TRINTA E OITO

45 8 3
                                        

Zuriel saiu tão rápido do alto da torre Batiatus após a breve conversa com o agente Axel Sulivan, que restou a Estéfano segui-lo na mesma velocidade para tentar obter alguma resposta do que poderia estar acontecendo.

Após passar uma boa parte de sua vida apenas clamando e vagando em uma interminável peregrinação para lugar nenhum, Estéfano não via a hora de voltar a ativa, mas se soubesse quão complicado seria seu kispine na tentativa quase impossível de monitorar Zuriel - sem falar em todas as demais complicações em que ele estava envolvido - talvez tivesse esperado por uma próxima oportunidade.

A Casa da yasan Amina se revelou ser em poucos dias um dos lugares mais obscuros e cheios de segredos que Estéfano já havia conhecido. Não conseguia mais nem contar nos dedos a quantidade de transgressões que observara e não queria nem imaginar quantas mais ainda poderiam surgir. Depois de sessenta anos de reclusão em seu kiput, não poderia nem pensar em se envolver com tamanha confusão, estava arriscando muita coisa. O correto seria invocar o primeiro pahtraco que estivesse disponível e sair correndo para delatar toda a Casa ao conselho Sareden. Mas por algum motivo, sua balança racional não estava funcionando corretamente. Era tudo culpa daquele lugar. Achou que depois de tanto tempo as coisas seriam diferentes, mas não tinha jeito, a emoção sempre falava mais alto na Terra e mesmo sabendo que no fim de tudo sofreria com as conseqüências novamente, lá estava ele entregue a uma excitação que fazia seu coração acelerar de uma maneira que não sentia há décadas.

Como era bom estar de volta.

Depois de atravessar boa parte do céu escarlate de Anga-Guaçu, Zuriel resolveu pousar em frente a casa de sua yasan, seguido de perto por seu shomer.

- O que estamos fazendo aqui? - Questionou Estéfano pousando ao seu lado.

- Preciso entrar.

- Por quê? O que foi que o agente lhe disse?

- Não tenho tempo para te explicar nada Estéfano. – Disse se dirigindo para porta de entrada. – Apenas me siga.

- Nahashan. Não dessa vez. – Respondeu o shomer agarrando o braço de Zuriel e o impedindo de entrar. – Ou você me conta o que está acontecendo ou ninguém vai entrar nessa casa hoje.

O guillen lhe olhou com reprovação, mas aparentemente voltou atrás no que tinha em mente.

- Hai, contarei rapidamente, está bem? – Disse largando a maçaneta. – Axel me disse que os ziruscus ainda podem estar lá onde foram vistos da última vez, só que estão invisíveis aos nossos olhos. Como se fosse um tipo de ensamur deles.

- Beriarti podem fazer isso?

- Eu também não sabia, mas aparentemente sim. O problema é que somente outro Ascarti é capaz de enxergá-los quando estão nesse estado.

- E como pretende encontrá-los então?

- Bom...eu tive uma idéia que talvez dê certo.

Estéfano ergueu as sobrancelhas, desconfiado do tom de voz do amigo.

- Veja bem. - Continuou Zuriel bastante apreensivo. - Para eu te explicar, tenho que contar uma história meio complicada antes e com certeza você não gostará do que vai ouvir, portanto eu te peço que antes de se opor a qualquer coisa ao menos me deixe tentar acabar com essa matança, depois pode me levar ao seu shanki que irei responder pelos meus atos.

O shomer respirou fundo apertando o canto dos olhos com as pontas dos dedos.

- Estou até com medo de perguntar, mas no que é que vocês se meteram dessa vez?

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora