Pobres corações infelizes

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A cena seguinte era inconfundível para Mal: a caverna de gelo, onde encontrara Ben e Jack presos. No centro, Heitor segurava uma lâmpada de gênio, a expressão cansada, mas determinada. Diante dele, flutuava uma gênia de pele azul reluzente, com um olhar penetrante. Will, Helena, e Kalila observavam em silêncio, suas respirações ecoando na câmara gelada. Para a surpresa de Mal, Jack também estava ali, embora afastado.

— Azula, consegue reverter a maldição colocada em mim? — Perguntou Heitor, sua voz rouca e enfraquecida. Ele tossiu forte, e o sangue que saiu de sua boca manchou a neve ao redor, pintando-a de vermelho.

Azula estreitou os olhos, analisando-o. Com um estalar de dedos, tentou invocar sua magia, mas um brilho ineficaz piscou e desapareceu.

— É uma magia antiga. — Ela balançou a cabeça, desapontada. — A pessoa que a lançou sacrificou muito de seu poder para isso. Não consigo desfazê-la, Heitor.

— Entendi. — Ele respondeu com uma calma assustadora, como se já esperasse aquele desfecho. Ele respirou fundo antes de continuar. — Então desejo que apague a memória de Jack. Ele não deve se lembrar de mim, de nós ou de você.

Azula assentiu, estalando os dedos. Um brilho dourado envolveu Jack, e ele caiu em sono profundo.

— Agora, desejo um objeto capaz de monitorar minha vida e a dos meus amigos. — Heitor ergueu os olhos para a gênia, a voz decidida.

Azula hesitou por um instante, mas logo estalou os dedos. Um rosário prateado com quatro pérolas brilhantes materializou-se diante dela. Heitor pegou o objeto e o entregou para Kalila, segurando sua mão por um momento.

— Cuide disso.

Ele virou-se para Azula mais uma vez.

— Vai manter sua parte do acordo?

A gênia inclinou a cabeça.

— Promessa de gênio.

Os olhos de Heitor brilharam com um misto de melancolia e determinação.

— Então desejo que, ao cumprir sua parte, você seja libertada. — Azula piscou, surpreendida, mas não disse nada. — Não posso relaxar, Azula.

Estalando os dedos uma última vez, ela suspirou enquanto sua forma desaparecia na lâmpada, deixando apenas o eco de suas últimas palavras.

— Pois bem.

A lâmpada apagou-se, deixando um vazio na caverna. A névoa verde surgiu novamente, cobrindo tudo ao redor.

Quando se dissipou, Mal viu que estavam agora na Floresta Encantada. Heitor estava diante de Elsa, que o encarava com uma expressão de gravidade. Ele segurava um mapa envelhecido.

— Aqui estão as localizações de todas as armas. — Heitor apontou para o pergaminho, onde seis X marcavam pontos ao redor do mundo. — O Cajado de Frost, as Cimitarras de Zulfiqar, a Armadura de Gaia, as Luvas de Uriel, o Arão de Aegir e o Martelo de Thor. — Heitor continuou, sua voz carregada de urgência. — Você precisa guiar os guerreiros que dominarão os espíritos ligados a essas armas. Quando cada objeto for encontrado, mudará de cor no mapa, indicando seu paradeiro. Eles irão ao seu encontro quando os chamar.

Elsa segurou o mapa com delicadeza, assentindo com firmeza.

— Estaremos prontos.

Heitor deu um passo para trás, sua postura cansada, mas o olhar determinado. A névoa verde voltou a subir, engolindo todos enquanto a cena mudava mais uma vez.

Mal estava em uma floresta escura, Heitor caminhava. À sua frente, uma cabana isolada, quase invisível entre as árvores, parecia pulsar com uma energia sombria. Uma mulher de cabelos roxos e olhar perverso, saiu de dentro da cabana, encarando o jovem com uma risada rouca.

Descendentes 4Histórias para pegar e não largar. Descubra agora