Sofia levantou-se com as pernas trêmulas e abraçou Maia como se nunca mais quisesse soltá-lo.
- Demorou, mas finalmente te encontrei. – Disse ele retribuindo o abraço.
- Porque você demorou tanto? - Reclamou então a enfermeira lhe estapeando o ombro. - Se fosse depender de sua agilidade como detetive, eu já teria morrido algumas vezes nessa vida.
- Puxa, mas além de mudar rápido de humor você é uma mal agradecida, viu! Sorte sua que eu te conheço bem e sei que está falando somente da boca para fora.
Ela revirou os olhos.
- Para de bobeira e me diga onde estamos. - Disse então.
- Mas eu também não sei. Nunca vi um lugar assim na região e olha que eu nasci em Anga-Guaçu, conheço muito bem essa cidade.
- Então como conseguiu chegar até aqui?
- Vim seguindo sua vizinha e o agente Golias. Atravessamos por um tipo de passagem mágica para Nárnia.
- Aquela velha mentirosa está aqui também? – Surpreendeu-se Sofia. – No mínimo deve estar envolvida com esse plano maluco da Micaela.
- Quem é Micaela?
- Não interessa, me ajude a levantar esse outro inútil para podermos ir embora desse inferno.
Maia então se agachou e colocou um dos braços de Plínio sobre os seus ombros enquanto Sofia o segurava pela cintura.
- Bom ao menos você conseguiu encontrar o tal do Plínio Bianco. – Constatou Maia.
- Pois é, mais uma vez tive que fazer o seu serviço, não é mesmo?
- Não sei se alguém já te falou isso, mas você é uma pessoa tão desagradável Sofia que eu começo a entender o motivo de tantas pessoas quererem te ver embaixo da terra.
Sofia deu de ombros
- Parece que este cara está mais pra lá do que pra cá. - Reparou Maia. – O que foi que aconteceu?
- Provou do próprio veneno.
- E então, era ele mesmo que estava por trás dos homicídios? Ele é o assassino?
- Mais ou menos, apesar de ser um banana, foi ele quem bolou o plano fantástico por trás das mortes, mas depois eu te explico melhor, vamos sair daqui de uma vez por todas.
Maia concordou e o trio continuou caminhando até os portões do castelo, porém subitamente outras duas cafineah aterrissaram em frente deles bloqueando a passagem.
- Sofia corre! Se esconde em algum lugar que depois eu te encontro. – Ordenou Maia já sacando seu revólver.
- Como eu faço isso carregando esse peso morto nas costas? – Gritou inconformada.
Maia sequer deu ouvido às palavras e logo já estava concentrado no ataque às duas criaturas que o cercavam. Sob o som do tiroteio, Sofia começou a arrastar Plínio para o sentido oposta a saída o mais rápido que conseguiu, se distanciando da luta.
Em um determinado momento se virou para verificar como Maia estava indo e avistou outra Cafineah ainda longe, mas voando em seu encalço.
- Plínio, eu preciso que você me ajude agora. – Ordenou a enfermeira se esforçando para continuar a caminhada. – Nós precisamos correr o mais rápido possível para escapar daquela coisa.
O homem quase inconsciente, pareceu ouvir à suplica da colega e começou a andar com mais velocidade. Os dois então se encaminharam para a lateral do pátio que rodeava o castelo onde aparentemente antes existia um belo e comprido jardim, mas no momento estava tomado pelo mato alto e outras plantas e árvores parasitas. Estavam quase conseguindo alcançar o jardim, quando começaram a ouvir os gritos agudos da Cafineah se aproximando. Sofia então olhou para trás novamente e percebeu que faltava pouco para ela lhes alcançar. Procurou em todos os lados por um esconderijo mas nada achou, não tinham para onde fugir.
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Elafium: A guerra oculta
Mystère / ThrillerCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
