Sofia
Tava subindo as escadas na força do ódio e da tristeza, mas tava agradecendo a Deus por ter duas pernas e forças nela pra subir, por mais que agora esteja me faltando um pouco de força e boa vontade, quase nada mesmo. O Guilherme que não apareça pra fazer as coisas pra mim como ele sempre faz, subir isso aqui requer muita coisa que não tenho, por isso na maioria das vezes eu não vinha aqui. Escada grande do caralho, acho que tô pagando por pecados que nem são meus.
Respirei fundo, olhando pro começo da escada que era logo ali bem longe, arqueei a sobrancelha, vendo um lindo sem camisa e com uma barriga lindíssima levando uma mesa até uma casa, bem no finalzinho da escada, perto da casa do Gui... Então ele é o novo morador daqui. Pensando bem, eu pareço sempre estar num eterno cio, amo essa minha vibe de “quero dar” e nunca dou.
Ele deixou a mesa lá por perto e eu sentei na escada pra ver essa divindade passar, até que ele me olhou com um sorrisinho de canto e eu continuei séria. Não durou cinco segundos pra eu estar sorrindo de volta pra ele também, ser séria demais e seca eu deixo pra outras pessoas feias e frias, amo ser faladeira e sorrindente. É um traço da minha personalidade que simplesmente existe e eu nunca forcei pra ter, só sou, eu acho que nasci assim.
Olhei pra trás, vendo uma garota saindo da casa perto da minha. Senti um cheiro forte de perfume doce, bem gostosinho lá por longe, mas chegando perto é enjoado que só o caralho. Arqueei a sobrancelha, vendo ela sorrir pra mim, não achei isso estranho porque ela não é daqui, não seria normal se alguma garota daqui sorrisse pra mim na maior intimidade. Falo com a maioria das garotas, mas tem umas aí que não gostam de mim, especificamente a panelinha da Fran. Eles não superam que eu sou linda, mas tudo bem, porque eu sou realmente in-su-pe-rá-vel.
- Oi! - Sorri mais ainda ao escutar a voz tímida da garota e ela passou a mão na outra, me dando a certeza de que ela tava bem nervosa.- É que eu sou nova aqui, bom, cheguei hoje... Você poderia me informar onde fica a padaria do seu Jorginho? É que eu já tentei procurar e não achei.
Sofia: Oi! Ué, posso até te levar lá. Só tenho que levar esse pedaço de chernobyl pra casa, tá muito pesado e meu braço meio que tá machucado.- Apontei pra minha bolsa e ela olhou, dando uma risada baixa, parece ser toda boba. Passei a mão pelo meu machucado com um curativo igual meu cu, sentindo latejar muito.- Meu nome é Sofia, e o seu?
Victoria: Victoria! E esse ali é meu irmão, Victor - Apontou pro menino que tava lá pegando a última coisa que faltava do caminhão e eu encarei ela.- Sério que você vai me levar lá?
Sofia: Aham, eu amo bater perna pelo meu morro lindo - Falei baixo, dando de ombros, mas com um sorriso pra não assustar ela.- Sua sorte é que eu sou tipo um mapa, vou te ensinar onde é os lugares mais falados e fáceis. Amo ser útil!
Victoria: Ai, muito obrigada, sério...- Sorri feliz, me sentindo animada e ela sorriu mais ainda, acho que já somos muito almas gêmeas.- Onde você mora? É por aqui mesmo?
Sofia: Ali, ó - Apontei pra casa do Gui que tem um portão perto grandão e ela abriu o maior olhão, era tão pertinho da dela que chega a ser estranho.- Vou levar isso ali rapidão, já volto.
Fiz cara feia quando senti meu braço doer mais ainda e, quando direcionei meu olhar até lá, vi que tava sangrando. A Victória me olhou assustada, tentando tirar a bolsa da minha mão e eu soltei na hora, encarando ela que tava ajeitando minha bolsa no chão.
Victoria: Ô Victor, ajuda ela aqui e leva essa bolsa até lá em cima - Fiquei olhando pra ela que cruzou os braços, falando com um homem de um metro e oitenta como se ele fosse do mesmo tamanhinho que ela, que fofa essa Vic. Ele andou até a gente e, sem contestar sobre, levou a bolsa pra onde ela apontou, enquanto eu ia atrás dele e ela comigo.- Você tá bem?
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Santo Forte.
NonfiksiO desejo tá explícito nos meus olhos e a cada toque meu sobre teu corpo que arrepia, cada fala que treme, cada respiração descompassada que você tem perto de mim, você implora pra que isso seja apenas uma noite, assim como eu. Até ver que seus olhos...
