ogro safado ordinário que ele é.- Tio Talibãoooo!!! Nossa, quanto tempo que eu não vejo o senhor.
Eu rio. Teté, a criança que você é…
Teté: Pai, me solta, eu não tô carente - Eu dou risada e o Guerrilha nega com a cabeça, inclinando o corpo e soltando ela no chão. Eu espero pra ver a direção de quem ela vai e ela ergue os braços, vindo na minha direção toda animada. Teté me abraça e eu sorrio feliz, vendo ela passar a mão no meu cabelo quando eu inclino pra ficar do tamanho dela, vendo o seu olhar curioso e em dúvida.- Ei, o que a senhora fez?
Talibã: Matou os cachos.
Todos na cozinha ficam em silêncio.
Eu viro a cabeça lentamente na direção do Bryan, encarando ele que prende o riso e da de ombros, encostando na mesa da cozinha. Eu acho engraçado e interessante o quão falante e intrometido ele tá. Normalmente ele não iria se meter na nossa conversa, na real, como eu conheço ele, iria até evitar. Ele odeia lidar com as coisas.
A Teté me olha horrorizada.
E infelizmente eu não posso xingar na frente dela. Tudo o que eu queria expressar contém xingamentos e discurso de ódio.
Teté: Princesa Soso, é verdade mesmo que a senhora fez isso? - Ela pergunta baixinho. Eu nego com a cabeça na mesma hora, sentindo o peso da decepção nessa pergunta dela.
Sofia: Não! Não fiz isso, Teté, é mentira dele, esse ogro - Falo desesperada e ela me olha curiosa, juntando as sobrancelhas.- Se levar, sai. Não é pra sempre!
Teté: Ai, graças a Deus - Ela põe a mão no peito e eu beijo a bochecha dela, rindo do seu susto.- Nós temos o cabelo iguais, eu gosto disso. Mas a senhora fica linda de todoooos os jeitos, titia.
Sofia: Alguém tem tanto a aprender com você, Teté…- Jogo uma indireta no ar para o Bryan que nega com a cabeça.
Eu sorrio, abraçando ela. Teté dá uns pulos e olha pro Bryan que encara nós duas. Eu olho pro Vicente e a Teté, depois de me esmagar no abraço, me dá as costas e vai até o Bryan, abraçando as pernas dele. Eu aceno com a mão pro Guerrilha e ele balança a cabeça pra mim, paro na frente dele, ficando ao lado do Vivi que beija a minha testa.
Sofia: Oi, Sansan - Ele pisca pra mim e beija a minha cabeça dessa vez. Vicente passa a mão no meu cabelo e fica olhando como se nunca tivesse visto um cabelo liso na vida, enquanto eu encaro o Guerrilha.- Oiiii!
Guerrilha: Tranquila? - Escuto a sua voz grossa e rouca ressoar. Esse homem tem uma presença surreal, e essa versão pai dele é a coisa mais fofinha do mundo. Ele e o Bryan se parecem muito na personalidade, acho que, no dia que o Bryan Gabriel for pai, será assim também.
Sofia: Tranquilinha sempre! - Faço legal pra ele que dá um sorriso de lado. Ele nunca fez isso pra mim, aiiii, que legal!!! - Ela pode ficar aqui comigo por quanto tempo você quiser e precisar, tá bom?
Guerrilha: Ela curtiu muito a ideia.- Ele aponta pra Teté que tá se balançando em uma das pernas do Bryan e ele me encara sério. Abraço o Vivi e ele passa a mão no meu cabelo. Bryan põe a mão em cada lado do rosto da Teté, cobrindo os dois ouvidos dela que nos olha curiosa, mas não tenta tirar a mão dele.
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Santo Forte.
Non-FictionO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
