Uma noite no Monte Calvo

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No convés do Jolly Roger, a tensão era palpável, cortando o ar como uma lâmina. Mal observava à distância, incapaz de intervir enquanto Heitor e Will se encaravam como feras prontas para o combate. Ao redor, a tripulação oscilava entre medo e expectativa. Helena e Kalila mantinham-se imóveis, com os olhos fixos na cena. Beth, em contrapartida, conduzia os jovens Huguinho, Zezinho e Luisinho para o interior do navio, apressada e ciente do perigo iminente. Mais ao fundo, Powan e Tenzo assistiam, distantes, mas atentos.

— Eu vou voltar! — Will rugiu, sua voz carregada de ira.

— Não vai! — retrucou Heitor, o tom ainda mais firme, uma ordem.

A declaração de Will rasgou o silêncio como um trovão.

— Carlos foi morto! Não vou mais ficar parado assistindo!

— E se voltarmos agora, todos acabarão como Carlos! — Heitor rebateu, sua voz se elevando como um trovão que rivalizava com as ondas ao redor do navio.

Will avançou com a fúria de uma tempestade, agarrando Heitor pela gola da jaqueta. O filho de Hades não hesitou e retribuiu o gesto com igual intensidade. Os dois estavam tão próximos que suas respirações pesadas se misturavam.

— E se fosse Mal? — Will cuspiu, provocador.

— Eu contaria com você para me impedir. — Heitor respondeu, com uma firmeza que parecia impenetrável.

Sem aviso, Will girou o corpo com precisão, jogando Heitor no chão com um impacto brutal. O convés pareceu estremecer com o baque, e o filho de Hades soltou um grunhido de dor.

— Você não vai me forçar a ficar. — Will disse, a voz carregada de frustração e desespero, enquanto Heitor se levantava lentamente, cambaleante.

— Se eu deixar você ir, a morte de Carlos terá sido em vão. — Heitor replicou, encarando o amigo com olhos ferozes.

— A morte dele é em vão! — Will gritou, puxando a espingarda de suas costas e apontando diretamente para o peito de Heitor. — Saia.

— Atira. — Heitor desafiou, segurando o cano da arma e pressionando contra o próprio coração. — Atira e pode ir.

A tensão atingiu seu ápice. Kalila deu um passo à frente, mas Helena a deteve com uma mão firme. Will tinha o dedo no gatilho. Heitor também não voltaria atrás. O silêncio reinou por um instante que pareceu eterno. Até mesmo o mar parecia prender a respiração.

Will hesitou, mas apenas por um segundo. Ele desviou o cano para cima, batendo o ferro contra o queixo de Heitor com força. Antes que o filho de Hades pudesse se recuperar, Will o golpeou com o cabo da espingarda, atordoando-o. Sem esperar, ele largou a arma e partiu para os punhos.

Os golpes de Will eram rápidos e brutais, um após o outro, cada soco carregado de dor e raiva reprimidas. Heitor não se defendia, cambaleando até que seu corpo cedeu e ele caiu ao chão. Mas Will não parou. Ele se abaixou e continuou a desferir socos, suas mãos já tingidas de sangue, que começava a se misturar ao de Heitor.

Foi só quando o próprio Will, exausto e consumido pelo peso de suas emoções, desviou o braço e acertou o chão de madeira, abrindo uma rachadura no convés, que ele parou. Os soluços do jovem preenchiam o espaço

Will cobriu o rosto com as mãos. Por um momento, os únicos sons emitidos ali eram os soluços de frustração e as ondas do mar.

Helena, silenciosa, aproximou-se de Will. Sua presença era firme, mas compassiva. Ela o segurou pelos ombros e o guiou para o interior do navio, longe do caos que ele havia deixado para trás.

Descendentes 4Histórias para pegar e não largar. Descubra agora