QUARENTA

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- Eu confesso que ainda não entendi porque fomos obrigados a trazer este garoto tonto. – Disse Golias inconformado.

- Eu não sou tonto! Tonto é você! – Retrucou Axel.

O agente Pedro Golias estava sentado no banco do passageiro da Captiva prata guiada por Dani Barbara. O automóvel, com a frente amassada e o pára-choque pendurado do lado esquerdo, seguia a toda velocidade por uma rodovia estadual nas mediações de Anga-Guaçu. No banco de trás se encontrava o agente Axel Sulivan agarrado ao cinto de segurança com toda a força que possuía.

- Nós não tínhamos muita escolha. – Respondeu Barbara. – Ele ameaçou nos entregar ao agente Wilson se não viesse.

- E você acreditou? – Questionou Golias. – Sulivan só estava querendo bisbilhotar.

- Não é nada disso. – Protestou Axel. – Quando eu vi vocês dois saindo escondidos da enfermaria, eu sabia que era porque o agente Golias estava planejando alguma coisa ruim.

- Cala a boca garoto! – Ordenou Golias irritado. – A única coisa ruim que estou planejando nesse momento é te arremessar para fora deste carro.

- Eu não confio nele, Dani. Ele está tramando algo. – Presumiu Axel.

- Pode ficar tranqüilo Axel, eu também não confio. Mas prometo que vou ficar com os dois olhos bem abertos sobre ele.

Golias revirou os olhos bufando.

- É aqui! Vire à direita. – Ordenou então ao localizar a rua que deveriam entrar.

- Tem certeza? – Estranhou Barbara. - Esta estrada parece que não vai dar em lugar nenhum.

- Você por acaso sabe onde fica o labirinto dos Leões? – Questionou o anão impaciente.

- Não! Não conheço quase nada dessa cidade.

- Então fica quieto e me obedece. Temos que chegar logo neste local antes que o tal freezer ambulante desconfie de algo e resolva sumir de vez.

Barbara então acionou a seta para a direita e obedeceu ao colega.

Dirigiram por cerca de meia hora por curvas e ladeiras que pareciam piorar a cada quilômetro conquistado. Os buracos surgiam cada vez maiores enquanto a passagem se estreitava progressivamente.

Em um determinado momento, avistaram uma pequena placa de madeira desgastada indicando uma curva à esquerda com os dizeres: "Vale das Pedras". Golias confirmou com a mão e Barbara seguiu a ordem.

A estrada seguia o entorno da colina em uma subida aparentemente interminável. Depois de três placas indicativas, se depararam com um bloqueio no meio do caminho que impedia a passagem do veiculo.

- Mas que droga é essa? – Surpreendeu-se Barbara.

Golias nada respondeu e com um salto repentino, desceu do carro para verificar outra placa suja de barro que se encontrava junto à enorme pedra pousada na lateral da rua.

"Estrada interditada. Perigo de desmoronamento." – Leu em voz alta ao se aproximar.

O pequeno agente sem desanimar, pulou a barreira e continuou caminhando.

- Onde você está indo? – Questionou Barbara.

- Não está longe. Se não dá para seguirmos de carro, continuamos a pé mesmo. Vamos logo.

Contrariados, os dois o acompanharam pulando para o outro lado também.

Em menos de dez minutos de caminhada encontraram o motivo do bendito bloqueio. Um pedaço da estrada de paralelepípedos havia cedido dando lugar a uma enorme cratera impedindo qualquer um de continuar, tanto de carro quanto a pé.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora