"Hela Bar e Lanchonete" - Anunciava a velha placa com letreiros luminosos em frente a um comércio do Bairro Industrial.
Alexandre Maia estava sentado em silêncio dentro de seu Gol 2005 em frente ao bar há alguns minutos apenas analisando o ambiente e sua movimentação.
Depois de ouvir sobre as descobertas de Sofia e pensar na conversa em sua casa, Maia julgou que talvez devesse seguir o conselho da namorada. Se conseguisse encontrar as provas que precisava poderia esfregar na cara do delegado Bonanssa, sem falar que seu ímpeto de investigador não sossegaria sabendo que havia pistas ainda não investigadas.
Por sorte lembrara que tinha feito uma ligação para a viúva de Roberto da Costa de seu celular para confirmar alguns dados mais cedo, então o número ficou armazenado. Sendo assim ligou novamente para a mulher com a desculpa de que precisava investigar os lugares que seu marido frequentava e facilmente descobriu que ele costumava ir a um tal bar do Zeca. Precisou apenas questionar as pessoas certas da região para encontrar o Hela bar e lanchonete.
O lugar ficava próximo de algumas grandes empresas da região e aparentemente funcionava como ponto de encontro dos jovens universitários da cidade durante as noites.
Maia decidiu então deixar o veiculo e investigar o interior do comércio. O ambiente era típico de um bar qualquer. Pouca luz, som alto, mesas de sinuca em um canto e um balcão comprido no outro onde eram servidas as bebidas. Talvez por causa do horário, o lugar ainda estava praticamente vazio. Dois engravatados conversavam bebendo uma cerveja em uma das mesas enquanto um grupo de mulheres beirando o histerismo, ria despreocupadamente em outra. Alguns garotos exageradamente animados gritavam vez ou outra durante uma partida de sinuca. De um lado do balcão, um homem fedendo a pinga e cigarros bebia algo em um copo enquanto xingava o repórter na televisão, do outro lado sentada em um banco uma solitária ruiva bem vestida e atraente dispensava duramente um dos garotos da sinuca que tentava lhe passar uma cantada.
Maia sentou então em um dos bancos do balcão entre o bêbado e a ruiva, bem em frente ao atendente que - como se estivesse contracenando em Era uma vez no oeste - esfregava alguns copos com um guardanapo de pano.
- E ai patrão. Vai beber o que hoje? – Questionou o rapaz.
Por um segundo pensou em não pedir nada, mas ao se lembrar que não estava mais ali como um policial, voltou atrás.
- Me vê um chope. Sem colarinho, por favor.
- Você é quem manda chefia. – Respondeu o atendente já sacando uma caneca de vidro da prateleira.
- Obrigado rapaz. – Agradeceu Maia ao receber a bebida. – Escuta por acaso você é o Zeca?
- Eu? – Surpreendeu-se o rapaz. – Não senhor. O Zeca é o dono daqui. Eu sou só um funcionário.
- Como é o seu nome?
- Cléber. Cléber Duarte.
- E você trabalha aqui todos os dias Cléber?
- Sim senhor. Das quatro da tarde a meia-noite.
- E por acaso você não conheceu um cara chamado Aloísio dos Reis?
- Aloísio? De nome assim não me lembro não.
- Ele era meio fortinho, pele morena. Trabalhava de segurança à noite em um galpão ali na Rua 13.
- Na Rua 13? - Repetiu o rapaz buscando a informação na memória. - Peraí! Acho que sei sim, foi o moço que morreu esses dias, não é?
- Isso, esse mesmo.
- Eu sei quem era sim. A gente o conhecia como Tatau, mas o que é que tem ele?
- Ele costumava vir aqui com freqüência?
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Elafium: A guerra oculta
Mystery / ThrillerCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
