Os efeitos da anestesia começavam a passar e Alexandre Maia podia sentir a dor em sua panturrilha aumentar gradativamente. Provavelmente estava na hora de tomar o remédio outra vez.
Faziam apenas algumas horas que haviam fechado o ferimento feito pela criatura que lhe abocanhara. Sua perna estava toda enfaixada e utilizava de muletas para se locomover e não forçá-la demais. Precisava urgentemente de um banho e cama, mas ao invés disso estava ali fechado em uma sala parecida com a sala de interrogatório que tinha na delegacia, sendo questionado de coisas que nem sequer tinha conhecimento.
- O senhor está me ouvindo? – Questionou a mulher ruiva aparentemente irritada.
- Hã? Não, me desculpe. Não estava prestando atenção. – Respondeu Maia atordoado. – Pode repetir?
- Mas no que o senhor está pensando? – Perguntou novamente a mulher.
- Na verdade... aquele cara em que você atirou me disse que eu tinha matado o Cérebro dele. Vocês sabem o que ele quis dizer com isso?
A mulher franziu a testa.
- Cérebro? – Estranhou. - Não seria Cérbero?
- Não sei! Pode até ser. – Afirmou Maia confuso. – O que é um Cérbero?
- Aff! Aquele cara era muito burro se achava que aquele cãozinho tosco era um Cérbero. – Respondeu outro rapaz que se encontrava com eles. – Mereceu morrer mesmo.
- Axel, não diga isso! – Repreendeu a mulher.
- É verdade Ana! – Continuou o rapaz. – Pra começar que um Cérbero tem três cabeças e são todas idênticas, sem falar que são criaturas mitológicas, não existem de verdade. Só por isso já merecia ter tomado um pau. - Concluiu com um estranha careta mostrando a língua. - Além do mais eu nunca tinha ouvido falar dessa criatura esquisita que ele cuidava feito um bicho de estimação, e eu sou o melhor naquilo que faço, portanto você já sabe né? Na minha opinião essa aberração que ele tinha era na verdade um baskivan disfarçado.
- Lá vem você de novo com essa história. – Lamentou a mulher revirando os olhos.
- Um baski o que? – Questionou Maia completamente confuso.
- Ai meu Deus, mais um imbecil. – Continuou o rapaz batendo com a palma da mão em sua testa.
- Axel se controle. – Repreendeu a mulher novamente. – baskivan, senhor Maia, é um tipo raro de beriarti capaz de copiar a aparência de qualquer tipo de ser vivo por um tempo indeterminado.
- Coisa que qualquer um que não seja um completo imbecil já sabe. – Replicou Axel.
O homem lhe lançou um olhar de estranhamento.
- Na verdade nunca ninguém provou sua existência, mas meu colega aqui tem uma certa obsessão por esse assunto, mesmo podendo ser apenas uma lenda.
- Não é uma lenda, eu tenho certeza disso. Existem relatos que comprovam sua existência, só é muito difícil de identificá-los. Até mesmo esse tonto poderia ser um baskivan tentando nos enganar agora.
Maia então cerrou as sobrancelhas, ofendido.
- Não liga para ele senhor Maia, meu amigo aqui é fascinado por teorias da conspiração. - Amenizou a mulher. - Saiba Axel que eu acho mais fácil você encontrar um Mew do que um baskivan.
- Muito engraçado, nerd. – Respondeu Axel irritado.
- Ah, e de quem é a culpa disso?
Maia se sentou então apoiando a perna em outra cadeira enquanto ouvia aquelas duas pessoas discutirem algo que, talvez por causa do cansaço, não fazia o menor sentido para seus ouvidos.
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Elafium: A guerra oculta
Mystery / ThrillerCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
