Um zunido irritante atravessava seus tímpanos atingindo em cheio o cérebro cansado. Abriu então os olhos com dificuldade, mas as vistas embaçadas não lhe permitiam identificar o agressor que desferia incessantes e doloridos tapas em seu rosto.
- Acordou! – Constatou cessando a sessão de pancadas.
Atordoada, Jamile se esforçou para identificar o local que se encontrava, mas tudo estava muito escuro e a mente embaralhada também não a auxiliava com precisão. Era um lugar claustrofóbico e úmido, se encontrava ajoelhada sobre uma superfície extremamente rígida que faziam seus joelhos sangrarem, estava com as pernas amarradas no chão e os braços abertos presos para o alto como se implorasse por misericórdia. Sentiu o gosto amargo tomar sua boca seca e aos poucos as dores do espancamento que sofrera voltavam a castigar seu corpo.
Apesar de ter se afastado alguns passos, a figura que lhe estapeava o rosto permanecia à sua frente envolta em sombras, e mesmo não conseguindo enxergar seus olhos, sabia que a encarava com descaso.
- Onde está Sarina? – Questionou a guillen sentindo a voz machucar lhe a garganta.
Obteve apenas o silêncio como resposta.
- Responda insikirus, onde está mah zarifon? – Gritou dessa vez.
Sem obter resposta novamente, se enfureceu e reunindo todas as suas forças puxou as cordas que a prendiam na tentativa de tentar se libertar. Uivou de dor ao sentir os pulsos estalarem.
- Se me permite uma sugestão, pouparia o fôlego em seu lugar.
A voz áspera que ressoou nas paredes vinha de outra figura que se aproximava sorrateiramente nas sombras. Estava toda coberta com uma espécie de manto e um capuz que impedia de se enxergar o rosto, mas os olhos vermelhos e incandescentes iluminavam a vasta escuridão.
- Está muito fraca mah duk, não conseguirá escapar. – Concluiu se aproximando a poucos passos de Jamile.
Sua mente confusa se esforçava absurdamente para se manter sã. A raiva que sentia era proporcionalmente igual ao cansaço, porém nunca se permitiria desistir e entregar a vida sem ao menos concluir sua missão.
- Onde está Sarina? – Questionou Jamile se esforçando para não desmaiar novamente. – O que fez com ela?
- Guillen são criaturas realmente entediantes. Este espírito heróico que emana de vocês me causa náuseas. – Disse se aproximando cada vez mais. – Mah duk, que importância faz para você na atual condição o paradeiro de sua coleguinha? Ainda acha possível conseguir resgatá-la? – Concluiu quase sussurrando tão próximo do rosto dela que podia sentir o odor quente de seu hálito.
- O que quer de mim criatura?
- Outra característica deplorável de um guillen, sempre se acham mais importantes do que realmente são. Vocês não passam de marionetes, brinquedos de corda usados ao bel prazer dos grandes jogadores.
- Shishin-in koriarve! – Exaltou-se Jamile. – Nada sabe sobre nós.
- Ah mah duk, sinto lhe informar mas está completamente enganada. Os grandes guerreiros conhecem tudo sobre seus inimigos. Eu sei por exemplo que acabou de voltar de um shatineh para acompanhar alguém que não é seu kifon, sei também que apesar de se declarar muito durona, apavorou-se ao encontrar a cabeça sem olhos de seu verdadeiro kifon e chorou a noite inteira em segredo depois disso.
- Cale-se criatura! – Gritou enfurecida.
- Sei que amava Almir como se fosse um pai. Sinto um pesar por não ter presenciado seus últimos momentos. Adoraria ter visto estes seus olhos angelicais observando como ele gritava feito uma criança desesperada ao ter a carne lentamente consumida pelo fogo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Elafium: A guerra oculta
Mystery / ThrillerCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
