- Eu simplesmente me recuso a acreditar nisso. – Repetia Asher inconformado enquanto andando em círculos pela sala, tentava se acalmar. – Não pode ser, eu conheço muito bem o Gael. Nós fomos treinados juntos e viemos na mesma época para a Terra. Eu sei muito bem que ele não seria capaz de cometer uma barbaridade desta. Matar os próprios irmãos, a própria kifon. Nahasham, vocês estão equivocados.
A pequena sala de estar desbotada da casa de dona Amina parecia ainda menor com todos seus guillen reunidos. As recentes descobertas de Baruc e Zuriel dividiam opiniões, ocasionando discussões calorosas entre o grupo.
- Eu sei que é difícil de acreditar Asher, mas as evidências são muito claras. – Respondeu Baruc. – Sarina foi morta por algo que atravessou violentamente sua kosire. Somente uma kasini seria capaz de fazer aquilo.
- E as marcas dos ferimentos deixadas no corpo dela foram obviamente feitas por um tridente igual ao de Gael. É a única kasini que poderia deixar tal estrago. – Concordou Zuriel.
- Não é possível, alguma coisa está errada nesta história. – Insistia Asher inconformado, tentando encontrar desesperadamente um álibi para o amigo. – Porque ele faria algo desse tipo? Não faz sentido Zuriel.
- Asher, a própria yasan nos disse que ele saiu com muita raiva daqui antes de desaparecer. – Respondeu Zuriel.
- Ele estava bastante revoltado mesmo. – Concordou Amina, até então calada. – Disse que não suportaria mais viver preso sob os meus domínios, que eu era uma mulher controladora que não permitia que nenhum de meus guillen fossem felizes. Eu estava apenas lhe aconselhando, afinal de contas não sou eu quem fez as leis para os Sareden, mas aparentemente esta foi a gota d'agua. Ele me informou com muita veemência que depois da missão que estava designado para ir com Sarina, iria cair do Ehden de vez e viver como naskiden ao lado de seu verdadeiro amor. – Amina então sorriu com deboche. – Parecia um adolescente zamon preso pela cueca. Mas enfim, depois disso nunca mais o vimos.
- Mas yasan, isto tudo deve ter sido falado em um momento de fúria. Não explica o fato de ele querer dizimar todos seus zarifon agora. – Defendeu Asher.
- Eu concordo mah dashinen. Na minha opinião isso não é motivo suficiente para um guillen que eu acolhi na minha própria Casa cometer tamanha insanidade.
- Talvez yasan, mas temos que admitir que não existe outra explicação. Tudo leva a crer que realmente Gael tenha se voltado contra nós. - Respondeu Zuriel.
- Asher, eu também demorei a acreditar, mas agora não me restam dúvidas. – Concluiu Baruc pousando uma de suas pesadas mãos sobre o ombro de seu kifon. – Acredito que ele deve estar fazendo isto apenas para atingir nossa yasan.
- Nahashan nisue Baruc. Eu sempre confiei nele, não é possível que tenha me enganado tanto. – Lamentou Asher.
- Hai mah duk, Talvez nosso garoto de ouro tivesse outros motivos além desse para mudar de lado nessa guerra. – Sugeriu Estéfano que até então permanecia mais afastado em silêncio.
Estranhamente as palavras de Estéfano acabaram causando uma comoção entre os presentes que se entreolharam nervosos como se quisessem em silêncio extirpar a voz do gigante que acabaram de ouvir.
- Eu já falei que está proibido de se manifestar koriarve. – Alertou Zuriel exalando ódio pelas pupilas.
- E eu achei que tinha sido claro quando lhe informei que não estou aqui para acatar suas ordens. – Retrucou Estéfano ajeitando a postura como se quisesse lembrar Zuriel da ameaça que estava enfrentando.
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Elafium: A guerra oculta
Детектив / ТриллерCom o intuito de fugir dos fantasmas de seu passado, a enfermeira Sofia Guerra resolve começar uma vida nova longe de sua família, em Anga-Guaçú - cidade do interior paulista que começa a sofrer com o repentino crescimento desordenado trazido por g...
