02- Lindamente ferrado

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Certamente, não era um bom dia para levantar da cama, mas só o fiz por causa da minha mãe. Não bastava a baita dor de cabeça que me fazia pensar que logo perderia meus miolos, ainda tinha que dar de cara com um maluco buzinando desnecessariamente logo cedo no meio da rua. Se estava realmente com tanta pressa, que acordasse mais cedo. Lhe dar o dedo do meio não foi nada se comparado ao que eu queria fazer com a sua lata velha.

Ando cambaleante para dentro do colégio evitando ao máximo os fotógrafos. Já bastava ter sido parado três vezes por repórteres para dar estrevista as quais recusei. Não gosto nem de pensar no que fariam se soubessem que sou filho do Paul Taylor. Meu pai era um jogador de beisebol muito famoso, mas sempre preservou a minha identidade e a da minha mãe. Agradeço a ele por isso e espero que continue assim. Apesar de não estar mais conosco, realidade que me machuca muito, seu nome ainda é pronunciado em jornais, homenagens e programas esportivos.

Meu pai era realmente bom no que fazia e amava isso. Já vai fazer seis meses desde sua partida. Lutou contra um câncer feroz bravamente até não suportar mais. Sua aparência é nítida em minha memória como se ele ainda estivesse aqui. Resolvo sentar num banco de pedra no jardim do colégio. Temo perder o equilíbrio a qualquer momento. Com o rosto apoiado nas mãos, arrependo-me das bebidas da noite passada. A ideia de beber até desmaiar uma noite antes de vir ao primeiro dia de aula, agora não me soa muito inteligente.

Não que eu seja estúpido e não soubesse que estaria de ressaca na manhã seguinte, mas eu precisava me distrair com o peso que venho carregando e que só parece aumentar. Quando meu pai morreu, minha mãe ficou muito abalada e acabou perdendo o emprego. A empresa, sem um pingo de compaixão, a demitiu afirmando que ela se tornou uma "inútil" em seus serviços. Ela até poderia ter conseguido o emprego de volta depois, se eu não tivesse ido lá e armado a maior confusão.

E não, não precisei estar bêbado para fazer isso. E não, também não me arrependo. Minha mãe merece um emprego digno onde possam no mínimo, respeitá-la. Por causa da grande herança que meu pai nos deixou, estamos bem e podemos viver assim por um bom tempo. E mesmo que dure, dinheiro não é para sempre. Então enquanto minha mãe passa os dias em casa se recuperando, eu trabalho meio período como garçom na lanchonete de um amigo. Posso até receber pouco, mas esse pequeno salário sendo guardado no banco, quando eu menos esperar, se tornará muito.

Eu optaria por estudar em qualquer outro colégio que não fosse esse. Realmente conviver com caras idiotas e garotas mimadas não estava na minha lista de opção, mas depois da minha mãe insistir muito afirmando que seria bom para mim e que me traria muitas oportunidades, me fez mudar de ideia. Ok, admito, não mudei de ideia. Estou aqui mais por ela do que por mim. E se isso a deixa feliz, é isso o que vou fazer.

Sempre soube que a beleza da Academia Lawrence era incomparável, mas nunca estive aqui pessoalmente, apenas vi pela internet. Posso afirmar que esse lugar consegue ser ainda mais bonito. Grandes árvores com folhas verdes claras se espalham pelo jardim. A paisagem poderia estar mais bela se o tempo também estivesse. O céu está tomado por densas nuvens de chuva. Pergunto-me quando virá o verão.

Agora olhando ao redor pelos bancos de pedra, que assim como o que estou sentado, se encontram posicionados de baixo de toda árvore. Cada lugar desse colégio parece ter sido minimamente pensado ao ser criado. A organização me impressionara. Apesar da multidão que se encontra perto do portão central do colégio, meus olhos captam, no lado de fora, o carro de quem insultei mais cedo. Uma repentina curiosidade me invade.

Estreito meus olhos para ver melhor a porta do carro que se abre lentamente. As pessoas que estão ao redor, abrem caminho. Então começo a suspeitar de que pode ser alguém muito importante. Só espero, profundamente, que não seja alguém de uma alta hierarquia no colégio. A última coisa de que não preciso agora é de problema. Então finalmente posso vê-lo. Um homem alto, com roupas caras e de bom porte. Tem o andar firme e esbanja autoridade. Em seguida, duas garotas saem do carro com a farda do colégio e fazem o mesmo caminho que ele.

Todos ao redor apenas os observam admirados. Já os fotógrafos, não perdem a oportunidade de tirar uma foto com o melhor ângulo. Uma repórter loira e um câmera a seguindo por trás, se aproximam deles e pedem permissão para fazer algumas breves perguntas. Não consigo ouvir a resposta que o homem lhe deu, pois uma das garotas ao seu lado já rouba toda a minha atenção. Seus cabelos são compridos e castanhos. Sua postura parece segura e firme em meio a tanta atenção, mas ainda assim, noto um jeito meigo na sua forma de andar.

Seu rosto parece ter sido perfeitamente esculpido por um anjo. Ou talvez ela fosse realmente um. Eu poderia ter deixado minha atenção voltada para ela a manhã inteira, mas quando a repórter começou a sua entrevista, falou coisas que pareciam desastrosas demais para ser verdade. Minha atenção já estava totalmente vidrada em sua voz.

- Estamos aqui muito honrados com a oportunidade de fazer uma rápida entrevista para Charles Evans, que faz parte da direção de alta classe da Academia Escolar Lawrence...

A partir disso, não consegui ouvir mais nenhuma palavra. Ela disse mesmo que ele faz parte da direção? Tento não me precipitar, talvez ele nem se lembre mais de mim. Quando ele termina de dar sua entrevista, logo se dirige para dentro do colégio como se não aguentasse mais ficar um minuto ali parado. Com passos longos e perfeitamente regulares, ele caminha pela larga passagem de pedra lisa que leva direto para a entrada interna do colégio.

Sendo seguido pelas duas garotas, abaixo minha cabeça e internamente, torço para que eles não me vejam. Distraído mais uma vez pela visão da linda garota ao seu lado, pergunto-me como ela conseguia ser ainda mais atraente de costas. Ajeito o boné para observá-la melhor, mas sinto meu coração disparar quando o homem para de andar de repente e atento, volta seus olhos para mim. Penso que percebeu como quase devorei, talvez sua filha, com os olhos. Ou talvez ele deva ter me reconhecido. Mas isso não importava agora, só uma coisa eu sabia, estava lindamente ferrado.

Nota da autora •

Então gente, o que acharam de Chris Taylor? Ele é um fofo, né?
Parece que as coisas ficarão bem complicadas para ele, digam-me por favor, o que acham que vai acontecer! Quero muito saber a opinião de cada um :)
Mas a pergunta que não quer calar, por quem ele ficou perdidamente encantado? Melissa ou Kimberly? Haha. Se gostou, deixa seu votinho e indica pros amiguinhos ❤

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