QUARENTA E QUATRO

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A planície verde e uniforme se estendia feito um macio carpete para todos os lados que olhavam. Apesar de o sol brilhar com certa intensidade no céu, um constante vento frio e cortante atravessava a pele, gelando até os fios de cabelo. A sensação térmica parecia ainda menor devido a velocidade em que voavam para atravessar toda a extensão da campina.

Micaela seguia logo atrás dos colegas ao mesmo tempo admirada e intrigada com a beleza daquele local revelado pelo guarda-roupa. Não existia nada ao redor além de vegetação, pelo menos até onde os olhos conseguiam alcançar. A única coisa que se destacava no horizonte era uma exuberante elevação na geografia do terreno que findava em uma colina coroada por uma imponente edificação de pedras. Por falta de opções, era para lá que estavam seguindo a toda velocidade.

Novamente a apurada intuição de Zuriel lhes haviam revelado algo no mínimo suspeito, que poderia até não ser a solução final para sua busca, mas que inquestionavelmente era passível de uma investigação mais profunda.

Os três pousaram então no alto do morro onde uma estreita ponte atravessava um precipício dando passagem até o edifício, que de perto parecia ainda maior. Tratava-se de um típico castelo medieval aparentemente abandonado. Era cercado por grandes muros de pedras e quatro torres circulares em seus limites. A ponte que dava acesso a sua entrada principal estava livre e o enorme portão de madeira que antes protegia sua entrada, agora jazia caído no chão.

Estéfano sem alarde, levantou vôo e circulou por toda a área do prédio retornando em poucos segundos.

- Aparentemente está vazio. – Constatou pousando ao lado dos companheiros.

- Mas assim como no casarão, podemos esperar por alguma surpresa. – Afirmou Zuriel.

- Que lugar é este afinal de contas? – Questionou Micaela ainda inconformada. – Como podem ter certeza que estamos no lugar certo?

- Bom, o guarda-roupas que nós atravessamos era indiscutivelmente um carisman disfarçado para conter aquele portal. Se estava tão bem escondido era porque queriam que apenas os Ascarti pudessem saber de sua existência. – Afirmou Zuriel. – Sendo assim tenho quase certeza de que estamos no caminho certo.

- Concordo. – Completou Estéfano. – E a existência desse castelo confirma ainda mais essa teoria. Beriarti são megalomaníacos por natureza. Adoram se exibir.

Micaela concordou torcendo a boca.

- Dessa vez acho melhor seguirmos juntos. Estamos em menor número e não temos ideia do que podemos encontrar. – Sugeriu Zuriel.

Estéfano assentiu e os três iniciaram a caminhada rumo a entrada.

O pátio interno tinha um formato retangular e estava coberto de sujeira trazida pelo tempo. Do centro emanava uma fonte circular preenchida com uma água verde e fétida onde no meio surgia com altivez uma grande estátua de uma mulher alada com o peito desnudo segurando com uma das mãos a cabeça decapitada de um homem.

Estavam no Recinto das cafineah. Um castelo construído no século XI por Victor Valencio, um jovem nobre, fiel seguidor do beriascum Il Tiberium e um verdadeiro admirador das criaturas do sub-mundo, principalmente as cafineah, mas que ironicamente acabou sendo devorado por uma delas no fim da vida.

- Vamos andando, não podemos mais perder tempo. – Ordenou Zuriel.

Os três seguiram atentos em linha, sentido a entrada principal do castelo, onde através das grandes aberturas das janelas, a luz natural inundava poeticamente um amplo salão circular. O enorme pé direito obrigava os olhos a se erguerem em direção ao vasto teto abobadado, sustentado por uma sequência uniforme de colunas largas e esculpidas em mármore.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora