Introdução ao Volume Dois

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Olá pessoal.


Conforme prometido, segue uma amostra do próximo volume de Elafium.

Este capítulo Zero, assim como em A Guerra Oculta, funciona como um Prólogo para a continuação da história.

Assim que tiver mais alguns capítulos desse novo livro, começo a postar por aqui.

Espero que gostem.

Att.

Renato



ZERO

Pela janela era possível observar a pesada chuva cair com vigor lá fora. Apesar de estar protegido pelas toneladas de concreto e ferro, ainda sentia o calafrio percorrer a espinha todas as vezes que aquele belo e brilhante raio de luz resolvia cortar os céus, e ainda assim não conseguia evitar de fechar os olhos assustados quando o estrondo rugia.

O cheiro molhado da chuva invadia suas narinas mesmo dentro daquela cafeteria envolvida pelo clima artificial do ar condicionado, talvez fosse apenas uma memória brincando com seus sentidos, mas era inevitável se sentir desprotegido. Traumas de infância certamente são os mais difíceis para nós, seres humanos superarmos, e mesmo já conseguindo enxergar os seus sessenta anos se aproximarem, sempre quando as tempestades de verão retornavam, Lucas voltava a ser aquele garoto de cinco anos perdido em meio a enxurrada. O sentimento era horrível.

A cafeteria daquele enorme posto de gasolina, assim como a estrada, estava abarrotada de gente, provavelmente esperando que a chuva apaziguasse. Lucas também não sairia daquele local até se sentir realmente seguro.

Eram quase 18 horas. Amanhã era é o primeiro dia do feriado prolongado. Aquele era o pior momento para se sair em viagem, mas quando se trabalha nas estradas este tipo de coisa não existe. O patrão só quer saber de ter sua mercadoria entregue no prazo, era para isso que estava sendo pago afinal de contas, então o jeito era esperar aquele diacho de chuva passar e botar o pé na estrada.

- Ei! Você nem parece que está ouvindo o que eu estou te contando. - Repreendeu-o o rapaz sentado à sua frente.

Por um minuto esqueceu que estava ali sentado naquela mesa acompanhado do garoto naquele dia. Apesar da aparência sofrida, Jaime deveria ter no máximo uns vinte quatro ou vinte e cinco anos - pelo menos era o que os seus olhos entregavam. Assim como Lucas, desde muito novo estava naquela vida, viajando para todos os cantos dentro da cabine de um caminhão.

- Desculpa garoto, acho que me perdi nos pensamentos. - Retratou-se Lucas. - O que estava falando mesmo?

- Eu estava te contando, que o cara pegou o porrete, na verdade parecia um taco de baseball cheio de arame farpado, e pow! Lascou na cabeça do coitado do Glenn. O olho dele saltou para fora, foi a coisa mais nojenta que eu já vi, e depois ele continuou batendo até não sobrar mais nada de cabeça, só uma gosma esquisita.

Lucas fechou a cara em desaprovação.

- Olha, garoto, eu acho que você tem que parar de assistir este monte de porcaria. Isso não faz bem para ninguém não, rapaz.

- Para com isso, seu Lucas. - Continuou Jaime bebendo outro gole de seu café. - Este seriado é muito louco, você devia assistir também. É muito melhor do que aquele jornal sanguinolento que você gosta. "Corta pra mim. Corta pra mim." - Completou com uma careta e um tom de voz engraçado. - Aquilo sim é porcaria.

- Aquilo lá é informação, nada mais que a verdade, não uma historinha de horror inventada por quem não tem o que fazer da vida.

Jaime revirou os olhos.

Elafium: A guerra ocultaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora