capítulo onze

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Talibã

Sempre deixei claro pra caralho que odeio deboche ou fofoca com meu nome, geral sabe disso. Risadinha olhando pra minha cara ou deboche desperta um bagulho em mim que nem eu sei o motivo, talvez pelo fato de ter sido zoado o tempo todo desde quando eu era menor. Então, já mandei o papo que não gosto dessas paradas, faz quem quer, e eu só reajo de um jeito. RD que as vezes me para, diz que vai me bater e tudo, enquanto o Rei diz que vai me levar pra salinha, esses velhos me cansa.

Mesmo que minha intenção na hora fosse dar um papo sério, eu não queria machucar ela de alguma forma mermo não, nem foi uma meta minha. Se fosse outra pessoa ali na minha frente com todo abuso e o jeito de me olhar que ela tem, certeza que já estaria sentado no colo do capeta, mas eu não posso me meter com essa garota por mais chata que ela seja comigo. Eu tenho uma dívida com o Rei e o RD, eles curte pra caralho ela, então não posso me meter com o que é deles.

Tava olhando ela aqui da laje brigando com o moleque lá que parecia puto pra caralho com ela, até estranhei, ele vive de risada. A garota me olhou dali de baixo já sabendo que tô marcando daqui e depois foi embora com a maior cara de choro, no papo. Pela terceira vez no meu dia eu vejo ela chorando assim, maior pose de doidinha e é sensível pra caralho.

É até engraçado o olhar de curiosidade pra tudo que vê pela frente, parece criança que ainda tá conhecendo o mundo com o maior olhão em cima de mim. Só pela expressão a garota pergunta sobre várias coisas, isso é também uma parada que me irrita e eu não nego. Mas ela me lembra uma parada diferente que não consigo assimilar, sinto alguma coisa estranha quando meu olho bate no dela. Sinto algum bagulho estranho.

Vi as luzes do morro se desligando aos poucos, mas eu não queria dormir. Meu sono é limitado, dormir três horas por dia é puro luxo quando se tem altos demônios atrás de mim até em sonho, ou pesadelo em vida. Mas eu aprendi que quando se cruza no meu caminho, ou no mesmo caminho que eu escolhi, vira um cara como eu ou pior. Tua vida nunca será a mesma depois de mim, porque, no papo reto, eu nunca quis entrar na vida de ninguém.

Não sou guiado pelo desejo, tesão pra mim é um bagulho que você sente por qualquer mulher. Por mais que eu veja algumas por aí querendo entrar na minha, eu na real não tô nem aí, porque minha meta não é sexo e eu não vivo disso. Tenho mais coisa pra me preocupar do que pensar em meter a pica em alguém, coisa que não tá passando na minha mente nem fodendo.

Aquela garota é estranha pra caralho. Eu não entendo por qual motivo ela preferiu deixar aquele filho da puta arrombado vivo, tenho certeza que ele fodeu com tudo na vida dela até hoje e ela teve a oportunidade de se livrar dele, eu faria esse bagulho. Eu poderia mermo ter matado ele na frente dela, não tenho problema com isso, mas eu senti uma porra de sentimento estranho percorrer pelo meu corpo a cada frase que ele soltava pra ela, principalmente quando metia uma frase de pedófilo ou xingava a garota.

Eu não me meto com mulher nenhuma, posso ser o que for na boca de geral, mas nunca coloquei a mão em uma mulher. Eu posso não ser o melhor ser humano do mundo, mas o Rd e Rei me ensinou que se eu quero ser um homem de verdade é não ir no caminho das drogas e muito menos ser covarde com mulher ou qualquer outra pessoa, por esse motivo eu quero matar todos os caras olhando nos olhos deles.

Não me importo com a vida de ninguém, no papo, mas naquele dia eu queria ter ido lá e metido a porrada nele, certeza que esse filho da puta é estuprador. Só que várias coisas passaram na minha mente, não consegui pensar direito escutando a voz dele, as falas doente pra caralho, meu corpo só parou de funcionar por longos minutos. Aquilo me lembrou quando um cara tocou em mim aos meus onze e doze anos e eu não consegui me defender, então é uma parada que eu tento fazer por mim e por algumas pessoas.

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