QUARENTA E CINCO

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- Mas o que pode ter acontecido com este cara? – Questionou Sofia com um misto de surpresa e alívio estampado no rosto.

Do outro lado da cela o corpo inconsciente do truculento homem até então controlado por Lecto Sirrah, permanecia imóvel e contorcido no chão sem nenhum tipo de explicação lógica. Ao seu lado estavam jogadas a seringa que ele havia preparado para Sofia e o molho de chaves que utilizaria para abrir a porta da cela.

- Eu não faço a menor ideia. – Respondeu Plínio esticando o braço por entre as grades na esperança de alcançar as chaves. – Mas também não me importo, nesse momento só queria mesmo era conseguir pegar essa maldita chave.

- Está muito distante, você não vai conseguir. – Concluiu Sofia com desânimo.

- Será que não encontramos nada aqui dentro que possa nos ajudar? Uma vara ou alguma outra coisa?

Sofia vasculhou o ambiente com os olhos rapidamente.

- Não, parece que não tem nada. – Respondeu dessa vez com um certo tom de cansaço na voz.

- Mas que droga! – Xingou Plínio puxando a mão novamente para dentro da cela. – Eu devo ser o desgraçado mais miserável e sem sorte do planeta.

Sofia nada respondeu, apenas ficou observando o franzino homem se lamuriar para o teto enquanto procurava um lugar para se aconchegar no chão.

- O que era isso que ele pretendia me injetar? – Questionou então ela devidamente acomodada.

- Alguma sobra do composto 23.

- E para que?

- Sei lá! Nem sabia que eles ainda tinham. – Respondeu o homem desanimado enquanto tirava os óculos para coçar os olhos. – Mas ao menos você conseguiu escapar, já eu não tive tanta sorte assim.

- Como assim?

Plínio então se aproximou e mostrou à enfermeira a marca da agulha em seu pescoço.

- Eles te injetaram isso? Mas por quê? Achei que você fosse um aliado.

- Pois é! Acontece que antes de ser trazido até aqui resolvi quebrar o acordo que tinha com Il Sabar. Aparentemente a pena prevista para isso é a morte.

- Mas precisava ser dessa forma?

- Acho que eles ficaram meio irritados quando eu disse que não iria mais conseguir o composto 23. Essa deve ter sido a forma irônica que encontraram para se livrar de mim. Usar a minha descoberta em mim mesmo. Rá! – Riu com tristeza. - Maldito humor dos infernos.

- Qual o interesse desses caras nessa fórmula afinal de contas? – Questionou Sofia ignorando a revolta do homem.

- Bom, acidentalmente a minha ideia para cumprir com o zi-ascamon acabou revelando duas coisinhas muito interessantes para Il Sabar e sua trupe. – Respondeu Plínio com um sorriso irônico. – A primeira é que aparentemente o composto 23 possui uma reação um pouco diferente em guillen.

- Você aplicou o remédio em algum deles também? – Questionou Sofia surpresa.

- Até parece. – Respondeu como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. – Mas eles arranjaram alguma maneira de aplicar, eu só forneci a fórmula.

- E o que aconteceu?

- Pelo que eu entendi, o composto acabou apenas enfraquecendo os guillen, deixando eles mais vulneráveis. Tipo uma kryptonita, sabe? Eles não morrem, mas ficam bastante lentos.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora