VINTE E DOIS

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Apesar de sentir a fraca brisa do ar condicionado às suas costas, o ambiente abafado que se concentrava dentro daquela pequena sala fazia com que gotas de suor lhe descessem pelas têmporas e a raiva contida por Sofia até então parecia não caber mais dentro de si piorando ainda mais a sensação de claustrofobia.

Estava sentada em uma desconfortável cadeira atrás de uma mesa cinza. A sala sem janelas, tinha apenas uma porta que se encontrava fechada e uma câmera de segurança pendurada no alto da parede a observava sem piscar, zunindo vez ou outra quando se movia. Sofia fazia questão de expressar seu olhar de completa aversão para o tal olho eletrônico enquanto suas pernas insistiam em sacudir desnorteadas embaixo da mesa.

- Se daqui um minuto ninguém entrar por esta porta, eu juro que quebro esta merda no chute. – Pensou encarando a câmera com furor.

Como se tivessem acabado de ouvir sua ameaça psíquica, estranhamente a porta se abriu com um rangido e Alexandre Maia entrou compassadamente.

- Nossa, está quente aqui dentro, não acha? – Questionou Maia exibindo um irritante sorriso amarelo.

Sofia apenas o fuzilou com o olhar e continuou sentada tentando controlar a fúria das pernas.

- Vou abaixar um pouco a temperatura, ok? – Disse acionando um pequeno controle remoto que estava em seu bolso. – Pronto, bem melhor.

Maia então se sentou do outro lado da mesa e lançou estrondosamente uma pasta marrom na frente de Sofia.

- Muito bem senhorita Sofia Guerra, certo? A senhorita parece estar um pouco nervosa hoje.

- Vamos acabar com essa palhaçada Maia. – Disse Sofia desferindo o ódio enclausurado. – Faz mais de uma hora que você me deixou trancada dentro dessa porcaria sem me dar nenhuma explicação.

.- Não seja dramática Sofia. Não faz nem meia hora que eu te deixei aqui.

- Pois então eu acho melhor você arranjar outro relógio, imbecil. Olha aqui! – Disse esfregando o relógio de pulso no nariz do rapaz.

- Puxa, acho que você tem razão. Devo ter perdido um pouco a noção do tempo. – Respondeu Maia visivelmente irônico. – Estávamos tentando descobrir alguma informação sobre o seu novo amiguinho. Se ao menos a senhorita estivesse nos auxiliando talvez não tivesse que esperar tanto.

- Eu já te falei que não sei nada sobre aquele cara. – Gritou Sofia batendo na mesa.

- Eu aconselho a senhorita a se acalmar e responder minhas perguntas.

Sofia então fechou os olhos com força e passou as mãos no rosto respirando profundamente como se invocasse a ajuda divina.

- E então? Quer que eu peça um copo d água? – Questionou Maia ainda sarcástico.

- Maia, eu já vou te avisar desde agora, se isto tudo fizer parte de uma cena de ciúme sua, eu juro que boto fogo na sua casa contigo dentro.

- Ameaças agora não irão lhe ajudar em nada, Sofia.

- Então corta logo o papo furado e diga o que quer de mim.

- Está certo, vamos começar novamente. – Continuou Maia se levantando.

- Você é péssimo fazendo isso. – Constatou a enfermeira o observando com o canto dos olhos.

- Agradeça por ser eu quem está te interrogando hoje. Conheço um baixinho mal humorado que faria você implorar por minha presença em menos de cinco minutos.

Sofia o encarou com desdém antes de questionar:

- Desde quando você é um agente da C.H.As.E.?

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora