TRINTA E DOIS

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Alexandre Maia sempre se considerou um homem corajoso e disposto a enfrentar qualquer perigo, principalmente em sua profissão onde se via obrigado e se aprofundar nos mistérios que investigava sem se importar muito com a gravidade das descobertas, porém analisando os últimos acontecimentos em seu novo emprego, começava a se questionar até quando duraria esta sua virtude. Em mais de seis anos como investigador de policia, havia se machucado apenas uma vez quando foi atingido de raspão na coxa por uma bala durante uma perseguição, agora em menos de quarenta e oito horas, quase teve a perna arrancada por um cão infernal, desafiara a gravidade voando dentro de um apartamento e fora baleado e espancado por uma amiga possuída por algum tipo de entidade do mal disposta a matá-lo. Levando a mão às costelas ainda podia sentir a dor da luta. Tinha quase certeza que alguma tinha sido fraturada

Não fazia a menor idéia de onde estava se enfiando, parecia um mundo a parte do que vivia, onde criaturas monstruosas e demônios estavam empenhados em acabar com sua frágil vida sem pestanejar.

Apesar disso tudo, não sentia medo. O desconhecido nunca fora um empecilho para ele, gostava de encarar as adversidades e enfrentá-las por mais absurdas que fossem, mas sentado ali naquela poltrona em um aconchegante quarto enquanto observava Anabella deitada em sua cama descansando dos horrores que enfrentara durante a madrugada, um calafrio lhe percorreu a espinha. Precisava compreender logo esta nova realidade em que se enfiara para conseguir proteger aqueles a sua volta. Anabella era uma verdadeira guerreira, até mais experiente que ele, mas já haviam descoberto o seu ponto fraco, sabiam onde a ferida doía de verdade e logo ela estaria desprotegida novamente, pronta para brincar de presa em um jogo de gato e rato.

Ele não conhecia nada sobre Lecto Sirrah, mas em pouco tempo pôde perceber quão perigoso e inconseqüente era o beriarti. Anabella não conseguiria enfrentá-lo sozinho, e logo aquele que havia chacinado toda a sua família, estaria de volta para terminar de vez o que começara.

Um raio de sol invadiu o quarto pela janela e iluminou os cabelos vermelhos da bela mulher. Suas sardas no rosto ficaram ainda mais aparentes sobre a clara tez e Maia percebeu um sorriso brotar em seu rosto ao observá-la ali tão fragilizada. Sabia o que isto significava e tentou tirar os pensamentos da cabeça a qualquer custo.

"Ela não é pro seu bico, imbecil!" – Se repreendeu em pensamento batendo na cabeça com as mãos. – "Mal acabou de sair de um relacionamento, se toca."

De repente, como se tivesse ouvido um tiro de canhão, Anabella acordou assustada. Ainda ofegante se pôs sentada na beirada da cama.

- Calma, calma! Você devia estar tendo um pesadelo. – Tranqüilizou Maia correndo para se sentar ao seu lado e lhe acariciar as costas.

- Eu estou em casa? – Perguntou confusa analisando o relógio no criado-mudo. – Porque estou aqui a esta hora? E o que você está fazendo aqui?

- Você não se lembra de nada que aconteceu ontem à noite? – Questionou o rapaz.

- Não sei, minha cabeça está doendo demais. – Respondeu levando a mão à testa. – Só me lembro de ir à casa de sua amiga procurar nosso suspeito.

- Tome! – Disse Maia lhe entregando um comprimido que se encontrava também sobre o criado-mudo. – Barbara disse que era para te dar caso você acordasse com dor de cabeça.

- Ok, obrigada. – Agradeceu engolindo o remédio a seco. – Onde está ele falando nisso?

- Quando eu cheguei aqui, ele me disse que precisava dar um pulo até a C.H.As.E. e me pediu para ficar de olho em você enquanto isso.

- Já faz tempo?

- Quase uma hora. – Respondeu checando o relógio.

- Ah, ta! Não acho então que vai voltar tão cedo, não é mesmo?

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora