2012

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Em meio a tantas crianças no parquinho e ao redor da pracinha movimentada, Bryan brincava sozinho e quieto, não porque ele queria, mas porque ninguém se aproximava de um garoto como ele

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Em meio a tantas crianças no parquinho e ao redor da pracinha movimentada, Bryan brincava sozinho e quieto, não porque ele queria, mas porque ninguém se aproximava de um garoto como ele. Distante de todas aquelas pessoas que o olhava de cima a baixo sem nem disfarçar, comentando sobre tudo que ele fazia e todos os boatos que passava de boca em boca pelo morro.

Isso o incomodava. Mas depois que o Rd e o Rei o adotaram como seu próprio filho, Bryan havia se acostumado com tantas pessoas o encarando, o julgando somente pelo olhar, as vezes sem nem saber o fundamento de tudo. Ali, diante de todas essas pessoas, um inocente se torna algo ruim por coisas ditas erroneamente.

Ansiando por algum amigo que ao menos se aproximasse dele, que se interessasse pelo seu jeito, coração e o que mais tinha a oferecer de bom. Essa sensação de vazio e solidão ainda o persegue, fazendo com que, depois de um ano, ele ainda se sinta impotente, fraco. Ninguém se aproximava, ninguém brincava com ele e, na primeira oportunidade, zoavam ele. Mas também nunca disseram o motivo de tanta raiva.

Qual era o problema?

Ele não estava sujo como antes. Anda com as melhores roupas, os melhores calçados, tem os melhores brinquedos, os melhores perfumes, come as melhores comidas, tem os melhores tios legais, mas havia algo de errado com tudo isso. Por mais que fosse as melhores coisas, ele ainda sentia como se, muitas das vezes, o melhor não fosse o que ele precisava. O vazio ainda estava ali dentro do seu peito, crescendo à medida que ele entendia os problemas da vida.

Ainda que um dia mudasse tudo em sua aparência, as crianças ainda o ignoravam do mesmo jeito que antes, tratava o garoto como um ninguém, era exatamente desse jeito que ele se sentia no meio de todos os garotos. Voltando a época da Cláudia, da fome, dos ratos, dores, barulhos... Tudo fazia com que o gatilho fosse acionado em sua mente. Bryan ignorava algumas coisas que acontecia, mas tinha momentos que era quase impossível.

E, muitas das vezes, de longe, ele reparava no jeito que os meninos tratavam àqueles que eram calados e quietos, assim como o Bryan. Eles eram cruéis, o que era estranho, porque depois de tudo que passou com a sua mãe, ainda tinha esperança de que as pessoas fossem diferentes dela. Era o certo, não é? Nem todo mundo era ruim como a Cláudia, mas nem todos eram bom como o RD e Rei.

Bryan sabia que poucas pessoas do seu ciclo não eram ruins como ela. As crianças, por sua vez, deveriam ter um coração bom e incluir ele, brincar sem distinção, apenas acolher o garoto que ninguém chegava perto. Mas elas faziam o contrário disso, o que era muito pior. Escolhia a dedo quem poderia se aproximar deles, juntava mais de cinco meninos pra bater em um garoto só...

Era tudo diferente do que ele esperava, diferente do que deveria ser. Pois mesmo que sem sair de casa, conhecia um pouco do mundo que a sua mãe o proporcionava todos os dias. Bryan vê e entende que, por muita das vezes, as pessoas podem ser ruins até demais.

Bryan tem o coração bom, só não teve a oportunidade de mostrar isso pra todos, ele queria desmentir os boatos que fizeram com seu nome. Depois de tentar por um ano fazer uma amizade, aprendeu que a bondade às vezes se compra com tudo que você tem, ou se conquista se você tiver dinheiro. Ou se você se encaixar no padrão deles, mas todos sabem que, mesmo que ele tente, o garoto não entraria nesse padrão.

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