- Mas o que pode ter acontecido com este cara? – Questionou Sofia com um misto de surpresa e alívio estampado no rosto.
Do outro lado da cela o corpo inconsciente do truculento homem até então controlado por Lecto Sirrah, permanecia imóvel e contorcido no chão sem nenhum tipo de explicação lógica. Ao seu lado estavam jogadas a seringa que ele havia preparado para Sofia e o molho de chaves que utilizaria para abrir a porta da cela.
- Eu não faço a menor ideia. – Respondeu Plínio esticando o braço por entre as grades na esperança de alcançar as chaves. – Mas também não me importo, nesse momento só queria mesmo era conseguir pegar essa maldita chave.
- Está muito distante, você não vai conseguir. – Concluiu Sofia com desânimo.
- Será que não encontramos nada aqui dentro que possa nos ajudar? Uma vara ou alguma outra coisa?
Sofia vasculhou o ambiente com os olhos rapidamente.
- Não, parece que não tem nada. – Respondeu dessa vez com um certo tom de cansaço na voz.
- Mas que droga! – Xingou Plínio puxando a mão novamente para dentro da cela. – Eu devo ser o desgraçado mais miserável e sem sorte do planeta.
Sofia nada respondeu, apenas ficou observando o franzino homem se lamuriar para o teto enquanto procurava um lugar para se aconchegar no chão.
- O que era isso que ele pretendia me injetar? – Questionou então ela devidamente acomodada.
- Alguma sobra do composto 23.
- E para que?
- Sei lá! Nem sabia que eles ainda tinham. – Respondeu o homem desanimado enquanto tirava os óculos para coçar os olhos. – Mas ao menos você conseguiu escapar, já eu não tive tanta sorte assim.
- Como assim?
Plínio então se aproximou e mostrou à enfermeira a marca da agulha em seu pescoço.
- Eles te injetaram isso? Mas por quê? Achei que você fosse um aliado.
- Pois é! Acontece que antes de ser trazido até aqui resolvi quebrar o acordo que tinha com Il Sabar. Aparentemente a pena prevista para isso é a morte.
- Mas precisava ser dessa forma?
- Acho que eles ficaram meio irritados quando eu disse que não iria mais conseguir o composto 23. Essa deve ter sido a forma irônica que encontraram para se livrar de mim. Usar a minha descoberta em mim mesmo. Rá! – Riu com tristeza. - Maldito humor dos infernos.
- Qual o interesse desses caras nessa fórmula afinal de contas? – Questionou Sofia ignorando a revolta do homem.
- Bom, acidentalmente a minha ideia para cumprir com o zi-ascamon acabou revelando duas coisinhas muito interessantes para Il Sabar e sua trupe. – Respondeu Plínio com um sorriso irônico. – A primeira é que aparentemente o composto 23 possui uma reação um pouco diferente em guillen.
- Você aplicou o remédio em algum deles também? – Questionou Sofia surpresa.
- Até parece. – Respondeu como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. – Mas eles arranjaram alguma maneira de aplicar, eu só forneci a fórmula.
- E o que aconteceu?
- Pelo que eu entendi, o composto acabou apenas enfraquecendo os guillen, deixando eles mais vulneráveis. Tipo uma kryptonita, sabe? Eles não morrem, mas ficam bastante lentos.
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Elafium: A guerra oculta
Mistério / SuspenseCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
