Talibã
Sofia: Posso chupar o seu pau, Meu Talibã?
“Meu Talibã”
Caralho.
Seus olhos grandes, esperançosos, cheio de curiosidade e inocência estão em mim após o seu pedido sem um pingo de pudor. Por que caralhos a porra do seu olhar parece tão inocente agora sendo que ela acabou de pedir pra chupar meu pau? De novo. De novo ela faz com que eu me sinta assim, mesmo que pareça ser proposital, de novo as palavras saem da boca dela com facilidade, firmeza e necessidade, seu tom de voz carregada de volúpia, ativando em mim esse sentimento estranho que expõe a primeira camada de vulnerabilidade minha. Essa filha da puta maldita me deixa nervoso pra caralho e ninguém me deixa assim, não do jeito que ela deixa. E eu a xingo por isso. Eu nem sequer consigo odiar ela, mas a xingo em segredo por querer tanto isso de maneira que faz com que eu vá contra tudo que prometi pra mim um dia. Sofia consegue acessar sem intenção tudo aquilo que se mantém em uma área isolada da minha vida, tudo o que eu fui um dia, acessa todas as merdas das minhas dores apenas com um olhar, toque. Talvez ela tenha um poder sobre mim até mais do que eu poderia explicar, mais do que eu gostaria que tivesse.
Ela não sabe a arma que tem e que pode usar contra mim, justo com a porra do Deus da guerra. Justo com o Talibã que vive em mim e aniquila qualquer um. Justo comigo, porra, que tô sempre preparado e totalmente disposto a entrar em brigas que me envolvem e abrir as portas do inferno para que o meu adversário se arrependa de cruzar o meu caminho, ou que eu faça o céu cair sobre a sua cabeça, mostrando o lugar para onde muitos anceiam estar, mas se o paraíso existir, poucos irão. E com certeza irei me certificar de que eles se mantenham longe do que querem.
Mas, apesar de todo caos que esse quarto se encontra, apesar das nossas respirações que estão totalmente descompassadas, Sofia me traz uma paz que nunca experimentei. Esse quarto ainda é repleto de paz, apesar de todo nosso desejo inefável um pelo outro. Eu não mereço paz e nem que ela me olha como se eu fosse a porra do herói da história, não depois de fazer o tanto de merda que eu fiz em toda minha vida. Não depois de ver como é o inferno na terra e fazê-lo morar na minha mente por tanto tempo, mas em pensar que ela pode se queimar com todo fogo ardente que carrego comigo desde que nasci, faz com que algo se reprima forte no meu peito. Pela primeira vez na minha vida, esse órgão inútil dá algum sinal além de bater de maneira lenta e repetitiva nos meus dias. Bate forte pra caralho de adrenalina e eu não preciso estar perto da morte pra me sentir vivo, não com ela. Em um dia eu prometo que não irei me aproximar de ninguém, não o suficiente pra me sentir vulnerável à ela e, em um dia qualquer após dez anos, me vejo, pela primeira vez em toda minha vida, quebrando uma promessa somente ao olhar nos olhos dela pela primeira vez depois de tanto tempo.
Mas não me olha assim, Sofia… Não me olha como se eu fosse o fodido herói da história. Porque, porra, eu facilmente seria o vilão que destruiria tudo por você. Cada centímetro dessa terra. E, se caso ela pedisse, eu daria um jeito de conseguir a porra do RJ todinho pra ela. Eu definitivamente não posso ser o herói, e apesar de não fazer meu tipo, eu nunca sacrificaria a Sofia pelos meus planos, eu queimaria o mundo inteiro por ela e foderia meus planos para vê-la bem.
Dizem que pelo menos uma vez na vida, nós queremos muito algo que não está ao nosso alcance, algo proibido. E talvez seja verdade. Ela é proibida pra mim, mesmo que o que eu mais queira agora é fazê-la minha. Mesmo que eu saiba o fim dessa porra, por que eu ainda me sinto ganancioso quando o assunto é ela? Porque, dentre tantas, não aceito que sua morte seja de outro? Não aceito que ela seja de outro. Mulher nenhuma me despertou interesse, mas a Sofia… Ela em específico é a mulher por quem venho tendo atitudes que não condizem comigo. Desde quando meus olhos bateram nos dela, toda a confusão que existe na minha mente triplicou.
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Santo Forte.
Non-FictionO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
