Brilhou no céu

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As sombras do Submundo se agitaram quando o recém-chegado foi conduzido à sala de julgamento. A luz fraca das tochas tremulava contra as paredes escuras, projetando silhuetas distorcidas na penumbra. Maligno permaneceu imóvel, observando o juiz se retirar sem dizer uma palavra.

Então, o som de passos ressoou, pesados e imponentes. A aura de chamas azuis denunciou a presença do senhor daquele domínio.

Hades.

O Deus do Submundo parou à sua frente.

— Eu mesmo vou julgar o seu crime. — Sua voz ecoou, misturada com ódio e pesar.

Maligno não reagiu. Sua expressão era de pedra.

— É desnecessário. — Sua voz soou firme. — Eu já decidi o que fazer. Irei para o pior lugar do Inferno.

Hades ergueu uma sobrancelha, estudando-o por um instante.

— E por que tomou essa decisão sozinho? Você sabe que sofrerá por muito tempo. E o castigo se repetirá por toda a eternidade. É isso que deseja?

— Sim.

O silêncio caiu entre os dois.

Hades suspirou.

— Maligno... o que você fez é digno de punição severa. Mas considerando o que passou com Malévola... Posso amenizar sua pena. Você tem certeza da sua decisão?

— Já estou decidido. Não volto atrás.

Sem esperar qualquer autorização, Maligno se virou e caminhou para fora da sala, a escuridão engolindo sua figura.

Das sombras, um sussurro.

— Por que quis amenizar a pena dele? — Agonia emergiu da penumbra, observando o deus.

Hades permaneceu olhando para o vazio onde Maligno estivera há segundos.

— A pena que ele mesmo se impôs já é severa o suficiente. — A voz de Hades estava mais baixa, quase pensativa. — Maligno tinha um bom coração... antes de Malévola arrancar suas asas. E então, ele fez o mesmo com Mal, esperando que ela seguisse o mesmo caminho. Mas Mal foi forte. Ela conheceu sua dor, e ainda assim, escolheu a luz. — Hades virou-se lentamente para Agonia. — Maligno carregará, por toda a eternidade, a culpa pelo que fez com Bela e Beth. Ele já sofre uma eterna tortura.

Os passos de Maligno ecoavam pelo caminho sombrio. Cada vez que avançava, os gritos ao seu redor se tornavam mais intensos, mais agonizantes. O ar estava pesado com o peso de incontáveis pecados e condenações.

Então, uma presença.

Uma luz azulada se materializou à sua frente.

Beth.

Seu olhar era gentil, mas carregado de dor.

— Eu já imaginava que você escolheria esse caminho, Maligno.

Ele suspirou.

— Por que está aqui? Vá para os Campos Elísios, onde pertence.

Beth deu um passo à frente.

— Pense bem. O que você fez foi errado, mas Hades está disposto a reduzir sua pena. Você realmente vai seguir por esse caminho? — Ela hesitou antes de continuar. — Eu sei que, no fundo, você entende que a culpa não é sua. Malévola o quebrou. Você se tortura há tanto tempo... já basta. Me diga, Maligno. Para que continuar?

Os olhos dele brilharam, mas não de emoção. De convicção.

— Você se engana. O que Malévola fez me tornou mais forte. Por causa dela, eu quase destruí todos os heróis. Por causa dela, fiquei com você. — Sua voz ficou mais fria. — Depois que Heitor apareceu e eu te perdi, fiquei ainda mais forte. — Ele fez uma pausa, sua expressão se suavizando, como se relembrasse algo distante. — Eu sou grato por tudo o que aconteceu.

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