TRINTA E CINCO

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O local era úmido e muito escuro, não sabia nem ao menos dizer se estava de noite ou de dia. Estava sentado naquela desajeitada cadeira olhando para uma pequena porta de onde havia entrado há diversas horas, com as mãos atadas como se fosse algum tipo de assassino perigoso.

Bom na verdade era isso mesmo o que ele era, e talvez devesse ser preso realmente. Já estava consciente que depois que toda aquela história acabasse ele teria que pagar por suas escolhas e pretendia se entregar a policia, mas não contava que antes disso iria ser colocado em cárcere pelos seus próprios cúmplices.

Plínio Bianco então baixou os olhos para analisar as cordas que prendiam suas mãos e olhou para o lado para verificar a figura envolta pela escuridão que estava incumbida de vigiá-lo. Tratava-se de um homem truculento e careca que ele nunca vira antes, mas sabia muito bem de quem se tratava.

- Você não pretende me dar nenhuma explicação sobre o que está acontecendo aqui Sirrah? – Questionou então erguendo os olhos para o homem.

Lecto Sirrah apenas sorriu.

- Não! – Respondeu friamente. – Sinceramente isso não é da sua conta.

- Como não? Eu não me lembro que ser mantido em cativeiro como um bandido estivesse no nosso acordo. Eu já cumpri a minha parte, aliás fiz mais do que o combinado.

- Isso quem decide não é você, Plínio.

- Eu achei que nós fossemos parceiros.

- Não é possível que você seja tão ingênuo assim. – Riu Sirrah. – Você realmente acreditou que nós seriamos amiguinhos. Sua mãe nunca te ensinou a não confiar em beriarti? Pois então aprenda, eu não trabalho contigo, sou servo de Il Sabar e assim como você, estou apenas seguindo ordens.

- E quais são as ordens? O que ele ainda quer comigo?

- Se for bonzinho saberá em breve.

- Bonzinho? Bonzinho é tudo o que eu sempre fui na vida. Estou de saco cheio disso. – Explodiu Plínio insatisfeito. - Estou com fome, com sede e fraco. Eu não sei o que vocês querem de mim, não agüento mais isso.

Neste momento a porta à sua frente se abriu deixando um clarão de luz branca invadir a sala e ferindo seus olhos. Pôde perceber então o contorno de alguém entrando e imediatamente a porta se fechou lhe entregando à escuridão novamente.

- Hanu Lecto Sirrah. – Saudou uma voz rouca.

- Hanu Zaaria. – Respondeu o beriarti.

Plínio não conseguiu identificar a pessoa, porque além da penumbra, ela vestia uma capa preta com capuz que lhe cobria parte do rosto e todo o resto da cabeça, deixando apenas os olhos vermelhos e brilhantes à mostra. No pescoço exibia um colar com seis pequenas peças douradas que mais pareciam dentes de ouro.

- Porque está usando este corpo? - Questionou com uma voz tórrida à Sirrah.

- Hosan beriasone. - Desculpou-se o beriarti visivelmente desconcertado. - Estava em outra missão quando me convocou e não conseguiria chegar a tempo, então resolvi possuir o corpo desse homem para poder lhe servir melhor.

O encapuzado então rodeou Sirrah lhe encarando ameaçadoramente.

- Está dizendo que esta missão tem menos importância do que qualquer outra que esteja envolvido? - Disse então.

- Nahashan beriasone, eu tenho completa consciência da importância de nossa missão.

- Não é o que parece. Esta tarefa é a única coisa com que você deve se importar realmente, portanto eu não admito que tenha outra distração enquanto está me servindo. Não irei mais tolerar se aparecer novamente com outro rosto que não seja o seu verdadeiro. Compreendeu?

Elafium: A guerra ocultaOnde histórias criam vida. Descubra agora