DEZOITO

71 11 4
                                        

Apesar de ter sofrido diversos atentados a sua integridade física durante os últimos dias - com destaque para as cenas reais de Splatterhouse que viveu dentro de sua própria casa há poucas horas atrás – Sofia Guerra não havia sentido tanto medo e tensão até aquele momento em que observava sem poder fazer nada sua amiga Glória Costa desmaiada naquela pequena cama como se tivesse tido a alma abduzida do corpo.

Desde o momento em que identificou a amiga caminhando na rua deserta, Sofia não teve sossego e não saiu do seu lado na ânsia de vê-la despertando novamente, por isso quando conseguiu notar que Glória começava finalmente a se mexer, quase não se conteve de alegria.

- Glória! Glória, você está me ouvindo? – Disse sacudindo a amiga pelos ombros. – Responde criatura.

- Sofia é tu? – Respondeu a fisioterapeuta com a voz ainda falhada. - Minhas vistas estão um pouco embaçadas, quase não te reconheci.

- Sou eu mesma. Você está bem? Como está se sentindo?

- Estranha, meu estômago tá todinho embrulhado. – Disse levando as mãos ao abdômen. – Onde eu estou? Quem são essas pessoas?

Ao lado de Sofia estavam em pé outras três figuras lhe encarando com preocupação.

- Você está na casa de uma vizinha minha. Dona Amina. – Respondeu Sofia.

- Olá queridinha tudo bem? – Cumprimentou a senhora. – Ainda bem que acordou. Sinta-se a vontade, eu vou até a cozinha lhe preparar um chá e já volto. – Disse se retirando do quarto.

- Obrigada! – Agradeceu Glória ainda confusa.

- Estes aqui são Zuriel e Estéfano. Eles são, é... sobrinhos de dona Amina.

- Olá Glória, você por acaso consegue se lembrar o que aconteceu contigo? Como veio parar aqui? – Questionou Zuriel se aproximando.

- Não, eu nem sei ainda onde estou rapaz. Só me recordo de estar me preparando para ir trabalhar logo cedo e depois puff! Não me lembro de mais nada, aliás, que horas são? Eu devo estar atrasada para o plantão.

- Agora é quase meio-dia. – Respondeu Sofia.

- Como assim? – Espantou-se a fisioterapeuta. – Há quanto tempo estou aqui?

- Você está deitada nesta cama a mais de cinco horas Glória. – Continuou Sofia. – Mas não se preocupe porque eu já liguei para a Gaetano e expliquei o que aconteceu contigo.

- E o que foi que aconteceu comigo?

- Você simplesmente estava caminhando pela rua e quando chegou aqui perto acabou desmaiando sem mais nem menos. – Explicou Zuriel. – Por sorte Estéfano conseguiu te segurar antes que pudesse se machucar.

Prontamente o shomer respondeu com uma piscadela para a fisioterapeuta que retribuiu com um sorriso falsamente encabulado.

- Mas o que é que eu vim fazer aqui minha gente. – Continuou Glória. – Estou a sei lá quantos quilômetros longe de minha casa, e eu vim a pé né, porque estou com uma dor desgranhenta na panturrilha.

- Pois é! A gente pensou que poderia ser alguma crise de sonambulismo. – Respondeu Sofia.

- Oxe, mas eu nunca tive isso. Além do mais eu estava acordada, me lembro muito bem disso. Não existe sonambulismo de gente acordada não, Sofia.

- Bom Glória mas isso não interessa né, na verdade o que importa é que agora você está bem. – Desconversou Sofia no intuito de fazer a amiga desistir dos questionamentos. – O melhor que tem a fazer no momento é descansar mais um pouco, quando se sentir melhor eu te levo para casa.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora