45- Rejeitada

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- Ele simplesmente caiu diante de mim e eu não pude fazer nada!- Digo em meio as lágrimas.

- Acalme-se, Kim- Ester mantêm seus braços em minha volta- você não teve escolha.

Então logo entrando pela porta do seu quarto, Rúbia aparece segurando um pacote com lenços.

- Onde está a bebida?- Pergunta Ester se afastando de mim.

- Achou mesmo que eu traria bebida para ela nesse estado?- Responde- lembra-se do que aconteceu na última vez? E sabe que temos aula daqui a uma hora.

- Podia trazer pelo menos uma para mim- Resmunga cruzando os braços.

- Ele estava sangrando pelo nariz!- Desespero-me mais uma vez ao lembrar da cena.

- Relaxa, Kimberly- Rúbia se senta ao meu lado na cama, logo, concentra seus olhos nos meus- ele estava passando por um estresse muito grande naquela situação, e isso deve ter desencadeado o sangramento nasal. É algo mais raro, mas pode acontecer.

Então sentindo as lágrimas diminuírem enquanto me acalmava, dou um longo e frustrado suspiro.

- Preciso vê-lo- Digo- preciso saber se ele está bem.

- Você saberá quando formos ao colégio.

- Por falar nisso, é melhor irmos se não quisermos nos atrasar- Conclui Ester pegando sua mochila.

Vamos direto para o colégio. O pai de Rúbia nos dá uma carona de carro antes de ir para o trabalho. Ele é advogado e foi exatamente dele que Rúbia herdou tanta inteligência e dedicação para os estudos. Quando paramos na frente do colégio e entramos, daqui já posso ouvir o sinal tocando.

Fui praticamente arrastada até a nossa sala por elas, enquanto as ouvia reclamando sobre o quanto odiavam se atrasar. Quando entramos na sala, involuntariamente, volto meus olhos para o assento de Chris. Ele já estava lá, atento ao que o professor dizia.

- Ora, vejam só, as três espiãs demais finalmente chegaram- Hadley tinha um estoque muito limitado de piadas, e digamos, que ele não era muito bom com isso.

Então lhe dando um aceno, sento-me em meu lugar enquanto Ester e Rúbia fazem o mesmo. O professor logo dá sequência à aula. No fim, ele nos avisa sobre uma prova que acontecerá na próxima semana. Logo, somos liberados para o intervalo.

Então guardo meu material enquanto observo Chris sair da sala passando por mim como se eu nem existisse. Isso me deixa bastante incomodada. Ele ao menos, podia ter dito um: Oi, estou vivo e bem. Mas logo tentando desviar tais pensamentos da mente, vou com Ester até à cantina.

- Ele passou por mim e nem me olhou- Comento enquanto enfrentamos a longa fila.

Percebo Ester observar a paisagem distraidamente e totalmente perdida em seus devaneios.

- Ester?

- Oi?- Ela vira o rosto em minha direção- disse algo?

- O que há com você?

- Nada- Me dá um sorriso sem graça- estava distraída, o que disse mesmo?

Franzo o cenho. Ester tem estado aérea a tudo ultimamente, mas resolvo não tocar nesse assunto ainda.

- Falei que Chris passou por mim e agiu como se eu nem existisse.

- Talvez não tenha te visto.

- É claro que viu, nossa sala de aula nem chega a ser tão grande.

- Então já pensou que ele pode estar envergonhado por ter roubado o carro do seu pai?- Eu não guardava segredos de Ester. Podia confiar nela de olhos fechados.

- Isso não seria motivo para me ignorar, pelo menos, não para ele.

- Tudo bem, senhorita Sabe-tudo- Diz- Então diga-me o porquê dele ter te ignorado.

- Talvez...- Penso por um momento- ele só estivesse com fome e veio direto até à cantina.

Ester solta uma gargalhada.

- Sério? Você prefere mesmo acreditar nisso e não no que falei?

- Ah, esquece.

- Olha, ao invés de ficar aqui se torturando e criando teorias idiotas, por que você não vai falar com ele?

- Isso não posso. Não no colégio.

- Por quê?

- Por causa do meu pai- Eu não havia lhe contado que o motivo pelo qual Chris havia roubado o carro de Charles, foi porque descobriu o que ele fez comigo. Não precisava dela insistindo para eu denunciar meu pai outra vez, então apenas escolho por omitir esse fato- ele não me quer perto do Chris.

- Foi o que pensei.

- Você precisa me ajudar.

- Não imagino como.

- Simples- Eu digo- apenas fale com ele.

- Oh, não- Ester anda mais um passo na fila- estou morrendo de fome no momento.

- Por favor- Peço quase lhe implorando- não vê como estou aflita? Preciso saber como ele está e o que há.

- Charles não está aqui. Fique à vontade.

- Mas ele certamente pôs os seguranças para me vigiar- Respondo- a esta altura do campeonato, não duvido de mais nada.

Ester logo dá um suspiro.

- Faremos o seguinte, o levarei para a sala abandonada enquanto você espera lá, depois, fico na porta vigiando e os deixo sozinhos.

- Você faria isso?

- Claro.

Lhe dou um abraço em agradecimento e me adianto em ir até à sala. Logo abro a porta e sento-me na cadeira aguardando eles chegarem. Começo a me sentir nervosa quando já se passa tanto tempo. Fico ansiosa e temo a hora do intervalo acabar. É quando então, o sinal toca e a porta da sala se abre fazendo meu coração palpitar. Mas apenas vejo o rosto de Ester passando por ela.

- Onde ele está?

- Ele não quis vir- Bufa.

- O quê? Por quê?

- Porque é um babaca!- Diz irritada- me faz um favor? Me lembre de nunca mais dirigir uma palavra a ele, e sugiro que você faça o mesmo.

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