CINQUENTA E CINCO

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Plínio Bianco era uma pessoa que estava muito abaixo do IMC ideal, portanto aparentava ser extremamente fraco, principalmente durante os últimos dias em que raramente havia se alimentado o que acabara salientando as formas de seu esqueleto, mas naquele momento em que tentava esganar Sofia com as próprias mãos parecia ter invocado Shazam ou ter recebido de presente um cristal de Cyttorak.

O ataque surpresa impediu que Sofia tivesse qualquer reação e agora, com muita dificuldade, tentava a todo custo se livrar do domínio do morto-vivo que parecia empenhado em torná-la sua companheira.

Sua feição havia se transfigurado. Os olhos azuis e tristes deram espaço para outros avermelhados e banhados em ódio, além disso um constante e estranho grunhido agravava seu aspecto demoníaco.

Em uma manobra brusca, Sofia conseguiu arrancar as mãos que apertavam seu pescoço e se virou para o lado derrubando Plínio no chão.

Em poucos segundos os dois já estavam em pé novamente travando uma disputa mais parecida com um tipo de ciranda de um lado para o outro.

- Plínio pare com isso, sou eu Sofia! – Clamou a enfermeira torcendo para que ele de alguma maneira pudesse ouví-la. – Você precisa se esforçar e tentar sair desse transe, nós ainda podemos te salvar.

O homem sem dar ouvidos, continuava lhe encarando como se fosse algum tipo de animal prestes a abocanhar sua presa.

- Plínio, preste atenção. Você não tem motivos para me matar, eu estava contigo esse tempo todo presa, nós somos colegas, cúmplices.

Dessa vez as palavras pareceram irritá-lo ainda mais e com um súbito salto se arremessou sobre ela, que se desviou no momento exato. Algo então chamou a atenção dele no chão e rapidamente se agachou retornando com um pedaço comprido de ferro enferrujado nas mãos, na sequência correu em direção a Sofia e começou a desferir golpes.

Assustada, Sofia conseguiu se desviar das prováveis pancadas mortais e em um determinado momento agarrou a outra extremidade da barra de ferro. Uma disputa de forças começou a ser travada então.

- Pare com isso seu imbecil, não sou eu quem tem que atacar. – Insistiu Sofia tentando arrancar a barra das mãos de Plínio. – São aqueles lá dentro.

O homem continuava sua luta incessante até conseguir empurrá-la para trás. Ela então caiu e largou a barra, mas logo tratou de se levantar quando viu Plínio com a barra erguida pronto para lhe acertar a cabeça. Saiu correndo então para o outro lado da cocheira.

Plínio por sua vez correu ainda mais rápido ao seu encontro, e ao alcançá-la conseguiu atingir suas costas com o seu ombro de maneira tão violenta que a fez sair voando por cima do pequeno muro que separava a cocheira do pátio interno.

Toda a balbúrdia causada pelos dois acabou chamando a atenção dos que estavam no pátio.

- Sofia! – Gritou Zuriel surpreso ao avistar a enfermeira caída no chão.

A cafineah que o vigiava, imediatamente lhe aplicou um golpe nas costas o fazendo aquietar-se novamente. Zaaria então ordenou algo e as outras duas beriarti correram em direção da dupla que surgira lhes trazendo arrastados até sua rainha.

- Veja só que coincidência Zuriel. – Disse Zaaria sorrindo. – Foi só comentar da pequena zamon que feito mágica ela apareceu.

- Não ouse tocar nela Zaaria. – Desferiu o guillen com ódio.

- Aia, até aprendeu meu nome.

- Zuriel, ela está tentando te enganar. – Alertou Sofia com os braços presos pela Cafineah. – Ela é na verdade Micaela disfarçada. Não foi o Gael. Ele está preso na masmorra.

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora