CINQUENTA E SEIS (Parte dois)

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Zuriel gritou desesperado ao assistir a cena e antes que pudesse mergulhar no céu escuro para resgatar Sofia, Zaaria surgiu por trás e o imobilizou pelos braços.

- Me solte insikirus jidank! – Disse lutando para se livrar da beriarti.

- Tartanin mah duk! Vamos apreciar este belo momento juntos.

Sofia sentia o ar frio sibilando sobre sua pele enquanto seu corpo girava descontrolado rumo à morte certa. A cabeça latejava e o estômago revirava sem parar, sem falar do coração que fazia um esforço enorme para abrir um buraco em seu peito e pular aliviado. Tentava desesperadamente pensar em uma maneira para escapar daquela situação, mas não tinha como, estava entregue novamente com as mãos atadas e só conseguia pensar como odiava se sentir impotente.

Rapidamente o chão se aproximava e o gigante que duelava com os Sareden e parecia tão minúsculo lá de cima, aos poucos retomava a proporção real. A vertigem enlouquecia seus sentidos e Sofia então em um ato de desespero fez a única coisa que poderia fazer no momento, fechou os olhos e se entregou à queda, desejando que aquilo terminasse o mais rápido possível e levasse embora toda a agonia que estava sentindo.

Foi nesse momento, já sem esperança, que sentiu um baque em suas costas e de repente tudo parou. Seu corpo então começou a levitar na direção oposta ao solo.

Temerosa, abriu os olhos com cautela e se viu nos braços de alguém com seis grandes asas escarlates voando pacificamente sobre o castelo das cafineah. Imediatamente reconheceu o guillen ao fitar seus olhos.

- Gael? É você mesmo? – Questionou sem disfarçar a surpresa na voz.

- Hanu zamon Sofia! É muito bom te ver aqui no mundo real. – Respondeu o Sareden.

- Mas como... Você estava praticamente morto lá na...

- Tartanin, tartanin! Respira devagar, ainda está muito assustada.

Gael então sobrevoou sobre as torres em ruínas até sair das dependências do castelo e seguiu caminho pelas colinas abaixo parando ao lado de uma grande pedra onde os pequenos e feios ziruscus circundavam assustados. Ao se aproximarem mais, Sofia percebeu também a presença de dona Amina que aguardava impaciente.

- Alihluiah! – Exclamou a senhora com os braços levantados ao ver os dois pousando. – Achei que não ia voltar mais.

- Hosam mah yasan! – Respondeu Gael. – Tive dificuldades em localizar Sofia.

- Tudo bem mah dashinen, shaka ai Adalar você está bem. – Respondeu Amina abraçando o guillen. – Isso é tudo o que importa agora.

Gael sorriu encabulado.

- Vamos embora daqui então queridinha. É melhor deixar a batalha para quem realmente entende do assunto. – Continuou Amina segurando a mão de Sofia.

As duas então circundaram a rocha e pararam em frente a uma fenda escura e aparentemente profunda.

- Hanar mah dashinen, te espero em casa. - Despediu-se Amina dando outro abraço em Gael.

- Hanar yasan! – Respondeu ele.

Gael então deu as costas para as duas e voou o mais rápido que pôde em direção a guerra no castelo. Amina por sua vez se enfiou por entre a fenda na pedra arrastando Sofia ainda atônita e trêmula junto consigo.

- Se eu acreditasse em sorte, diria que essa bukens é o ser mais agraciado que já conheci em todos os mundos. – Constatou Zaaria que do alto observava o destino de Sofia.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora