Eu abraço Giovanna forte contra meus braços, minha mente envolta entre os primeiros raios da manhã e seu grito. A aperto contra mim com tanta força que fica impossível para que ela respirasse, e assim ela para de gritar. Era mais uma manhã difícil, e aos poucos eu sentia minha esposa retornando ao eixo. Ela acorda de fato, se reorganiza, beija meu peito nu, se aninha.
— Desculpa. — ela sussurra e eu beijo o topo de sua cabeça com carinho.
— Não precisa, meu bem. Sem desculpas nessa cama, já sabe a regra.
Ela concorda, respira fundo.
— Acha que acordei Emir?
— Acho que ele já está acordado.
— E Esra?
— Para essa menina acordar seria preciso um furacão nessa casa, amor. — eu falo sorrindo, lembrando da menina de meus olhos.
11 anos e cheia de força que eu sabia bem de onde vinha.
— Quero me levantar agora, preciso ir até o Ataturk.
— Está cedo, querida. — eu falo, invertendo nossas posições até que ela estava embaixo de mim, o corpo nu se revelando a menina que eu ia puxando o lençol para longe.
Sinto as mãos pequenas me tocarem, e sinto quando ela toca a cicatriz, a pele queimada em meu braço, de um jeito sutilmente diferente, mas que eu já havia me acostumado há anos. Desço minha mão pela frente de seu corpo quente, arrepiando para mim. Meus dedos percorrem a carne entre as pernas grossas, firmes, e encontram recanto molhado e pronto, como sempre. E eu sabia que era sua cura, e quando ela se perdia da realidade, só eu conseguia trazê-la de volta para o eixo.
Anos e anos, noite após noite, ela era minha estrela, eu era sua estrada.
Me alinho sobre ela e me enfio devagar, eu não preciso de muito para estar duro por ela. Me enfio dentro de Giovanna, sou envolvido por seu interior apertado. Gemo baixo contra sua boca e ela finca minhas costas.
— Te amo.
— Te amo. — eu repito com ela enquanto sinto a brisa entrar pela janela e banhar nossos corpos.
Observo Emir entrar suado pela porta da cozinha e dou um tapinha em seu ombro. Ele se aproxima de Esra e esfrega o rosto suado no rosto da menina, que desanda a reclamar da atitude do irmão mais velho.
Emir Can e Esra Hilal eram os opostos e eu não conseguia acreditar que eu e Giovanna fizemos os dois. Esra era tímida, estudiosa, vaidosa. Emir se tornou o jovem bagunceiro que dá trabalho para a mãe, e eu me lembro perfeitamente do dia que o peguei fumando com alguns rapazes na saída da escola.
O mesmo garotinho que tinha me dito que fumar era errado.
Allah o tirou logo desse caminho torto de vícios.
E ainda que Emir e Esra fossem diferentes, se protegiam como nunca.
— Baba! Olha o Emir!
— Emir, não provoque sua irmã, olha o seu tamanho.
— Eu que levo a princesinha na escola hoje? — ele perguntou para mim enquanto pegava a vitamina que eu colocava no copo.
— Nem morto. — Esra rebate logo, mas lhe lanço um olhar severo de que a briguinha devia se encerrar ali.
— Vai para a construtora depois? — eu pergunto sério, terminando de colocar o café de Giovanna na mesa.
— Não, eu... tenho outras coisas para resolver. — Emir fala e desconversa.
