VINTE E SEIS

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Seu estômago estava embrulhado naquele momento e não sabia ao certo qual seria o real motivo, se era porque estava sentada no banco traseiro de um veiculo com as mãos e pés amarrados a uma velocidade de 200 km∕h com destino a sabe lá Deus onde, ou se a culpa era daquele misto de ódio, frustração e melancolia que gradativamente vinha crescendo desde o momento em que se convencera que realmente era uma bukens.

O fato era que não podia fazer nada, afinal estava literalmente com as mão atadas. Só podia torcer para que aqueles dois estivessem falando a verdade e não tivessem feito nada contra Teresa mesmo.

Sofia Guerra sempre teve uma personalidade controladora e nunca lidou bem com situações que a forçavam a ser passiva e aguardar os próximos acontecimentos. Odiava não poder se mexer ou fazer qualquer coisa que pudesse mudar aquela situação.

Talvez tudo não passasse de uma mensagem divina lhe dizendo que não adiantava ela espernear porque nunca iria ter o controle de tudo.

Com ódio contido Sofia deixou escapar uma fraca risada nervosa enquanto pensava: "Porque eu?"

- Está achando alguma coisa engraçada enfermeira? – Perguntou Plínio sentado no banco do passageiro.

Sofia apenas o olhou com descaso por alguns segundos e voltou sua atenção a rua escura novamente.

- Sua amiga está bastante calada desde que deixamos a casa não é mesmo? – Disse Anabella que dirigia o veículo.

- Parece estar triste. – Concluiu Plínio a observando.

- Triste ela vai ficar quando chegarmos. – Riu Anabella. – Ai sim ela vai ter motivos para ficar triste.

- O que você está pretendendo fazer com ela Sirrah? Você me disse que não iria machucar ninguém.

- Relaxa Plínio, eu alguma vez já menti para você?

- Diversas vezes. Isso porque eu te conheço há alguns meses apenas.

- Acho que você está bem enganado a meu respeito, eu nunca minto. Vocês que tendem a não prestar a devida atenção nas palavras. Por exemplo: eu disse que não iria machucar ninguém hoje e cumprirei com minha palavra, mas eu não posso garantir se outra pessoa irá fazer algo com a senhorita Sofia. - Sorriu então.

- Que outra pessoa? O que você está me escondendo Sirrah?

- Não somos melhores amigos Plínio. Não sou obrigado a lhe contar tudo o que sei.

- Sendo assim eu me recuso a trabalhar para você. Nosso acordo está encerrado.

- Outro engano de sua parte. Você não trabalha para mim, nós dois trabalhamos para a mesma pessoa e você sabe muito bem que não pode quebrar um acordo com ele.

- Porque não? Eu não tenho mais nada para perder.

- Você é quem pensa, querido Plínio. Ele sempre sabe onde a ferida dói mais.

- Pois eu não me importo, estou muito arrependido de ter aceitado este acordo. Até agora somente eu cumpri com a minha parte, nada do que foi me prometido aconteceu.

- Este é o problema de trabalhar com demônios Plínio. – Respondeu Anabella em um tom sombrio. – Nada é como esperamos.

O silêncio novamente voltou a reinar no carro enquanto Plínio refletia nas palavras do comparsa.

- Eu sinto que devo lhe alertar também senhorita Sofia, que guillen também não são boas companhias. – Continuou Anabella. – Quando menos se espera, eles te levam para uma enrascada como esta que a senhorita se encontra.

- Nem me diga. – Respondeu a enfermeira ainda olhando para fora.

- O que são guillen, Sirrah? – Questionou Plínio.

- Nem queira saber mah duk. Nem queira saber. – Riu Anabella.

- Porque você fica chamando ela de Sirrah? – Perguntou Sofia confusa. – É algum tipo de codinome?

Ao ouvir a pergunta, Anabella gargalhou demasiadamente alto.

- Perdoe-me senhorita Sofia, acho que esqueci de me apresentar. Meu nome é Lecto Sirrah. - Disse então.

- Este nome não me é estranho. – Pensou Sofia em voz alta. – Você então se disfarça de agente mas na verdade é uma traidora que trabalha para algum beriarti?

Ao perceber a confusão causada na enfermeira, Plínio apiedou-se e se virou para explicar a situação.

- Sofia, eu também não entendo muito como isso funciona, mas o que eu sei é que a agente Anabella não está mais aqui presente. O corpo dela está possuído por Sirrah.

- Possuído? – Estranhou Sofia. – Então ele é um demônio?

- Eu prefiro ser chamado de beriarti. – Respondeu Sirrah. – É o termo correto.

- Mas de onde você a está controlando?

- Ah minha querida, devido a um longo histórico que tenho nesse ramo, muitas pessoas estão loucas para me apanhar, por isso ninguém pode ter esta informação.

- Isto é verdade! – Concordou Plínio. - Eu até hoje não sei qual é a cara do Sirrah. Cada vez que eu o vejo ele está usando uma pessoa diferente.

- Espera aí! Era você então que estava controlando a Glória aquele dia em que ela apareceu toda estranha, trazendo a cabeça de uma guillen na bolsa?

- Touché, minha cara! – Concordou o beriarti com uma piscadela.

- E foi você também que trouxe aquele homem até minha casa de madrugada?

- Não! Isto já não foi obra minha.

- Então foi obra de quem? – Questionou Sofia curiosa. – Ele ficava repetindo a mesma coisa que a Glória naquela manhã. Não sei o que, não sei o que, Il Sabar.

- Você conhece Il Sabar? – Questionou Plínio surpreso.

- Não, mas aparentemente ele quer algo comigo. Não para de me perseguir.

- Olha nisso eu concordo com a senhorita. – Concordou Lecto Sirrah.

- Como assim, o que você sabe sobre isto? Quem é este cara? O que ele quer de mim?

- Não se preocupe Sofia. – Disse Sirrah com um sorriso enigmático estampado no rosto. – Na hora certa você irá conhecer mah beriascum.

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Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora