- ...e segundo o agente Wilson, o único castelo que ele conhece que bate com nossas descrições fica no Uruguai, você acredita? No Uruguai! – Repetiu incrédulo. – Não sei quanto a você, mas eu ainda acho isso tudo muito louco, vou demorar demais para me acostumar com tudo isso Só sei que depois dessa história de castelo eu posso até considerar que já fiz uma viagem internacional.
Maia então gargalhou feito uma criança enquanto vasculhava a despensa, mas Anabella que escutava tudo a apenas poucos passos, mal conseguiu dar um sorriso sem graça em resposta. Ele por sua vez ao perceber que não estava agradando correu para se retratar.
- Puxa, me desculpa Ana! – Respondeu então o agente se retirando do cômodo e apagando a luz. – Eu estou aqui falando que nem um tonto e você não está nem um pouco a fim de ouvir não é?
Aproximou-se então e a apertou forte contra seu peito.
- Desculpa! – Reforçou.
- Não precisa se desculpar Maia, eu agradeço que você esteja tentando me animar, mas honestamente acho que nada vai conseguir por um bom tempo.
- Bom eu já disse que pode contar comigo para o que der e vier, não é? Se quiser eu passo o dia inteiro aqui contigo, até me mudo de vez para sua casa... quer dizer, é... só como amigo, sem nenhuma outra intenção... você entendeu né?
Anabella sorriu com certo desanimo.
- Não precisa de nada disso. – Respondeu então a ruiva. – Aliás, nem precisava de toda essa busca tão minuciosa aqui em casa. Eu sei me defender muito bem sozinha ou já se esqueceu da surra que levou outro dia?
- Surra? – Surpreendeu-se o agente rindo. – Eu não tomei surra nenhuma, não senhora. Fique sabendo que eu tive que me conter, na verdade deixei você me bater.
- Conta outra Agente Maia, você não dura nem cinco minutos na minha mão.
- Olha, se formos considerar a quantidade de faixas e troféus de luta acumulada naquele quartinho lá em cima, eu devo ficar realmente preocupado. Você é a filha perdida do Bruce Lee por acaso?
Anabella sorriu novamente.
- Mas se quer saber minha filha, eu tenho experiência de rua, e isso conta muito mais. – Continuou Maia.
- Ah é? Você é tipo um gangster então? Cheio de experiência nas ruas. Olha estou começando até a ficar com medo.
- A sua sorte senhorita Ricoletti, é que somos amigos e eu não costumo bater em mulheres. Nosso último e único duelo ocorreu contra minha vontade. – Continuou ele. – E somente porque naquele momento não era você que...
Arrependido, Maia tentou cortar as palavras ao meio, mas ao analisar o rosto da garota imediatamente tomado pela tristeza, percebeu que já não adiantava mais.
- Puxa Anabella, me perdoa! – Suplicou sem saber o que dizer. – Eu não queria te deixar triste. Às vezes falo demais.
A agente durona o olhou com o canto dos olhos sem conseguir evitar as lágrimas de escorrerem. Maia imediatamente correu para abraçá-la.
- Por favor não chora! Eu sou um imbecil mesmo, Sofia sempre fala isso e tem razão. Acho que às vezes não penso antes de falar.
- Você não tem nada a ver com isso Maia, não se preocupe. – Respondeu Ana enxugando as lágrimas com as mãos. – É que eu ando tão exausta atualmente e essa descoberta de que Dani e Sirrah eram a mesma pessoa, simplesmente caiu feito uma bomba na minha cabeça. Estou completamente confusa e perdida, como se não existisse mais chão para caminhar. Durante todos esse anos ele foi minha fortaleza, foi quem me apoiou para superar a morte da minha família, ele se tornou minha única família e de repente eu descubro que na verdade ele estava zombando de mim este tempo todo, que era ele a pessoa que eu estava procurando. Lecto Sirrah é o ser que eu mais odeio no mundo enquanto Dani era o que eu mais amava. Isso não pode estar acontecendo.
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Elafium: A guerra oculta
Misterio / SuspensoCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
