QUARENTA E OITO

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O corpo sem vida de Micaela jazia sobre uma enorme poça de sangue que tomava as pedras sobre o chão, manchando sutilmente os pés dos Sareden que sem reação assistiam a cena. A enorme kasini de Gael em forma de tridente se mantinha fincada no abdômen da guillen enquanto ela com os olhos espantados e a boca borbulhando o sangue enegrecido vislumbrava o céu índigo.

- Quem é você jidank koriarve? – Gritou Zuriel com a fúria escapando pelos olhos enquanto tentava se desvencilhar das garras das criaturas que o detinham.

- Eu sou sua salvação Zuriel. Sou aquela que veio libertá-los dessa cela invisível. – Respondeu Zaaria com a voz suave. – Vocês nunca mais sofrerão nessa prisão de carne que o Ehden lhes sentenciou.

- Perdeu o juízo por acaso beriarti? – Questionou Estéfano. – Não vejo sentido em suas palavras.

- E nem precisa mah duk! Vocês estão cegos e precisam enxergar a verdadeira luz. Devem se render a Il Sabar e oferecer isso que consideram vida em sacrifício a ele.

- Isso só pode ser uma piada. – Gargalhou Estéfano.

- Porque a matou? O que foi que ela te fez? – Questionou Zuriel sob os dentes cerrados.

- Não fui eu quem a matou e sim você. – Respondeu Zaaria com um sorriso obscuro.

- Shishin-in koriarve. Eu sequer toquei nela. – Replicou Zuriel ultrajado.

- Novamente Micaela se deixa levar pelos encantos de seu kifon e a estupidez vence outra batalha. – Disse Zaaria enquanto com um olhar de desprezo fitava a vitima aos seus pés. – Eu não compreendo qual o tipo de magia te acompanha Zuriel. Como é capaz de fazer isso com todos que se aproximam?

- Do que está falando criatura?

- Eu tentei avisá-la, disse quão perigoso você era. – Continuou Zaaria aparentemente em algum tipo de transe antes de arrancar violentamente a kasini do corpo de Micaela. – Mas a pobre criatura era fraca e não conseguiu resistir. – Se agachou então para lhe acariciar a face. – Mas no fim quem pode culpá-la? Afinal nunca tinha saboreado essa profusão de paixões antes.

- Espera um pouco! Como você conhecia Micaela? – Estranhou Zuriel.

- Às vezes me esqueço dessa ingenuidade que lhes assola. - Riu Zaaria sem tirar os olhos de Micaela.

- Responda insikirus drohkine(1), eu exijo que me fale a verdade. – Ordenou Zuriel.

Os olhos vermelhos de Zaaria tilintaram em furor.

- Drohkine? – Repetiu a beriarti se aproximando do guillen. – Como ousa dizer isso? Ninguém me chama assim. – Vociferou.

- Mas é exatamente isso que você é. Uma serva dispensável de Il Sabar, que será descartada assim que não tiver mais utilidade.

- Cuidado com suas palavras guillen. Eu não sirvo a mais ninguém, sou dona dos meus caminhos.

- Não é o que demonstra. Suas palavras a favor de Il Sabar só me levam a crer que não passa de mais um serviçal imprestável que não consegue raciocinar sozinho, enviado pelo Ascor em mais uma baldada tentativa de abalar os grandes guerreiros do Ehden. Mas adivinha só, não é uma ordinária criatura peçonhenta feito você, que irá nos abalar. Nós somos uma irmandade forte capaz de derrubar qualquer ameaça que este teu tão idolatrado beriascum possa nos mandar. Portanto, alaskinih beriarti, aproveite este seu curto momento de vitória, porque ainda hoje sua cabeça e a de todas essas criatura imundas serão separadas dos corpos ao som de minha kasini.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora